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Resumo do Flow Podcast: Bets, INSS e Banco Master são os temas quentes da entrevista de Lula na reta final

Fonte: ultimahoraonline.com.br | Data: 02/10/2026 01:31:56

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Lula troca o palco da Globo pelo Alvorada: no podcast, presidente chama debate de “infrutífero”, dispara contra adversários e promete vitória no primeiro turno

Em entrevista ao Flow Podcast transmitida exatamente no horário do debate presidencial cancelado, o candidato à reeleição falou por mais de uma hora sobre economia, bets, Banco Master, educação e segurança; audiência simultânea chegou a 1,64 milhão de espectadores

A noite em que o palácio virou estúdio

Enquanto a TV Globo cancelava, de forma inédita, o último debate presidencial do primeiro turno, uma outra movimentação tomava conta do Palácio da Alvorada. Era ali, na residência oficial, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebia o Flow Podcast para uma entrevista marcada para as 20h45 — um horário calculado para coincidir com o confronto que nunca aconteceu. A escolha do local, aliás, carregou simbolismo próprio: o Alvorada foi vetado ao então candidato Jair Bolsonaro em 2022, e agora recebia o petista em plena campanha eleitoral.

A entrevista começou após o anúncio do cancelamento do debate e se estendeu por mais de uma hora, em um formato de conversa longa e sem cortes que se tornou a marca da estratégia digital do candidato à reeleição. A três dias do primeiro turno, Lula optou por falar diretamente ao eleitorado jovem — o público central do Flow — em vez de enfrentar o palco tradicional da TV aberta.

“O pessoal começa a fazer gracinha”: a justificativa

Logo no início, Lula foi direto ao explicar por que não participou do debate da Globo. Para o presidente, o formato dos encontros entre vários candidatos não contribui para o esclarecimento do eleitor. “Eu sinceramente acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência”, afirmou, em trecho reproduzido pela imprensa na mesma noite.

A justificativa foi além da crítica ao formato. Ao ser questionado sobre a ausência, Lula disse que já é “muito conhecido” e ironizou o comportamento dos adversários nos embates televisivos: “O pessoal começa a fazer gracinha”. A fala ecoou a decisão da campanha de manter o presidente longe do contraditório, uma escolha defendida por aliados ao longo de toda a corrida.

O placar da audiência e a disputa pelo eleitor

Os números da noite deram razão ao cálculo estratégico. Segundo levantamento da revista Veja, a transmissão do Flow Podcast registrava 1,64 milhão de espectadores simultâneos no YouTube às 22h40. Na mesma faixa de horário, a live aberta por Flávio Bolsonaro, que também desistiu do debate, contava com 534,6 mil espectadores. A distância de mais de um milhão de pessoas consolidou o podcast como o grande palco de audiência da reta final.

A movimentação confirmou um fenômeno já observado na campanha: a migração do confronto político para as plataformas digitais. Enquanto o formato tradicional de debate definhava entre decisões judiciais e desistências, Lula e Flávio disputavam a atenção do eleitor em transmissões paralelas, cada um em seu próprio ambiente controlado.

A ofensiva econômica e o resgate das contas públicas

Na conversa, o presidente dedicou boa parte do tempo à economia. Lula lembrou a herança de 2003, quando, segundo ele, pegou um Brasil “quebrado”, pagou os US$ 30 bilhões devidos ao FMI, construiu US$ 270 bilhões em reservas e alcançou crescimento de 7,5% do PIB, com dupla conquista do grau de investimento. O discurso serviu de esteio para a defesa da política fiscal do atual governo.

O presidente rebateu ainda as críticas sobre a alta dos alimentos. Citando a inflação da cesta básica, afirmou que ela chegou a 56% no governo anterior e agora está em 13%, e respondeu às provocações sobre a declaração de que “o brasileiro come ovo”. Para Lula, o dado sobre o custo da alimentação demonstra a melhora real na vida das famílias — um argumento pensado para atingir diretamente o eleitorado de menor renda.

O banimento das bets e as histórias de endividamento

Um dos momentos de maior repercussão da entrevista foi a defesa da decisão de proibir as plataformas de apostas online, anunciada nove dias antes da eleição. Lula contou histórias pessoais ouvidas durante a elaboração da medida: um empresário endividado em R$ 2,3 milhões, uma mulher que tentou o suicídio três vezes e uma mãe que perdeu um filho de 26 anos viciado em apostas.

O presidente sustentou que a decisão emergencial se justifica pela gravidade do problema e pelo impacto social do endividamento. O tema, que atravessou a reta final da campanha, virou uma das bandeiras de maior apelo popular do candidato — e, na entrevista, serviu para reposicioná-lo como defensor das famílias contra o que chamou de “praga” das apostas.

Banco Master, INSS e a defesa do filho

O escândalo do Banco Master também ocupou espaço na conversa. Lula comentou a trajetória da instituição, adquirida ainda durante o governo anterior, e sua intervenção sob sua administração. Ao ser questionado sobre envolvidos, negou conhecer Roberta, personagem citada nas investigações, classificando-a como uma “grande vigarista”, em comparação crítica a Vorcaro.

O presidente também defendeu o filho, alvo de notícias sobre suposto recebimento de valores de lobistas, afirmando duvidar que ele tenha feito lobby junto a ministros e lembrando que Lulinha prestará depoimento. No terreno das fraudes, Lula citou o esquema que teria lesado aposentados do INSS, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, cinco milhões de segurados enganados e R$ 6 bilhões em bens apreendidos.

Educação, saúde e a agenda social

O presidente usou a entrevista para fazer um balanço das políticas sociais do governo. Na educação, destacou a expansão do acesso às universidades, a criação de institutos federais e o programa Pé de Meia, que incentiva a permanência de jovens na escola com poupança estudantil. Na saúde, citou a distribuição de equipamentos médicos, o tratamento do câncer e as iniciativas voltadas à saúde da mulher.

A pauta do feminicídio também entrou na conversa, com a defesa de novas leis e medidas protetivas para mulheres em situação de violência. O bloco social da entrevista reforçou a tentativa da campanha de contrastar a gestão atual com os anos anteriores, apresentando Lula como o candidato das políticas de inclusão — um discurso central para a conquista do eleitorado feminino e periférico.

O Judiciário, as emendas e o recado final

Diante da crise que marcou a semana no Supremo Tribunal Federal, Lula defendeu a necessidade de reforma do Judiciário e criticou condutas da Corte, sem deixar de ressaltar a importância das investigações em curso. Na seara orçamentária, afirmou que o governo anterior permitiu que o Congresso “sequestrasse” o orçamento por meio das emendas parlamentares e prometeu mudar essa lógica — um tema sensível no embate com o Legislativo.

No encerramento, o presidente resumiu a aposta da campanha com uma frase que dominou o noticiário: “Ou sou eu ou a barbárie”. Ele também deixou recados direcionados a dois públicos — aos idosos, pedindo que votem, e aos jovens, incentivando a entrada na política. Fechada a entrevista, restou a leitura de uma noite em que o debate tradicional morreu, e o Alvorada, ao lado de milhões de telas, tornou-se o palco improvisado da eleição.

Perfil: 

Luiz Inácio Lula da Silva é o presidente da República e candidato à reeleição nas eleições de 2026. Nascido em Caetés (PE) e criado no ABC Paulista, construiu sua trajetória como líder sindical, fundador do Partido dos Trabalhadores e um dos nomes mais influentes da história política brasileira. Em seus governos anteriores, foi responsável por programas como Bolsa Família, Prouni e expansão das universidades federais, que reduziram a pobreza e ampliaram o acesso ao ensino superior no país. Na atual gestão, conduziu a retomada de políticas sociais, a reforma tributária e o enfrentamento do endividamento das famílias com a regulação das bets. Consolidado como líder nas pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno, aposta na combinação entre a pauta social, a economia e uma estratégia digital de comunicação direta com o eleitorado jovem.

Fontes

Flow Podcast — Entrevista com o presidente Lula transmitida ao vivo em 01/10/2026 (YouTube) | Agência Lupa — Checagem ao vivo da entrevista de Lula no Flow (01/10/2026) | Pleno.News — “Lula grava Flow no Alvorada, local vetado a Bolsonaro em 2022” (01/10/2026) | O Globo — “Lula diz que faltou ao debate da Globo porque ‘o pessoal começa a fazer gracinha'” (01/10/2026) | Veja — “A audiência de Lula no Flow e de Flávio em live após cancelamento de debate da Globo” (01/10/2026) | Poder360 — “Lula diz que debate na TV Globo é ‘infrutífero'” (02/10/2026) | Congresso em Foco — “AO VIVO: Lula participa do Flow Podcast na reta final do 1º turno” (01/10/2026) | BBC News Brasil — Cobertura ao vivo do debate cancelado (01/10/2026)

Por Ralph Lichotti – Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa – ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa – ABI – MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 02/10/2026