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Fim da favela do Moinho representa um novo começo para as famílias e a transformação histórica do centro de SP

Fonte: jornaldobras.com.br | Data: 06/10/2026 00:45:03

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Fim da favela do Moinho representa um novo começo para as famílias e a transformação histórica do centro de SP

A saída do último morador da Favela do Moinho, no último mês, marca uma nova etapa para São Paulo após mais de três décadas de ocupação do terreno. O reassentamento das 851 famílias encerra um longo processo de negociação e abre caminho para a transformação da área, que integra as ações do Governo de São Paulo para requalificar o centro da capital.

O terreno de 61,3 mil m², em Campos Elíseos, será destinado a um novo espaço de uso público, com a implantação do Parque do Moinho. O projeto prevê áreas verdes, espaços de convivência e lazer e equipamentos de uso coletivo. A região também receberá a futura Estação Bom Retiro, que fará a integração entre as linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 11-Coral.

Espremida entre duas linhas de trem, a Favela do Moinho ficou marcada por tragédias ao longo dos anos. Entre as mais graves estão os incêndios ocorridos em 2011 e 2012, que deixaram vítimas fatais e mais de 1,5 mil pessoas desabrigadas. As condições da comunidade agravavam os riscos, com acesso difícil entre as vielas, moradias construídas com materiais inflamáveis e problemas de saneamento.

Respeito às famílias

O reassentamento foi realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Antes do início das remoções, foram realizados mais de 3 mil atendimentos de assistentes sociais. No primeiro ano da operação, o número chegou a 10 mil, uma média de 12 atendimentos por família.

O trabalho começou com reuniões em grupo para organizar o cadastramento e identificar as necessidades dos moradores. Na sequência, a CDHU instalou um escritório de atendimento na região central, onde as famílias receberam orientações sobre as alternativas

A CDHU mapeou imóveis prontos ou em construção disponíveis no mercado e apresentou as alternativas aos moradores. “A ideia foi acompanhar as famílias durante todo o processo, desde o cadastramento até a escolha da moradia. Cada núcleo tinha uma realidade diferente, e o atendimento individualizado permitiu apresentar alternativas de acordo com as necessidades de cada um”, explicou o secretário de desenvolvimento urbano e habitação, Marcelo Branco.

Ao longo do processo, a CDHU apresentou mais de 1,5 mil opções de casas e apartamentos aos moradores, sendo cerca de mil na região central. A oferta permitiu que famílias que desejassem permanecer próximas ao antigo endereço tivessem alternativas na própria região. Para a mudança, a companhia também levou em consideração as escolhas de cada família. “Em vez de uma única alternativa de moradia, eles puderam escolher entre diferentes possibilidades. Esse foi um grande avanço no atendimento promovido pela companhia”, afirma Branco. 

Uma das primeiras a aderir ao plano de reassentamento, a ex-moradora Júlia Mendes Rodrigues, de 60 anos, escolheu uma casa na Zona Norte de São Paulo. Entre as opções apresentadas pela CDHU, ela descartou o apartamento para não ter custos com taxa de condomínio.

“A entrada da CDHU mudou minha vida, me deram importância de pessoa decente. Uma pessoa que não tem dignidade não é ninguém. Hoje eu me considero uma pessoa digna, sou respeitada”, relata.

Júlia Mendes Rodrigues foi uma das primeiras moradoras a deixar a Favela do Moinho. Foto: Divulgação/Governo de SP.

Durante a transição, dona Júlia recebeu auxílio-moradia de R$ 1,2 mil mensais até a entrega definitiva das chaves. O imóvel já foi entregue com a documentação em seu nome. “Quando vou dormir, estou em paz, tranquila, sem barulho. Estou muito feliz”, comemora.

Além das unidades apresentadas pela CDHU, as famílias também puderam escolher um imóvel em qualquer município do Estado de São Paulo, desde que atendesse aos parâmetros do programa. Nessa modalidade, foram disponibilizadas cartas de crédito de até R$ 250 mil.

Das 851 famílias atendidas, 645 já contam com moradias definitivas. As demais recebem auxílio-moradia de R$ 1,2 mil enquanto concluem a escolha do imóvel escolhido ou indicação, pelo beneficiado, da unidade indicada para compra com carta de crédito. Para aquelas que optaram por unidades ainda em construção, foram concedidos caução inicial de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia mensal de R$ 1,2 mil até a entrega das chaves.

Ao todo, foram realizadas 957 mudanças, considerando as famílias, comércios e serviços existentes na área. Desde o início das desocupações realizadas pela CDHU, também foram concedidas 72 indenizações a comerciantes, pagas pela Prefeitura.

Um novo centro para São Paulo

O terreno dará lugar ao Parque do Moinho, criando mais um ponto de lazer e convivência. O projeto da área prevê áreas destinadas ao esporte, com quadras poliesportivas, de basquete e de areia, parque infantil, academia ao ar livre, pista de skate e percursos para bicicletas e caminhadas.

A circulação de pedestres e ciclistas será reorganizada para melhorar a segurança e o conforto dos frequentadores, criando conexões mais agradáveis entre o parque e as áreas do entorno.

A região receberá ainda uma nova estação ferroviária, ampliando a integração com o sistema de transporte metropolitano. A conexão prevista entre as linhas 10-Turquesa, 11-Coral e 8-Diamante vai facilitar os deslocamentos pela região central e beneficiar diretamente os passageiros da Zona Leste, do Alto Tietê e de outras áreas da Região Metropolitana.

A transformação do Moinho faz parte de um plano mais amplo de revitalização da região central, que inclui a transferência da sede do Governo de São Paulo e do Centro Administrativo para Campos Elíseos, na região da Praça Princesa Isabel. 

A concentração de órgãos públicos vai aumentar a circulação de trabalhadores e visitantes e estimular a chegada de novos comércios, restaurantes e serviços no entorno.

O projeto também prevê a recuperação de imóveis históricos da região, que poderão receber novos usos culturais, comerciais e de serviços.