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Trump não confirma apoio a Flávio e cita eleição brasileira

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 03/10/2026 15:42:26

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (2) que acompanha de perto a eleição brasileira, marcada para domingo (4), mas evitou responder se apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. O parlamentar é filho de Jair Bolsonaro, aliado do republicano.

A fala ocorreu em conversa com repórteres, antes de o republicano deixar a Casa Branca para embarcar no avião presidencial. Questionado sobre o pleito, Trump afirmou que os americanos estão atentos a tudo e que vão acompanhar a disputa de perto, sem se estender sobre o assunto.

Foi a segunda vez em dois dias que o presidente americano foi abordado sobre o tema e adotou o mesmo tom genérico. Na véspera, ele havia destacado a relevância do país, elogiado os brasileiros e atribuído grande peso à eleição.

Postura difere do apoio declarado na Colômbia

A ausência de apoio explícito a Flávio Bolsonaro marca uma mudança em relação ao comportamento que Trump vinha adotando em outras disputas da América Latina. No caso mais recente, na eleição presidencial colombiana, o americano manifestou apoio aberto ao então candidato e hoje presidente do país, Abelardo de la Espriella.

Ao mesmo tempo, a fala ocorre em meio a uma ofensiva de parlamentares americanos contra o que classificam como tentativa de interferência de Washington na democracia brasileira.

Congresso dos EUA aponta tentativa de interferência

Na semana passada, congressistas enviaram carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, manifestando preocupação com uma suposta interferência americana no pleito brasileiro. Nesta semana, senadores americanos voltaram a pressionar a gestão Trump por garantias de que Washington reconhecerá o resultado da eleição brasileira, também em correspondência endereçada a Rubio.

No novo documento, os signatários afirmaram ver risco à aliança estratégica entre os dois países e sustentaram que, ao longo do segundo mandato de Trump, autoridades dos EUA vêm atuando para desestabilizar o Brasil e interferir em seu processo político.

As cartas listam dois indícios principais. O primeiro é a escolha de Darren Beattie, figura da extrema direita e crítico declarado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, para o cargo de assessor sênior do Departamento de Estado dedicado a temas brasileiros. O segundo é a aplicação de tarifas extras depois de uma investigação que, segundo relatos citados pelos parlamentares, teria sido aberta por ordem de Trump.

Em agosto, o Departamento de Estado americano afirmou que respeitará qualquer governo eleito em outubro no Brasil e descartou ter um plano para barrar uma nova reeleição de Lula.

Ex-embaixador vê interferência indireta dos EUA

O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa avaliou que os Estados Unidos adotaram medidas que interferem de forma indireta no processo eleitoral brasileiro. A declaração foi dada em entrevista na noite de sexta-feira (2), conforme relato do Poder360.

Segundo o diplomata, que chefiou a embaixada brasileira em Washington entre 1999 e 2004 e também atuou no Reino Unido, uma ingerência americana no pleito brasileiro, ainda que por vias indiretas, era uma possibilidade que ele já considerava provável e que agora se materializa.

Barbosa citou como exemplos o repasse de US$ 1 milhão feito pelo governo Trump a um programa cujo objetivo é combater o que Washington chama de lawfare e censura no Brasil, além da suspensão de serviços pela Embaixada americana em território brasileiro após um alerta de segurança.

O diplomata lembrou que a medida foi seguida por alertas semelhantes das embaixadas do Canadá, da Austrália e do Reino Unido sobre um possível distúrbio no país, cenário que, segundo ele, não se concretizou. Na avaliação do ex-embaixador, essas iniciativas foram inspiradas por Washington como forma indireta de influenciar a eleição.

Barbosa também comentou o cancelamento, pela TV Globo, do que seria o último debate antes do primeiro turno, na quinta-feira (1º). Ele classificou a decisão como uma interferência indevida da Justiça no trabalho da imprensa, mas disse que o episódio não prejudicou o andamento da campanha.

A emissora desistiu do debate depois que o TSE e o STF mudaram as regras do encontro. Segundo Barbosa, a campanha chega à reta final em um ambiente tranquilo, com os candidatos circulando livremente pelo país.

Brasil monta barreira contra ingerência

Reportagem da imprensa americana baseada em fontes em Brasília indica que o governo brasileiro montou uma barreira para tentar blindar o processo eleitoral contra eventuais tentativas de ingerência da gestão Trump.

Entre as medidas adotadas estão a busca por apoio de países da Europa e da Ásia, o monitoramento de lobbies estrangeiros em território nacional e o combate a informações falsas sobre suposta fraude eleitoral.