Golpe do táxi no Galeão cobrava até R$ 900 para Copacabana
Fonte: povonarua.com.br | Data: 09/10/2026 07:52:53
A Polícia Civil descobriu um esquema criminoso no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, onde falsos operadores e taxistas cobravam até R$ 900 por viagens até Copacabana. O grupo usava botões clandestinos para adulterar o taxímetro.
O valor abusivo representa cerca de sete vezes a tarifa fixada pela Prefeitura do Rio para o trajeto de 22 quilômetros. A fraude também envolvia o pagamento de taxas diárias a traficantes do Morro do Barbante, na Ilha do Governador.
Como funcionava a máfia do taxímetro adulterado no Galeão
A apuração da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial revelou que o esquema começava logo no desembarque de passageiros. Homens conhecidos como jóqueis abordavam turistas desavisados se passando por funcionários credenciados do terminal.
Assim que convenciam a vítima, esses intermediários faziam contato telefônico com motoristas que aguardavam nas imediações. O passageiro era conduzido até um carro que não possuía autorização para operar nas cooperativas oficiais do aeroporto.
Dentro do veículo, o condutor utilizava uma placa eletrônica ligada à fiação do aparelho de medição. O dispositivo era ativado por um comando oculto sob o tapete. A cada acionamento com o pé, pulsos extras eram enviados ao medidor, encarecendo a tarifa em cerca de 20% instantaneamente.
Segundo a investigação conduzida pelo delegado Victor Tuttman, os motoristas pagavam R$ 120 por dia ao Comando Vermelho para ter permissão de estacionar e operar nas ruas próximas. Já os captadores pagavam R$ 50 diários à mesma facção criminosa.
O que a polícia já apurou na operação
Durante a ação no aeroporto, agentes da DRCPIM conduziram 18 captadores para prestar esclarecimentos e apreenderam 17 carros. Os automóveis foram encaminhados para a perícia técnica no Instituto de Criminalística Carlos Éboli, situado na Cidade da Polícia, na Zona Norte.
Os peritos confirmaram a presença do chip adulterador escondido nos veículos apreendidos. A polícia estima que pelo menos 200 veículos possam estar circulando na capital com o mesmo equipamento fraudulento instalado.
Mais de 30 envolvidos prestaram depoimento até o momento. A força-tarefa contou com a participação da Delegacia do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo, que já acumulavam queixas sobre corridas com valores superfaturados.
Como denunciar a cobrança abusiva e o transporte irregular
Quem presenciar a atuação de captadores ilegais ou suspeitar de irregularidades no Galeão pode acionar as autoridades de forma anônima. O Disque Denúncia do Rio funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento sob sigilo absoluto.
Também é possível registrar informes pelo aplicativo oficial do Disque Denúncia RJ ou procurar diretamente o posto da Delegacia do Aeroporto Internacional, localizado no próprio terminal de passageiros na Ilha do Governador.
A Secretaria Municipal de Transportes recebe reclamações sobre condutas de permissionários pela Central de Atendimento 1746, canal que permite fiscalizar veículos da frota municipal.
O que fazer se você for vítima desse golpe
O passageiro que notar saltos bruscos no valor durante a viagem deve manter a calma e evitar confrontos diretos dentro do veículo. A recomendação da polícia é memorizar ou anotar a placa do carro, o modelo e as características físicas do condutor logo no desembarque.
Caso a cobrança indevida se confirme ao final do trajeto, a vítima pode solicitar o recibo ou comprovante de pagamento e procurar imediatamente uma unidade policial. Casos ocorridos no aeroporto podem ser levados à Delegacia Especial de Apoio ao Turismo ou registrados pela internet no portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Para se proteger antes de embarcar, o usuário deve priorizar os guichês internos das cooperativas legalizadas do terminal ou utilizar os serviços tabelados oferecidos pelos totens oficiais do aeroporto.