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Fim da publicidade de apostas ameaça receita bilionária de emissoras – TELA VIVA News

Fonte: telaviva.com.br | Data: 01/10/2026 19:07:42

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Imagem gerada por meio de IA.

A saída das empresas de apostas esportivas da programação televisiva pode gerar um impacto imediato nas receitas das emissoras, após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proibir as apostas online, bem como a publicidade das empresas de apostas, por meio da Medida Provisória 1.394. Entre os meses de janeiro de 2025 e junho de 2026, a categoria investiu R$ 2,115 bilhões em anúncios na TV aberta e fechada, com uma média mensal de R$ 117,5 milhões. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta, 1º, para suspender a decisão, argumentando que a medida possui cunho eleitoral e expropriatório.

O mercado de apostas representou a maior fonte de investimento publicitário em TV aberta entre os meses de janeiro e agosto de 2026, aportando R$ 542,4 milhões apenas neste segmento linear, ficando cerca de R$ 100 milhões à frente dos serviços de streaming, e liderou o ranking da publicidade em cinco dos oito meses analisados. A presença das bets se dava em diferentes formatos comerciais, incluindo intervalos, merchandising e inserções durante transmissões de futebol. Segundo um levantamento da Tunad, a TV aberta concentrou 93,1% de toda a verba publicitária das dez maiores casas de apostas no período de 18 meses analisado, o que equivale a R$ 1,691 bilhão. Já a TV paga recebeu 6,9% dos investimentos, totalizando R$ 126,178 milhões. O total investido no primeiro semestre de 2026 superou o mesmo período de 2025 em 8,9%, saltando de R$ 686,4 milhões para R$ 747,6 milhões.

“Quando uma categoria que liderava os investimentos em TV aberta deixa de anunciar de uma hora para outra, existe um impacto direto sobre a receita das emissoras”, afirmou o CEO da Tunad, César Sponchiado. O executivo ressalta que a substituição desse espaço comercial não ocorre de forma imediata ou pelo mesmo valor. “A emissora consegue vender o espaço para outro anunciante, mas isso não significa que consiga manter o mesmo valor. Existe um processo comercial até que uma nova categoria ocupe aquele inventário e, principalmente, até que se recomponha a receita”.

A concentração do mercado agrava o cenário, segundo a Tunad. As dez maiores empresas responderam por 94,2% dos investimentos das bets em TV aberta entre janeiro e agosto de 2026. “O mercado tinha uma concentração muito grande de verba em poucos anunciantes. Uma única decisão consegue retirar um volume enorme de receita da televisão em poucos dias”, explicou Sponchiado. No levantamento de 18 meses, as marcas Betano e BetMGM somaram juntas 36% do investimento da categoria. A BetMGM liderou os aportes na TV aberta com R$ 361 milhões, enquanto a Betano ocupou o topo na TV paga com R$ 61 milhões.

Conforme noticiado por matéria de Pedro S. Teixeira no C-Level, site de negócios da Foilha de S.Paulo, a Abert acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta, 1º, para suspender a decisão presidencial, argumentando que a medida possui cunho eleitoral e expropriatório. A petição da Abert no STF, assinada pelo advogado Gustavo Binenbojm, sustenta que a postura do governo mudou devido à proximidade do pleito. A associação argumenta que as perdas de receita e as rescisões contratuais são irrecuperáveis a cada dia de vigência da proibição.

A Abert também critica a ausência de devolução da outorga de R$ 30 milhões paga pelas empresas à Fazenda. O ministro da Fazenda, Dario durigan, declarou no dia 25 de setembro que os valores não seriam devolvidos, sob o argumento de que a relação era precária.

No documento que enviou a Medida Provisória ao Congresso Nacional, o governo justificou que a proibição foi motivada pelos severos efeitos econômicos, sociais e de saúde acarretados pela atividade. A Exposição de Motivos, assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, menciona que a transferência de dinheiro das famílias para as empresas de apostas pode ter alcançado dezenas de bilhões de reais, impactando de maneira negativa o consumo, a arrecadação de impostos e a distribuição de renda no país.

Ainda na justificativa, o governo salientou que a atividade de apostas online está conectada ao desenvolvimento de transtornos mentais, ansiedade, depressão e até aumento de suicídios. A argumentação pontuou que o aprimoramento dos mecanismos regulatórios implementados não foi capaz de proteger a população devido à facilidade de acesso promovida pelos sistemas digitais imediatos e pela forte publicidade do setor. Assim, estipulou-se o prazo de 30 dias para encerramento das autorizações das bets.

A Abert representativa das emissoras solicita a prorrogação dos prazos de liquidação e adequação estipulados na medida por pelo menos seis meses, garantindo a operação regular e a tentativa de mitigar o prejuízo do mercado audiovisual. A possível retomada das operações também não garante o retorno da publicidade, pois a MP ainda será analisada pelo Congresso e o PL 2.470/2026 prevê restrições severas.