Médica é afastada após orientar não dar alta a pacientes no fim de semana das eleições
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 06/10/2026 12:37:19
A médica chefe do setor de ginecologia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, foi afastada temporariamente da escala após orientar colegas em um grupo de WhatsApp a não dar alta a pacientes durante o fim de semana das eleições. Na mensagem, enviada na sexta-feira (2), a profissional afirmou que “a maioria é petista”. O afastamento foi confirmado pelo hospital na segunda-feira (5).
Marcella Segato de Sousa Melo enviou a mensagem no final da tarde de sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno, em um grupo que reunia médicos e estudantes de medicina. “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”, dizia o texto.
Após a repercussão negativa do caso, a médica afirmou que a manifestação foi “uma brincadeira feita em um grupo privado”. Outras mensagens obtidas pela reportagem mostram ofensas constantes e repetidas, incluindo intimidações a residentes e ameaças relacionadas à escala.
A médica ginecologista e obstetra Priscila Elena, que também atende no HMMCC, escreveu no grupo: “Quem não votar 22 não tá liberado da escala”. O médico ginecologista Yassar Armad respondeu ao comentário dizendo que quem não votasse “nem finaliza o rodízio”, referindo-se ao período de estágio prático de estudantes e residentes.
O conteúdo das conversas foi alvo de uma representação encaminhada ao Ministério Público Federal. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo e que solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição citada.
Em nota, a maternidade afirmou que as manifestações ocorreram em um grupo interno e privado e têm caráter pessoal, sem representar a administração. O hospital ressaltou que decisões sobre internação, permanência e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança, independentemente das convicções políticas dos pacientes.
A direção apresentou desculpas formais a pacientes e colaboradores que se sentiram atingidos. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a orientação de garantir atendimento adequado e respeitoso aos usuários do SUS.