Um estudo elaborado pelo pesquisador chileno César Hidalgo, publicado na revista científica Pnas, aponta que a convivência produtiva entre trabalhadores de diferentes níveis de qualificação profissional é capaz de impulsionar a mobilidade social e o crescimento econômico, especialmente em cidades das regiões Sul e Sudeste do Brasil. A pesquisa fundamentou-se em registros da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e revelou que a presença simultânea de profissionais altamente capacitados no setor privado propicia a ascensão de trabalhadores inicialmente menos qualificados.
A análise do levantamento dialoga diretamente com as estatísticas do mercado de trabalho divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados do segundo trimestre do IBGE mostram discrepâncias regionais marcantes nas taxas de desemprego, que se mantêm mais elevadas no Nordeste (7,6%) e no Norte (6,1%), quando comparadas aos índices do Sudeste (5,2%), Centro-Oeste (3,8%) e Sul (3,2%).
A disparidade regional observada nos levantamentos do IBGE também se reflete na taxa de informalidade do país. A proporção de trabalhadores informais supera 50% na região Norte (50,4%) e atinge 48,7% no Nordeste, enquanto registra índices significativamente menores no Sudeste (33,4%), Centro-Oeste (33,3%) e Sul (28,8%). Especialistas apontam que esses números históricos reforçam como as diferenças na formação do mercado de trabalho afetam o desenvolvimento econômico regional.