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Itaú BBA tem compra para Brasil, vê Ibovespa a 246 mil e aposta em 4 ações atrasadas

Fonte: infomoney.com.br | Data: 07/10/2026 10:38:38

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O Itaú BBA reforçou recomendação de “compra” para ações brasileiras no contexto da América Latina após o rali com o primeiro turno registrado no “Flávio Day”, com o Ibovespa subindo 7,7% em reais apenas na segunda-feira (5).

O senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou cerca de 2 pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno: 47,03% contra 45,16%. A percepção dos profissionais do mercado era de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável. Flávio é visto como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos para a área não estejam claros, enquanto Lula enfrenta a desconfiança de uma parcela relevante do mercado.

Na visão do Itaú BBA, a precificação do mercado passou a ser compatível com um cenário de ajuste fiscal gradual, com juros reais das NTN-Bs de 6,5% e com o Ibovespa em 206.000 pontos no fechamento de 5 de outubro.

Na análise de sensibilidade dos estrategistas do banco, em um cenário de reformas fiscais mais profundas, o índice poderia alcançar 246 mil pontos, que implica em valuation de preço em relação ao lucro próximo as 11,5 vezes (ante 9,6 vezes atual).

Ainda assim, a relação entre risco e retorno ficou menos atrativa, com uma razão de 0,8 vez entre o cenário mais otimista e o mais pessimista.

Os estrategistas do banco, em exercício de sensibilidade, assumiram a possibilidade de quatro cenários fiscais: manutenção da tendência atual de gastos, arcabouço atual, reformas 2 e reformas 1. Esses cenários implicam juros reais entre 8,5% no cenário mais negativo e 5% no mais positivo, ante cerca de 6,5/7% atualmente. Mantidas as demais condições constantes, o múltiplo preço em relação ao lucro (P/L) poderia variar de 7,3 vezes a 11,5 vezes.

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Historicamente, o P/L do Ibovespa variou de 6,5 vezes em 2022 até 14 vezes entre 2019 e 2020, antes da pandemia.

“Entre as classes de ativos, o mercado de renda fixa parece precificar um cenário mais favorável do que ações, quando comparamos as taxas de títulos locais indexados ao IPCA e dos títulos da inflação dos EUA (TIPS)”, avalia.

Ações atrasadas?

Na visão do BBA, apesar da alta do Ibovespa em outubro, algumas empresas com fundamentos sólidos e valuations atrativos ainda estão com performance acumulada no ano abaixo do Ibovespa e podem ter espaço para recuperação.

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O banco destaca Equatorial (EQTL3), Rede D’Or (RDOR3), Localiza (RENT3) e Sabesp (SBSP3) neste cenário de “atrasadas”, apontando que elas também fazem parte da carteira recomendada do banco.

Além disso, ressalta que, no pregão da última segunda-feira, a contribuição do setor financeiro representou 48,1% dos pontos ganhos pelo Ibovespa no dia; seguido por utilities, com 20%; e energia, com 13,8%, com o total de 82% da contribuição positiva do índice.

O setor de materiais básicos foi o único com impacto negativo. As ações com maior contribuição foram: Itaú PN (ITUB4), B3 ON (B3SA3), Petrobras PN (PETR4), BTG Pactual PN (BPAC11) e Bradesco PN (BBDC4), que responderam por 46% dos pontos ganhos do índice.

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Em sentido contrário, ficaram as empresas ligadas a minério de ferro, celulose e aço, como Vale ON (VALE3), Embraer ON (EMBJ3), Suzano ON (SUZB3) e Gerdau PN (GGBR4), o que indica uma rotação dos investidores para setores domésticos.

Olhando para frente, em um cenário doméstico mais favorável, mas ainda desafiador globalmente, o BBA aponta preferir uma estratégia equilibrada entre teses de dividendos, bond proxies (ações que possuem comportamento parecido a títulos), companhias domésticas de qualidade e empresas com receitas em dólar.

“Preferimos empresas mais sensíveis aos juros ante crescimento econômico, especialmente infraestrutura e utilidades públicas. As empresas de energia e saneamento (utilities) seguem como principais escolhas dentro da estratégia de bond proxies, com combinação de ativos de qualidade com taxas internas de retorno reais entre 10% e 12%”, avalia.

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O BBA também avalia gostar de ações de shopping centers, que possuem a maior sensibilidade à queda dos juros. No grupo das companhias cíclicas de qualidade, destaca instituições financeiras e setor imobiliário. Já o setor de saúde continua atrativo devido às oportunidades de reinvestimento.

Como o mercado precifica o cenário do Brasil?

Na visão do BBA, a renda fixa foi o mercado que mais rapidamente passou a refletir uma melhora de cenário. O indicador que acompanha o diferencial de juros reais de 10 anos entre Brasil e EUA avançou para 73,6%, de 20% a 40% em 2025.

Já as ações apenas passaram levemente para o terreno positivo, com o indicador chegando a 52,6%, sugerindo uma mudança ainda moderada na percepção do mercado.

O câmbio permaneceu próximo da neutralidade, com o real mais influenciado por fatores externos, como diferencial de juros, commodities e liquidez global. O movimento recente sugere convergência de expectativas, mas a principal sinalização de melhora continua vindo dos juros.

Potenciais fluxos para a Bolsa

Em um exercício de sensibilidade, o BBA assumiu que investidores estrangeiros e locais voltem às suas médias históricas de alocação, o potencial de entrada de recursos pra a bolsa brasileira seria de R$ 270,2 bilhões.

Desse total, 45% viriam de estrangeiros e 55% dos locais. Os estrangeiros tendem a iniciar esse movimento, enquanto os investidores domésticos podem aumentar sua participação à medida que os juros caiam.

Cada aumento de 1 ponto percentual na participação do Brasil no índice MSCI Emerging Markets poderia gerar R$ 79,3 bilhões em entradas. Um retorno ao peso histórico médio de 5,6%, ante 4% atualmente, representaria R$ 123 bilhões.

Entre os investidores locais, cada aumento de 1 ponto percentual (p.p.) na alocação em ações representaria R$ 113,2 bilhões adicionais. Atualmente, os fundos de ações representam 7,6% do patrimônio total da indústria.