Dia do Nordestino: 10 filmes ambientados no Nordeste para assistir
Fonte: exame.com | Data: 08/10/2026 03:30:44
O “Dia do Nordestino” é comemorado nesta quinta-feira, 8. A data foi instituída pela Câmara Municipal de São Paulo em 2009 como uma forma de celebrar a cultura nordestina e homenagear o centenário de nascimento de Patativa do Assaré, poeta popular e repentista cearense, um dos grandes nomes da literatura nordestina.
Para além dos clássicos do Cinema Novo, movimento que transformou a produção cinematográfica brasileira a partir da década de 1960, o Nordeste serviu de cenário e inspiração para diferentes gerações de cineastas.
Do sertão de Glauber Rocha ao cinema urbano de Recife e Salvador, a região aparece nas telas em obras que exploram questões sociais, políticas e culturais, mas também em histórias de amor, juventude e cotidiano.
Abaixo, a EXAME selecionou dez filmes que ajudam a entender a diversidade do cinema feito e ambientado no Nordeste e que estão disponíveis em plataformas de streaming.
‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, de Glauber Rocha
“Deus e o Diabo na Terra do Sol” foi lançado em 1964 e mudou a história do audiovisual brasileiro. Dirigido por Glauber Rocha, as inovações formais do longa e sua maneira visceral de retratar o sertão baiano consolidaram o Cinema Novo, que havia nascido alguns anos antes com obras como “Rio, 40 Graus”.
A história acompanha Manuel, um vaqueiro que se revolta contra um coronel e passa a seguir o beato Sebastião. Depois, ele se aproxima do cangaceiro Corisco. Entre o messianismo, o cangaço e a violência no sertão, Glauber constrói uma obra marcada por alegorias políticas e por uma linguagem cinematográfica que rompeu com os padrões da produção brasileira da época.
O filme é considerado uma das obras fundamentais do cinema brasileiro e permanece como uma das representações mais radicais do sertão no audiovisual nacional.
Onde assistir: YouTube, gratuitamente.
‘Terra em Transe’, de Glauber Rocha
“Terra em Transe”, também de Glauber Rocha, se passa em Eldorado, uma república fictícia da América Latina. Lançado em 1967, em plena ditadura militar, o filme é uma alegoria política do Brasil e um dos trabalhos mais explicitamente políticos do catálogo de Rocha.
A trama acompanha Paulo Martins, jornalista e poeta que se envolve nas disputas pelo poder entre diferentes grupos políticos. Por meio de uma narrativa fragmentada e alegórica, Glauber discute autoritarismo, populismo, poder e as contradições da política brasileira.
Embora não seja ambientado literalmente no Nordeste, “Terra em Transe” integra a obra de um dos principais cineastas nordestinos da história e dialoga com questões políticas e sociais centrais para a produção de Glauber Rocha.
Onde assistir: YouTube, gratuitamente.
‘Cabra Marcado para Morrer’, de Eduardo Coutinho
“Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho, é um marco no documentário brasileiro. O projeto começou a ser filmado em 1964 como uma obra de ficção sobre o assassinato do líder camponês paraibano João Pedro Teixeira. As filmagens foram interrompidas pelo golpe militar daquele ano.
Dezessete anos depois, Coutinho retomou o projeto e voltou à região para procurar os personagens que haviam participado da produção original. O filme passou a incorporar as imagens feitas em 1964 e os relatos dos próprios participantes, transformando a história de João Pedro e de sua família também em uma reflexão sobre memória, repressão política e as consequências da ditadura.
Onde assistir: Prime Video, via Doc Canal Brasil. Também há versões completas disponíveis no YouTube.
‘Motel Destino’, de Karim Aïnouz
“Motel Destino”, de 2024, é dirigido pelo cearense Karim Aïnouz e se passa no litoral do Nordeste. A trama acompanha Heraldo, um jovem de 21 anos que chega ao motel que dá nome ao filme depois de fugir de um golpe malsucedido. O estabelecimento é administrado por Elias e sua jovem esposa, Dayana, cuja relação com Heraldo altera a dinâmica do lugar.
O longa combina elementos de suspense, erotismo e drama e foi selecionado para a competição pela Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2024.
Onde assistir: Globoplay.
‘Vidas Secas’, de Nelson Pereira dos Santos
O clássico “Vidas Secas”, de 1963, é baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos e acompanha a trajetória de uma família de retirantes pelo sertão nordestino. Dirigido por Nelson Pereira dos Santos, o filme se tornou um dos marcos do Cinema Novo e uma das principais obras do cinema brasileiro.
A fotografia em preto e branco e a economia dos diálogos reforçam a aridez da paisagem e a condição de isolamento dos personagens. Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia atravessam o sertão em busca de condições mínimas de sobrevivência.
Onde assistir: Netflix e Prime Video, via Telecine. Também há cópias completas disponíveis no YouTube.
‘Cidade Baixa’, de Sérgio Machado
Lançado em 2005, “Cidade Baixa” acompanha Deco e Naldinho, dois amigos de infância que vivem em Salvador e trabalham juntos em um barco. A relação entre os dois muda quando conhecem Karinna, uma dançarina de boate interpretada por Alice Braga.
Dirigido pelo baiano Sérgio Machado, o filme combina drama, romance e violência em uma história ambientada nas áreas populares de Salvador. O elenco também conta com Lázaro Ramos e Wagner Moura.
Onde assistir: Netflix.
‘Cine Holliúdy’, de Halder Gomes
“Cine Holliúdy”, de 2012, acompanha Francisgleydisson, dono de um pequeno cinema em uma cidade do interior do Ceará. Com a chegada da televisão à região, ele precisa encontrar uma maneira de manter o público interessado nas sessões.
Dirigido pelo cearense Halder Gomes, o filme é uma comédia que brinca com a relação entre o cinema, a televisão e a cultura popular do interior do estado. A produção também chama atenção pelo uso do dialeto cearense e pela construção de personagens ligados ao cotidiano da região.
Onde assistir: Globoplay.
‘São Bernardo’, de Leon Hirszman
Baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos, “São Bernardo”, de 1972, acompanha Paulo Honório, um homem de origem humilde que se torna proprietário da fazenda São Bernardo, em Alagoas. Depois de ascender socialmente, ele se casa com Madalena, uma professora com quem passa a entrar em conflito.
Dirigido por Leon Hirszman, o filme é uma das principais adaptações da literatura brasileira para o cinema. A trajetória de Paulo Honório serve como ponto de partida para uma história sobre propriedade, poder, desigualdade e relações sociais no interior nordestino.
Onde assistir: Prime Video, via Looke.
‘Baile Perfumado’, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas
“Baile Perfumado”, lançado comercialmente em 1997, é um dos filmes que marcaram a retomada do cinema pernambucano nos anos 1990. Dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas, o longa conta a história real de Benjamin Abrahão, mascate libanês que conseguiu registrar em filme imagens de Lampião e seu bando no sertão.
A produção mistura elementos do cinema de cangaço com uma linguagem contemporânea e uma trilha sonora ligada à cena musical pernambucana dos anos 1990, com nomes como Chico Science e Fred Zero Quatro. O filme ajudou a renovar a representação do sertão no cinema brasileiro e se tornou uma das obras mais importantes do chamado Cinema da Retomada.
Onde assistir: Netflix e Reserva Imovision Amazon Channel.
‘O Céu de Suely’, de Karim Aïnouz
Em “O Céu de Suely”, de 2006, Karim Aïnouz acompanha Hermila, uma jovem de 21 anos que retorna à cidade de Iguatu, no interior do Ceará, com o filho recém-nascido. Ela espera pelo companheiro, Mateus, que ficou em São Paulo e nunca retorna.
Sem perspectivas na cidade e decidida a partir novamente, Hermila adota o nome de Suely e cria um plano para conseguir dinheiro suficiente para deixar o Ceará. O filme trata de abandono, desejo, juventude e da vontade de partir, em uma abordagem intimista do cotidiano no interior nordestino.
A produção foi incluída pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
Onde assistir: Netflix.