Data centers estão dispostos a pagar 200 euros por MWh na Europa | eixos
Fonte: eixos.com.br | Data: 09/10/2026 14:04:53
A disposição de data centers para pagar por energia está muito alta e os projetos conseguem manter bons retornos financeiros mesmo quando as negociações na Europa chegam aos 200 euros por megawatt-hora (MWh), segundo cálculos do banco de investimentos SB1 Markets.
“Essa demanda é real”, disse o vice-presidente do SB1 Markets, Alexander Askling, em participação no evento Green Power Sweden, em Estocolmo, esta semana.
Askling apontou que o consumo de energia por esses projetos pode elevar a demanda elétrica apenas na Suécia em 25% nos próximos anos.
A Aurora Energy Research estima que o consumo adicional no país devido ao aumento do processamento de dados chegará a 10 terawatt-hora até 2030.
“Mas se eu apresentar um cenário semelhante para a Finlândia ou a Noruega, essa tendência está ainda mais acentuada”, disse o chefe de pesquisa para países nórdicos e bálticos da Aurora, Alexander Esser, durante o evento.
Investimento bilionário do Google
Até o momento, um dos países da região que tem sido mais bem sucedido na atração desses investimentos é a Finlândia.
Em setembro, o Google anunciou que o país nórdico será o destino do maior investimento individual da empresa na Europa, com 13 bilhões de euros para a construção de quatro data centers e infraestruturas relacionadas entre 2027 e 2028.
Em paralelo, o Google assinou um contrato de compra de energia (PPA, na sigla em inglês) com a finlandesa Fortum para aquisição de metade da capacidade de geração da usina nuclear de Loviisa.
O acordo tem duração de 22 anos e vai permitir a extensão da vida útil da usina nuclear até o fim da licença de operação em 2050.
Segundo a Fortum, a planta é responsável por 10% de todo o suprimento de energia finlandês e, sem esse contrato, precisaria ter a vida útil encerrada em 2030.
As companhias também assinaram um memorando de entendimento para desenvolver novos projetos de geração nuclear, renováveis, soluções de flexibilidade e serviços de gestão do portfólio de energia.
Parte do acordo envolve o desenvolvimento de um projeto de 94 megawatts (MW) para armazenamento de energia em baterias, que ficará adjacente a um dos data centers do Google no país.
“O próximo passo é explorar como nuclear, renováveis, flexibilidade, como baterias e hidrelétricas reversíveis, além de tecnologias digitais, podem trabalhar juntar para atender à crescente demanda por energia de uma forma competitiva e sustentável”, disse em nota o CEO da Fortum, Markus Rauramo.
O alto crescimento na demanda para processamento de dados é um desafio em um continente que também busca ampliar a eletrificação em diversas áreas para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
A meta atual da União Europeia é eletrificar 47% de todo o consumo energético até 2040, mas executivos já apontam que isso concorre com o aumento do consumo de energia para o processamento de dados.
“Como criamos um ecossistema atrativo para que os data centers sejam instalados onde há excesso de geração de energia?”, questionou a diretora de Desenvolvimento Corporativo da companhia de telecomunicações Telenor ASA, Inger Folkeson, durante o Offshore Northern Seas (ONS) na Noruega em agosto.