As escolhas que importam
Fonte: tribunadonorte.com.br | Data: 10/10/2026 14:08:01
Redação Tribuna do Norte
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14h00

Brasil e Rio Grande do Norte entram na fase decisiva da campanha eleitoral. Em poucas semanas, os eleitores escolherão o próximo presidente da República e o próximo governador do Estado. A reta final da campanha é o momento de discutir o equilíbrio das contas públicas, a atração de investimentos, a geração de empregos e a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento, fatores que efetivamente determinarão a capacidade de crescimento do país e do RN nos próximos anos.
No plano nacional, a preocupação é conhecida. O avanço da dívida pública, a dificuldade de controlar os gastos e as incertezas fiscais ajudam a manter os juros em patamares elevados. O resultado dessa combinação é sentido por toda a sociedade. O crédito fica mais caro para famílias e empresas, investimentos são adiados, a atividade econômica perde dinamismo e as oportunidades de emprego tornam-se mais escassas.
No Rio Grande do Norte, os desafios são igualmente evidentes. O Estado enfrenta há anos um quadro de rigidez fiscal que reduz sua capacidade de investir e compromete sua competitividade. Enquanto as despesas obrigatórias crescem continuamente, especialmente com pessoal e previdência, sobra cada vez menos espaço para infraestrutura, logística, inovação, segurança e políticas voltadas ao crescimento econômico.
O cenário é ainda mais preocupante porque potencial não falta. O Rio Grande do Norte lidera a geração de energia eólica, desponta como candidato a protagonista na cadeia do hidrogênio verde, possui vocação turística consolidada e reúne oportunidades nos setores mineral, agropecuário e tecnológico. O problema está na dificuldade histórica de transformar essas vantagens em prosperidade duradoura para a população.
É nesse ponto que o debate eleitoral deveria se concentrar. O RN precisa ampliar sua capacidade de investimento, modernizar sua infraestrutura e recuperar sua competitividade. Para isso, será necessário avançar em soluções que já demonstraram resultados em diversas partes do país e do mundo, como concessões, parcerias público-privadas, desburocratização, segurança jurídica e políticas de estímulo ao empreendedorismo.
Também é fundamental tirar do papel projetos estruturantes que se arrastam há anos. A duplicação da BR-304, a modernização da infraestrutura portuária, a viabilização de um porto-indústria em Caiçara do Norte, a expansão da conectividade digital e a preparação, em parceria com o Sistema S, da mão de obra para a nova economia não podem permanecer apenas como promessas renovadas a cada eleição.
Ao chegar à cabine de votação, o eleitor potiguar deve se fazer algumas perguntas simples. Quem apresenta um caminho mais consistente para enfrentar a crise fiscal do Estado? Quem compreende que não haverá desenvolvimento sem investimento? Quem entende que a atividade privada não é adversária do poder público, mas parceira indispensável na geração de riqueza, emprego e renda? E quem demonstra maior capacidade de transformar potencial em resultados concretos?
Nos próximos 15 dias, os potiguares terão a oportunidade de analisar com mais atenção as propostas apresentadas pelos candidatos, comparar projetos e avaliar quem demonstra maior capacidade de enfrentar os desafios fiscais que limitam o crescimento do Estado e do país. Vale observar quais caminhos são apontados para ampliar investimentos, estimular a atividade econômica, modernizar a infraestrutura e criar oportunidades para as futuras gerações.
Porque não existe política pública sem recursos. Não existe arrecadação sem atividade econômica. E não existe desenvolvimento duradouro sem investimento. O futuro do Rio Grande do Norte depende da capacidade de compreender essa equação simples e escolher, nas urnas, o projeto que apresente as condições mais consistentes para transformar potencial em prosperidade, oportunidades em empregos e crescimento econômico em qualidade de vida para a população.