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PF diz que Ibaneis participou de reunião na Suíça sobre compra do Master

Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 10/10/2026 10:33:44

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A Polícia Federal revelou que a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi discutida em reunião em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025, com a presença do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), do empresário Daniel Vorcaro e do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. As informações constam em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo os investigadores, as negociações começaram a ser preparadas em outubro de 2024, quando o BRB colocou ações no mercado para captar até R$ 1 bilhão e ampliar seu capital. Para a PF, a operação fazia parte dos preparativos para uma possível aquisição do Banco Master.

Em 20 de janeiro de 2025, Paulo Henrique informou a Vorcaro que Ibaneis havia solicitado uma reunião. Três dias depois, os três se encontraram em Zurique, acompanhados de uma quarta pessoa identificada no relatório apenas como Leonardo. No dia 26 de janeiro, Vorcaro voltou a procurar Paulo Henrique para tratar da negociação, mencionando um questionamento feito pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Além das mensagens, a investigação identificou movimentações financeiras entre as duas instituições. Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB adquiriu R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master. Relatórios anteriores já haviam apontado que o valor das operações chegou a R$ 16,7 bilhões ao longo de aproximadamente um ano.

A PF aponta que Ibaneis teria participado de articulações com empresários, da definição de estratégias para a expansão do BRB e da autorização de valores relacionados ao aumento de capital do banco. “As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança”, afirma o relatório.

A investigação também envolve a participação indireta do Banco Master na estrutura acionária do BRB, por meio dos fundos Borneo, Verbier e Delta. A suspeita é que essas estruturas tenham sido usadas para esconder quem se beneficiava das operações. A PF classificou a situação como possível caso de “captura institucional”.

Em nota, a defesa de Ibaneis afirmou que o ex-governador não pressionou dirigentes do BRB nem interferiu nas negociações. Os advogados sustentam que Paulo Henrique Costa tinha autonomia para conduzir as operações e que os contatos foram institucionais. A defesa argumenta ainda que Ibaneis não é interlocutor direto em nenhuma mensagem com Vorcaro.