Lula diz que Jaques Wagner só quer depor no caso Master
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 02/10/2026 01:33:14
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º) que o senador Jaques Wagner (PT-BA) não tem relação com o Banco Master e o Credcesta. Em entrevista ao Flow Podcast, Lula disse que Wagner quer ser chamado para depor. A declaração ocorre após o senador ser alvo da operação Compliance Zero.
“Tudo que Jaques Wagner quer é ser chamado para prestar depoimento”, disse Lula durante o programa. O presidente afirmou que, quando Wagner governava a Bahia, existia uma política ligada à cesta básica que deu origem ao que mais tarde se tornaria o Credcesta.
Segundo Lula, Wagner vendeu a operação para empresários ligados à operadora PKL One, que passaram a administrar o negócio. O Credcesta se originou da privatização da Empresa Baiana de Alimentos, durante o governo de Rui Costa (PT) na Bahia. O Banco Máxima comprou parte dessa operação e integrou o Credcesta ao seu negócio.
“Depois, eles tentaram dar entrada já aqui em Brasília para virar banco”, declarou Lula. O presidente atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro (PL) a transformação da instituição em banco, que ocorreu enquanto Roberto Campos Neto presidia o Banco Central. Foi a partir desse momento, segundo Lula, que a instituição “começou a fazer maracutaia e trambique”.
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero. O empresário Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno e ex-sócio do Master, também foi alvo das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.
Segundo a Polícia Federal, os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em proposta de delação que realizava pagamento mensal de R$ 3 milhões em propina para um grupo ligado ao senador.
O ex-banqueiro disse que a operação tinha duas modalidades de pagamento: R$ 2 milhões por meio de contrato entre o Master e a PKL One, empresa que explorava o Credcesta, e R$ 1 milhão pagos em espécie a aliados de Wagner. Segundo a PF, a PKL One era controlada por Augusto Lima e Wagner como sócios ocultos.