Mensagens: Vorcaro diz que precisava frear Joesley Batista Mensagens mostram Vorcaro dizendo a advogado que precisava frear Joesley Batista
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 01/10/2026 08:47:33
Mensagens recuperadas do telefone de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele procurou o advogado Walfrido Warde para definir como frear Joesley Batista e evitar que a disputa em torno da venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB) virasse um conflito aberto. Os diálogos são de maio de 2025, quando o Master buscava aval do Banco Central para uma operação de R$ 12 bilhões com o BRB, uma das mais sensíveis da economia brasileira naquele momento.
As mensagens foram obtidas pela equipe da coluna de Malu Gaspar, do Globo. De acordo com o material, Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, escreveu a Vorcaro em 13 de maio de 2025 relatando que Joesley e Wesley Batista atuavam para travar a compra do Master pelo banco público. Costa afirmou que os irmãos procuraram o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para avisar que o negócio não daria certo e levaria o BRB à quebra.
Na leitura de Costa, o movimento dos Batista era uma tentativa de fragilizar o Master e reabrir, em posição favorável, uma negociação por ativos interrompida semanas antes. Ele acrescentou que, ao envolverem o governador, os empresários colocaram a operação em risco.
Em 15 de maio, Vorcaro escreveu a Warde dizendo que precisava conter Joesley Batista, sob pena de o episódio se transformar em uma guerra maior do que qualquer outra já vista. O advogado quis saber como o banqueiro pretendia agir e ofereceu ajuda. Vorcaro pediu então auxílio para desenhar uma estratégia, porque, segundo ele, Joesley partiria para cima. O conselho recebido foi procurar o empresário e conversar sem rodeios.
Na mesma conversa, Vorcaro afirmou que era preciso blindar o presidente da República, referência a Lula feita nas mensagens. O dono do Master havia se reunido com o petista em Brasília cinco meses antes, no Palácio do Planalto. Conforme a apuração, Lula não tomou nenhuma medida em favor do banco, mas Vorcaro e Warde seguiram fazendo articulações com aliados do governo.
Pouco depois, os dois trocaram duas chamadas de voz, de 1 minuto e 57 segundos e de 1 minuto e 2 segundos. No dia seguinte, Warde voltou a escrever, dizendo ter um assunto importante para tratar pessoalmente e que a chance era única. Vorcaro respondeu de forma afirmativa.
Uma fonte que acompanha os bastidores disse à coluna que o foco de Joesley Batista nas tratativas com o Master era a Kovr Participações, seguradora de propriedade de Vorcaro negociada antes da liquidação do Master determinada pelo Banco Central, em novembro. Segundo esse relato, o empresário nunca se interessou pelas letras do Master, apenas pela seguradora.
A J&F, holding da família Batista, afirmou em nota enviada à coluna que não tinha interesse em comprar o Banco Master. A empresa declarou que avaliou ativos oferecidos em 2025 e não avançou depois que seus assessores jurídicos concluíram que os papéis não valiam o preço pedido pelos vendedores. A J&F negou ainda qualquer participação nas tratativas entre o Master e o BRB.
Os irmãos Batista aparecem em outra conversa de Vorcaro, de julho de 2024, em tom bem menos tenso. Ao comentar um diálogo sobre a instituição, Fernando Mascarenhas, então diretor comercial do Master, escreveu que a única observação feita era a de que o banco era próximo do governo, assim como os irmãos da J&F. Vorcaro respondeu que aquilo servia como marketing e pediu que a mensagem fosse repassada a Lula e à base aliada.
O episódio aproxima trajetórias. A exemplo dos executivos da J&F, Vorcaro foi preso no âmbito de uma investigação sobre um esquema bilionário de corrupção com envolvimento de lideranças de diferentes campos políticos. A diferença apontada na apuração é que o dono do Master não sinaliza disposição para fechar um acordo de colaboração premiada.