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Financiamento climático dobra na América Latina e Caribe, mas continua insuficiente – ClimaInfo

Fonte: climainfo.org.br | Data: 05/10/2026 22:09:28

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Uma análise da Climate Policy Initiative (CPI) mostra que o investimento em ações climáticas na América Latina e no Caribe registrou um aumento expressivo entre 2020 e 2024, passando de US$ 54 bilhões (R$ 270 bilhões) para US$ 108 bilhões (R$ 540 bilhões). O aumento beneficiou a geração de energia por fontes renováveis, cujos projetos receberam US$ 43 bilhões (R$ 215 bilhões) na região apenas em 2024.

Apesar da alta, o relatório destaca que os recursos destinados à energia renovável ainda estão muito aquém dos investimentos em projetos de combustíveis fósseis na região. O setor de petróleo, gás fóssil e carvão recebeu US$ 95 bilhões (R$ 475 bilhões) em 2024, o que equivale a duas vezes o recebido pelas fontes renováveis. A manutenção das aplicações na energia suja é um obstáculo ao avanço da transição energética global.

“Vamos conviver com algum nível de extração de combustíveis fósseis nos próximos anos. [Mas] a questão central é o que fazer com as receitas vindas dessa atividade e como usá-las para fortalecer a resiliência”, disse María Sierra, gerente de inovação financeira da CPI para a América Latina.

O Brasil foi um dos países que puxaram os números do financiamento climático para cima na América Latina e Caribe. O país registrou um aumento de 163% no fluxo de recursos destinados a projetos climáticos entre 2022 e 2024. A maior parte foi destinada à expansão da geração solar e à agricultura sustentável. Somente em 2024, o Brasil concentrou 58% dos investimentos na região, com US$ 63 bilhões (R$ 315 bilhões).

Apesar da movimentação positiva para o financiamento climático, há sinais de preocupação. O total de financiamento de 2024 foi inferior ao registrado no ano anterior (US$ 110 bilhões, ou R$ 550 bilhões), o que pode indicar uma desaceleração.

Além disso, mesmo com a alta, o volume mais recente de recursos ainda está muito aquém do necessário para mitigação e adaptação na América Latina e Caribe. O montante anual mínimo seria quatro vezes o atual, cerca de US$ 467 bilhões (R$ 2,3 trilhões), segundo a CPI.

A Folha destacou os principais pontos da análise.