Martha Nowill: ‘Eu nunca fui o tipo de atriz que espera o telefone tocar’
Fonte: glamour.globo.com | Data: 06/10/2026 08:10:26
Em entrevista à Glamour, a atriz fala sobre a fase movimentada da carreira após conquistar o Troféu Candango por “Privadas de Suas Vidas”. Martha também se prepara para a estreia de “100 Dias”, dirige seu primeiro curta e escreve um romance
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_ba3db981e6d14e54bb84be31c923b00c/internal_photos/bs/2026/p/6/gBcnOLTzWDtWEPEthThQ/martha-nowill2159.jpg)
Martha Nowill vive um momento especial na carreira. Depois de conquistar o Troféu Candango de Melhor Atriz no Festival de Brasília por Privadas de Suas Vidas, a atriz se prepara para chegar aos cinemas com 100 Dias, filme inspirado na história de Amyr Klink que estreia dia 29 de outubro. “Eu tinha lido Cem Dias Entre Céu e Mar por volta dos 13 anos. Me lembro de pegar emprestado na biblioteca da escola e ficar ‘passada’ com a ousadia daquela aventura. Imagina ser chamada pra fazer parte dessa história, mais de 30 anos depois….”, dispara ela, em entrevista à Glamour.
Aos 45 anos, ela também amplia sua atuação para além das telas: depois de lançar o primeiro livro, prepara-se para dirigir seu primeiro curta e escreve um romance. “Quando pari duas crianças e me vi tendo que dar conta desse novo combo, eu percebi que precisava ampliar minhas possibilidades. Eu nunca fui o tipo de atriz que espera o telefone tocar, sempre escrevi, sempre me produzi, mas agora isso tomou uma proporção maior pra mim”, diz.
Martha é mãe dos gêmeos Maximilian e Benjamin, do casamento com o publicitário Luiz Braga. A atriz engravidou durante a pandemia e deu à luz em fevereiro de 2021. A experiência inspirou um diário que, mais tarde, virou a obra Coisas Importantes Também Serão Esquecidas. O que mudou, de lá para cá, na sua relação com a maternidade? “É um processo. É um estado permanente de presença, graça e resiliência. Não tem fórmula de sucesso, não tem medalha na linha de chegada.” Acompanhe a entrevista abaixo, onde Martha fala sobre carreira, filhos e os projetos que estão por vir.
Você está no elenco de 100 Dias, filme que chegou a ser pré-selecionado para representar o Brasil no Oscar. Embora não tenha sido o escolhido, a produção vem ganhando muito destaque antes mesmo da sua estreia. Como é fazer parte de um projeto com tanta repercussão?
É muito bom ver o cinema brasileiro sendo valorizado, dentro e fora do Brasil. Eu acho os trabalhadores do audiovisual brasileiro muito talentosos, tanto técnicos quanto artísticos. É uma quantidade absurda de gente talentosa que trabalha no nosso audiovisual. E quando entramos num projeto, a gente entra porque acredita nele. As vezes vem um sucesso de crítica, as vezes de público, as vezes internacional. As vezes não vem nada também (risos) , mas pode agregar muito no aprendizado , ou nas relações. Trabalhar é sempre bom, sempre digno.
O que pode falar sobre a sua personagem?
A Flora tem um papel fundamental na vida do Amyr e na história do filme. É ela, e sua equipe, que consegue solucionar a questão da alimentação na travessia.
O filme é baseado na história do navegador Amyr Klink. Como foi trabalhar em uma produção inspirada em uma história real e que envolve uma jornada tão particular?
Eu tinha lido Cem Dias Entre Céu e Mar por volta dos 13 anos. Me lembro de pegar emprestado na biblioteca da escola e ficar “passada” com a ousadia daquela aventura. Imagina ser chamada pra fazer parte dessa história, mais de 30 anos depois….
Ao olhar para os projetos que tem feito nos últimos anos, sente que está vivendo um momento diferente da carreira, com mais espaço para escolher histórias e também assumir outras funções?
Sim, totalmente. Isso faz parte de uma escolha e de uma disciplina diária para expandir. Expandir capacidades, criatividade, coragem, orçamento e reconhecimento. Eu tenho 45 anos e quando pari 2 crianças e me vi tendo que dar conta desse novo combo, eu percebi que precisava ampliar minhas possibilidades. Eu nunca fui o tipo de atriz que espera o telefone tocar, sempre escrevi, sempre me produzi, mas agora isso tomou uma proporção maior pra mim.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_ba3db981e6d14e54bb84be31c923b00c/internal_photos/bs/2026/h/V/bBrTpFQO6ZXWVDIsApGA/martha-nowill-3.jpg)
Você também estrela Privadas de Suas Vidas, um terror gore que aborda a maternidade de uma maneira bastante radical. O que te chamou atenção na história?
A Malu é uma das personagens mais bem escritas e mais lindas que já fiz. Me chama atenção o fato dela ser uma heroína de filme de terror fora do padrão (físico e emocional) do que costuma ser esse tipo de heroína. Também é incrível que sua história seja um Drama com D maiúsculo, dentro de um filme de gênero absurdo, que é também uma comédia.
A Malu perde um dos filhos gêmeos na trama. Você é mãe de gêmeos na vida real. Como foi construir uma personagem que atravessa uma experiência tão dolorosa e tão distante da sua própria vivência?
Foi difícil. Precisei me distanciar de mim e dos meus filhos. As vezes a gente usa a própria vida como referência, mas nesse caso não consegui muito. Claro que eu carrego minha história comigo, e ao fazer a Malu, vem tudo junto. Mas eu fiz um exercício de criar a gênese dela e de seus filhos, um exercício bem clássico de construção de ator. Também, por sugestão do Rodrigo Teixeira (produtor) e dos diretores, pintei meu cabelo de loiro. Isso foi fundamental pra mim, uma libertação.
Você vai dirigir seu primeiro curta, À Revelia. Como surgiu o desejo de passar para trás das câmeras? O que contar sobre esse projeto?
Eu sou formada em cinema, e dirigi um projeto de formatura, um curta chamado Dança. Depois, nunca mais pensei nisso, foquei na atriz. Mas, com tantas experiências em set, eu acabei também aprendendo muita coisa e comecei a ter vontade de fazer esse pequeno experimento. Colocar meu olhar e minha criatividade na direção, junto com a atuação, porque também vou atuar. Esse projeto nasceu da vontade de eternizar a biblioteca da casa dos meus avós, que era um espaço meio sagrado na minha vida. Eu acabei não conseguindo filmar nela, mas o desejo de falar sobre lugares que amamos e perdemos, ficou.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_ba3db981e6d14e54bb84be31c923b00c/internal_photos/bs/2026/E/B/QxNm6HROaqYHN11YNdrQ/martha-nowill2483-2.jpg)
Depois de tantos anos trabalhando como atriz, quais são os maiores desafios de dirigir pela primeira vez?
Ah, são muitos. Confesso que tô ansiosa. Eu acho que o desafio maior vem de conseguir materializar na cinematografia, (decupagem, fotografia) o que tá na minha cabeça. Escolhi co-dirigir este curta com o Loiro Cunha, que é um diretor de foto muito talentoso, então acho que isso me dá uma tranquilidade de que eu e ele nos complementaremos no que for necessário.
Coisas Importantes Também Serão Esquecidas nasceu de um diário que você começou a escrever durante a gravidez dos gêmeos. O que fez você perceber que aquelas anotações poderiam se transformar em livro?
Na verdade, não fui eu quem percebeu. O pai da Alice Santana, que é uma poeta e editora da Companhia das Letras, leu o diário na revista Piauí e mandou pra Alice, dizendo que tinha entendido muita coisa sobre as mulheres lendo meu relato. A Alice leu também, e entrou em contato comigo perguntando se eu não queria continuar o diário, pois ela achava que dava um livro. Eu topei, claro.
Cinco anos depois de começar aquele diário, o que mudou na sua relação com a maternidade?
A maternidade é um processo. É um estado permanente de presença, graça e resiliência. Não tem fórmula de sucesso, não tem medalha na linha de chegada. Meio como a vida mesmo, cada dia um dia. Eu dou meu melhor sempre. As vezes preciso focar mais no trabalho, as vezes paro tudo pra focar neles. A gente é uma família, não somos perfeitos. Dou muito limite para meus filhos, mas também peço desculpas quando erro ou perco a mão com eles. Agora, pra mim, é das melhores coisas da vida. Um amor imensurável.
Você também contou que começou a escrever um romance. O que pode revelar sobre esse novo projeto?
Tá bem no começo, é uma ficção. A personagem pertence ao universo do teatro, mas é bem distante de mim.
Assine nossas newsletters
Receba as noticias que você não pode perder diretamente no seu e-mail. É rápido. É fácil. É de graça.
Mais recente
Próxima
Natália Silva relembra os desafios que enfrentou até chegar ao topo do UFC: “As dificuldades não conseguiram me parar”