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Câncer de mama: entre a suspeita, o tratamento e a volta à vida cotidiana

Fonte: bahianoticias.com.br | Data: 07/10/2026 16:12:21

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O câncer de mama ocupa um lugar importante entre os desafios de saúde enfrentados pelas mulheres. As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Na Bahia, são estimados 4.480 novos casos em 2026. No país, o câncer de mama representa cerca de 30% dos novos casos de câncer entre mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma.

Números como esses reforçam a importância do diagnóstico e do tratamento, mas também nos convidam a ampliar a forma como pensamos a doença. A jornada de uma mulher diante do câncer de mama não começa necessariamente no diagnóstico e tampouco termina quando as últimas etapas do tratamento são concluídas. Entre a descoberta de uma alteração, a confirmação da doença, a escolha da terapia e a retomada da vida cotidiana, existe uma trajetória que envolve diferentes necessidades e que precisa ser acompanhada de forma integral.

O cuidado começa antes mesmo de existir uma suspeita. Cada mulher apresenta uma combinação própria de fatores que pode influenciar seu risco de desenvolver câncer de mama. Idade, histórico familiar, alterações genéticas e antecedentes pessoais são elementos que devem ser considerados na avaliação individual. Por isso, não existe uma única estratégia de acompanhamento que possa ser aplicada indistintamente a todas as mulheres.

Também é fundamental diferenciar o rastreamento da investigação de uma alteração suspeita. O rastreamento é direcionado a mulheres sem sinais ou sintomas e deve seguir as recomendações aplicáveis a cada faixa etária e perfil de risco. Já diante de uma alteração identificada na mama, é necessário realizar uma investigação adequada e oportuna. A presença de um nódulo ou outra alteração, por si só, não significa que exista câncer. Exames de imagem e, quando indicada, a biópsia são ferramentas que permitem esclarecer a natureza da alteração.

Quando o diagnóstico de câncer de mama é confirmado, começa uma nova etapa: compreender qual é o câncer daquela paciente. Atualmente, sabemos que o câncer de mama não é uma doença única. Existem diferentes subtipos, características biológicas e comportamentos clínicos, e essas diferenças influenciam diretamente a escolha do tratamento.

A avaliação de fatores como receptores hormonais, status do HER2, características do tumor e estágio da doença permite construir uma estratégia terapêutica individualizada. Por isso, duas mulheres com o mesmo diagnóstico geral de câncer de mama podem receber tratamentos bastante diferentes. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo são algumas das possibilidades disponíveis, utilizadas de acordo com as características da doença e as necessidades de cada paciente.

Essa individualização representa um dos avanços importantes no tratamento do câncer de mama. O objetivo não é apenas tratar uma doença identificada em uma determinada fase, mas compreender suas características para definir uma abordagem adequada e acompanhar a resposta ao tratamento ao longo do tempo.

Mas existe uma etapa da jornada que ainda precisa receber mais atenção: a vida depois do tratamento.

Concluir a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia ou outras terapias representa um momento de grande importância, mas não significa necessariamente o retorno imediato à vida que existia antes do diagnóstico. O tratamento pode deixar consequências físicas e emocionais que precisam ser acompanhadas. Fadiga, neuropatia, alterações hormonais, questões relacionadas à saúde óssea e cardiovascular, mudanças na sexualidade e aspectos relacionados ao bem-estar emocional podem fazer parte dessa nova fase.

Além disso, existem desafios que não aparecem necessariamente nos exames médicos. Retomar o trabalho, voltar a praticar atividades físicas, reconstruir a relação com o próprio corpo, reorganizar a rotina familiar e recuperar projetos que foram interrompidos durante o tratamento também fazem parte do processo de recuperação.

É nesse ponto que o conceito de cuidado integral ganha significado. A paciente não deve ser compreendida apenas a partir do tumor que foi diagnosticado. Existe uma mulher com uma história, uma rotina, relações, planos, expectativas e necessidades que continuam existindo durante e depois do tratamento.

O Outubro Rosa de 2026 do Grupo HERA — Cuidado Integral da Mama propõe justamente ampliar essa perspectiva a partir do conceito “O câncer de mama faz parte da minha história, mas não é a minha história inteira”. A frase sintetiza uma compreensão importante: o câncer pode representar um capítulo significativo na vida de uma mulher, mas não precisa definir toda a sua trajetória.

Falar sobre câncer de mama, portanto, também significa falar sobre prevenção, avaliação de risco, diagnóstico, tratamento, acompanhamento e qualidade de vida. Significa reconhecer que cada etapa exige atenção específica e que o cuidado não deve se encerrar simplesmente porque uma determinada terapia chegou ao fim.

A medicina avançou de maneira significativa no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama, mas o cuidado precisa acompanhar esses avanços e olhar para além da doença. A mulher que termina seu tratamento continua precisando de acompanhamento, informação e suporte para reconstruir sua rotina e seguir adiante.

O câncer de mama pode fazer parte da história de uma mulher. Mas essa história é muito maior do que o câncer.

*Sérgio Calmon é Mastologista – CRM-BA: 18863.

*Vanessa Dybal é Oncologista e responsável técnica da Clínica AMO – CRM-BA: 15978.

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias