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Vorcaro afirmou ter liberado R$ 30 milhões para filme de Lula em troca de negócios, diz revista

Fonte: diariodaamazonia.com.br | Data: 09/10/2026 12:06:38

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Relatos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam que ele liberou R$ 30 milhões para um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em troca, ele diz que teria acesso aos cofres dos fundos de pensão de servidores federais.

A informação está em áudio publicado pela Revista Veja nesta sexta-feira (9/10). Segundo as mensagens, Vorcaro teria se articulado com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para combinar um pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto.

Confira trecho do relato:


Os detalhes foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidiu não dar andamento ao caso sob a justificativa de que as informações apresentadas careciam de comprovação material, apontando a ausência de elementos probatórios consistentes acerca dos pagamentos relatados.

Em resposta à Procuradoria, a defesa de Vorcaro teria argumentado que o cliente dispõe de robustos meios de prova. Entre os materiais citados pelos advogados estão capturas de tela e mensagens de WhatsApp, registros de identificação das pessoas responsáveis por retirar o dinheiro em espécie, além de um detalhamento com as rotas e os locais utilizados na operação.

Além dos R$ 30 milhões, ainda segundo a revista, Vorcaro teria dito que Vaccari exigiu uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos de Previdência da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. A divisão seria: R$ 1 bilhão para o PT e R$ 9 bilhões para Vorcaro.

Leia a transcrição de uma parte do áudio de Vorcaro:

“…Banco do Brasil, a gente estruturou isso com ele. O Augusto adianta ali para o Okamoto, Instituto Lula. E aí tem o negócio do Lula. O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio”.

Após a publicação da matéria, a PGR se manifestou por nota e afirmou que não recebeu depoimento oral de Vorcaro. Leia a íntegra:

“A Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que as tratativas de colaboração premiada envolvendo o senhor Daniel Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado, como devido.

Todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma como livremente elaboradas por ela, sem juízo nem recusas prévias. Não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR.

Não houve depoimento oral do sr. Vorcaro, justamente por conta da rejeição da proposta, cujos motivos foram expostos à defesa. A Procuradoria-Geral da República respeita o sigilo que se impõe, por lei, ao procedimento de colaboração premiada havido”.

PT se defende

Em áudio enviado à militância do PT, o presidente do partido, Edinho Silva, rebateu as supostas revelações de Vorcaro. “Ela nunca foi aceita como delação, nem pela Polícia Federal, tampouco pelo Ministério Público. Porque ela é uma declaração claramente com viés político. Portanto ela não tem base material alguma, não tem prova nenhuma”, afirmou.

Segundo ele, as acusações do dono do Banco Master não foram aceitas. “Ele faz acusações levianas, sem provas, contra a campanha de Lula, tentando envolver lideranças na nossa campanha, e claramente protege o Flávio Bolsonaro. O Flávio , tem sim, materialidade”, disse.

A articulação

Segundo a Veja, a aproximação com o PT foi articulada pelo então sócio de Vorcaro e CEO do Master, Augusto Lima, com intermediação do então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O senador foi um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero em junho de 2026, sob suspeita de receber vantagens indevidas e uso de aeronaves do grupo. A Polícia Federal apreendeu dinheiro em espécie em endereços ligados a ele.

Mordidas

Ainda segundo a reportagem, Vorcaro acusa o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, seu secretário-executivo Olavo Noleto e dois operadores vinculados ao grupo de atuarem diretamente em um suposto esquema de corrupção.

Segundo o relato, entre o final de 2023 e o início de 2024, foi estruturada uma equipe interna no Banco Master voltada à captação institucional junto a novos produtos financeiros por meio dos fundos de pensão estatais.

O banqueiro afirma que, com a aproximação junto ao governo federal, passou a receber exigências de propina, descritas por ele como “as mordidas”, solicitadas por políticos e por emissários ligados a eles.

Diante disso, o Banco Master teria intensificado a movimentação comercial ao longo do primeiro semestre de 2024 para negociar diretamente com os presidentes das entidades de Previdência.

Nesse processo de aproximação, um novo personagem surge na articulação: um operador identificado como “Júlio”, apontado como emissário com livre trânsito e acesso facilitado ao gabinete de Padilha no Palácio do Planalto, que teria atuado como intermediário nos contatos com os dirigentes dos fundos de pensão.







Encontros

O documentário sobre Lula seria produzido no exterior, com depoimentos de aliados do presidente, como o advogado Walfrido Warde. Haveria ainda outro valor, não detalhado, pago diretamente à instituição.

A PGR, no entanto, teria recusado a proposta que envolveria Lula alegando “falta de provas”, pois os pagamentos teriam sido feitos em espécie.

Dark Horse

O dono do Master também financiou o filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em Segundo a investigação, o banqueiro enviou R$ 61 milhões para a obra.

Um áudio divulgado pelo site The Intercept, que seria de 8 de setembro de 2025, mostra o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando os pagamentos de Vorcaro para o projeto.

A defesa

Procurado pelo Metrópoles, o advogado Daniel Bialski, que atualmente representa o banqueiro, afirmou que não há depoimentos recentes de Vorcaro sobre esse assunto.

“Não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração e, o que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal discorrendo sobre isso”, disse.

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