Aeroporto do Recife ganha prêmio por projeto com inteligência artificial
Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 05/10/2026 12:30:31
Uma solução desenvolvida para apoiar a continuidade de um aeroporto diante de crises operacionais combina inteligência artificial, um “gêmeo digital” da operação e uma plataforma capaz de orientar gestores sobre as decisões necessárias durante uma emergência.
O projeto foi desenvolvido por Gabriel Marcos de Morais Silva, coordenador de Operações e Resposta a Emergências do Aeroporto Internacional do Recife, e recebeu o Young Professional Award 2026, concedido pelo Conselho Internacional de Aeroportos para América Latina e Caribe (ACI-LAC).
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A premiação ocorreu durante a Assembleia Geral Anual Mundial, Conferência e Exposição (WAGA 2026), realizada em Lima, no Peru, pelo ACI-LAC e pelo ACI World. O reconhecimento destacou iniciativas voltadas à resiliência aeroportuária e à eficiência energética.
No caso do aeroporto brasileiro, o projeto premiado propõe uma forma de reduzir os impactos de uma indisponibilidade de sistemas ou de estruturas essenciais para a operação.
O trabalho, intitulado “Além da Recuperação – Plano prático de resiliência operacional diante de ataque cibernético”, ainda está em fase de estudos e não foi implantado. A proposta, porém, abre discussões sobre o uso de inteligência artificial para antecipar consequências de uma crise e apoiar a tomada de decisão em um aeroporto.
Como funcionaria a solução no aeroporto
Um dos pilares do projeto é o Gêmeo Digital Operacional. A tecnologia funciona como uma representação virtual da infraestrutura e da operação do aeroporto, permitindo identificar os efeitos de uma ocorrência antes que os gestores definam as medidas de resposta.
Na prática, diante da indisponibilidade de uma estrutura, o sistema poderia apontar quais voos seriam afetados, quantos passageiros sofreriam impactos e quais alternativas poderiam ser utilizadas para preservar a continuidade da operação.
“Esse gêmeo digital entrega todas as restrições, as inoperâncias, a impraticabilidade que aquilo traria para o aeroporto e, com base nisso, os gestores conseguiriam tomar as melhores decisões”, explica Gabriel Silva.
O mecanismo não estaria limitado a ataques cibernéticos. Uma ocorrência física, como a interdição de um trecho da pista ou a indisponibilidade de uma ponte de embarque, também poderia ser analisada pela ferramenta.
Em uma situação desse tipo, o aeroporto poderia receber informações sobre os voos afetados, a quantidade de passageiros impactados e as alternativas disponíveis para manter a operação. A partir desses dados, os gestores poderiam avaliar, por exemplo, a necessidade de cancelar voos, utilizar outra estrutura ou determinar por quanto tempo seria possível manter determinada área indisponível sem desencadear novos problemas.
Plataforma orienta resposta à crise
A segunda frente do projeto é uma plataforma dinâmica para orientar os profissionais durante uma emergência. Em vez de consultar diferentes documentos e fluxogramas para saber quais providências devem ser adotadas, os funcionários teriam acesso às etapas de resposta diretamente no sistema.
A ferramenta funcionaria de maneira sequencial. Depois da primeira decisão, indicaria a próxima ação e assim sucessivamente, até a conclusão do protocolo de resposta. “Então, a partir do momento que você tomasse a primeira decisão, o sistema já te informaria qual seria a segunda decisão a ser tomada”, afirma o coordenador.
A proposta estabelece ainda metas de recuperação de funções críticas em até 72 horas e manutenção de 90% da continuidade operacional em modo degradado. O objetivo é reduzir o tempo de resposta e evitar que uma ocorrência localizada provoque impactos maiores na operação do aeroporto.
Projeto ainda está em fase de estudos
A ideia nasceu da experiência de Gabriel na rotina do aeroporto. À frente das áreas de operações e resposta a emergências, ele acompanha situações em que a continuidade operacional precisa ser preservada mesmo diante de imprevistos. “Durante uma crise, uma indisponibilidade, a gente tem que atuar diretamente para resolver aquilo”, relata.
Segundo ele, ainda estão sendo discutidos os próximos passos para avaliar a possibilidade de desenvolvimento e implementação da solução. A proposta poderia ser aplicada a diferentes aeroportos, e não apenas à unidade do Recife. “A premiação abriu uma oportunidade para a gente começar a discutir melhor esse assunto”, afirma.
O reconhecimento também ocorre em um momento de avanço do uso de inteligência artificial no setor aeroportuário. Para Gabriel, a mesma tecnologia que amplia a eficiência das operações cria a necessidade de novas ferramentas de proteção e preparação.
“Com a inteligência artificial cada vez mais presente nos aeroportos, você acaba melhorando o seu processo, mas precisa de formas de se defender também”, destaca.
A proposta apresentada no prêmio parte de um ataque cibernético como cenário de referência, mas busca criar uma estrutura de resposta que possa ser adaptada a diferentes tipos de crise. Para o aeroporto, a expectativa é combinar tecnologia, processos e pessoas para reduzir o tempo de reação e preservar a experiência dos passageiros mesmo em situações de interrupção.
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