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Apreendidos em Guarulhos, 50 ovos de aves vão para o Cetras-SP

Fonte: ultimosegundo.ig.com.br | Data: 06/10/2026 13:30:54

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Filhote de ave nascida no Cetras-SP

Diculgação/ Semil

Filhote de ave nascida no Cetras-SP

O Ibama apreendeu  50 ovos de aves silvestres  no Aeroporto Internacional de Guarulhos  somente neste mês de outubro. O material foi encaminhado ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de São Paulo (Cetras-SP), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).

Os ovos são de “psitacídeos”, família que reúne araras, maracanãs, papagaios e periquitos. A identificação completa das espécies ainda não foi concluída, mas a presença de araras está confirmada.

As apreensões ocorreram em dois momentos diferentes do mês. Uma delas, na noite do dia 1º, quando fiscais do aeroporto encontraram 34 ovos na bagagem de um passageiro chinês, que possuía uma passagem para a China com escala na cidade de Doha, capital do Catar.

A outra apreensão ocorreu no dia 4 de outubro, quando outros 16 ovos foram localizados na mala de um viajante com passagem para o Vietnã.

Por mais que os destinos dos passageiros conste nos bilhetes aéreos, ainda não é possível ter certeza de para onde exatamente os ovos seriam levados.

Filhotes e cuidados

Os ovos chegaram ao Cetras-SP já em fase avançada de desenvolvimento e 10 deles já eclodiram. Os filhotes estão sob acompanhamento da equipe, que ainda não identificou a espécie das aves recém-nascidas. Os demais permanecem na chocadeira, à temperatura de 37,4 °C e com 50% de umidade, até o momento da eclosão.

Os filhotes recém-nascidos estão em uma Unidade de Tratamento Animal (UTA), onde a temperatura é de 35 °C e a umidade, de 60%. Eles são alimentados com papinha e monitorados para garantir o ganho de peso e o desenvolvimento adequado.

De acordo com a bióloga Sayuri Fitorra, chefe do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de São Paulo, o caso ilustra os efeitos do tráfico internacional de animais silvestres, que expõe os animais a condições inadequadas e ameaça sua sobrevivência; ela afirma que a procura por animais silvestres alimenta a captura e o comércio ilegal e que, por trás de cada exemplar retirado da natureza, há sofrimento e risco.

“Esses ovos, por exemplo, foram transportados em uma situação totalmente inadequada e dependem agora de cuidados especializados para que os filhotes tenham condições de sobreviver”, afirmou a biologa

Em agosto de 2024, o Cetras-SP já havia recebido 24 ovos de araras apreendidos pelo Ibama no mesmo aeroporto, retirados da mala de um passageiro durante fiscalização; na ocasião, 21 filhotes nasceram e foram cuidados pela equipe. Os que sobreviveram à recuperação foram levados para soltura em uma área de Mato Grosso do Sul destinada à reintrodução da espécie.

O órgão é responsável por acolher animais diversos animais silvestres que passam por diferentes dificuldades, como os resgatados do tráfico nacional e internacional, vítimas de atropelamentos e outros acidentes, ou até mesmo filhotes órfãos ou animais entregues voluntariamente.

Somente entre janeiro de 2023 a setembro de 2026, a unidade recebeu cerca de 33.500 animais; no mesmo período, 20.211 foram reabilitados e soltos na natureza, sendo que 19.577 deles deram entrada no projeto durante o período e, os outros 634, vinham sendo acompanhados de anos anteriores. Entre os reabilitados, 77,36% foram destinados à soltura e 22,64% a empreendimentos de fauna autorizados.

O tráfico é a principal causa das apreensões atendidas pelo centro, sobretudo de aves em condições precárias. A unidade funciona no Parque Ecológico do Tietê e avalia, recupera e define o destino de cada animal conforme seu estado e as características da espécie.