Fachin discute com PF destino de informações do caso Banco Master
Fonte: lirasdaliberdade.com.br | Data: 13/10/2026 18:34:21
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, reúne-se nesta terça-feira (13) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para discutir o encaminhamento de informações sobre ministros citados no caso Banco Master. O encontro ocorre em meio a divergências internas sobre o destino do material, o momento adequado para novas providências e a necessidade de tratamento uniforme entre os integrantes da Corte.
Interlocutores dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça defendem que os elementos relativos a todos os citados sejam enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR). A proposta permitiria que o órgão analisasse o conjunto das informações antes de eventuais novas decisões do Supremo.
O calendário é um dos principais pontos de tensão. Ministros próximos a Moraes sustentam que novos avanços devem aguardar o encerramento das eleições e afirmam que a Presidência do STF precisa conhecer as referências individualizadas a cada integrante da Corte para garantir critérios iguais de avaliação.
A Polícia Federal trabalhou nas últimas semanas para separar e detalhar as menções encontradas durante a investigação. O material reúne referências, em diferentes contextos, a pelo menos seis dos dez ministros do Supremo ou a familiares deles, além de citações a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A presença de um nome nos registros, isoladamente, não comprova a prática de irregularidades. Os ministros e familiares mencionados negam envolvimento indevido ou irregularidades relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do caso.
Rodrigues solicitou a reunião com Fachin. Ao confirmar o encontro, o presidente do STF requisitou à PF os elementos individualizados e afirmou, em ofício, que nenhuma pessoa ou fato deveria ser excluído da apuração.
Para a Polícia Federal, a conversa pode ajudar a esclarecer divergências com o tribunal e criar condições para a continuidade das investigações. Na Presidência do Supremo, o encontro também é visto como uma tentativa de organizar o tratamento institucional das informações em um ambiente de divisão entre ministros.
A possibilidade de remeter o material à PGR envolve ainda uma ressalva política e institucional. Aliados de Moraes e Mendonça defendem que o encaminhamento seja associado à Procuradoria como órgão, e não pessoalmente ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado no caso.
Gonet teve rejeitado pelo Conselho Superior do Ministério Público um pedido de apuração relacionado às menções. Para os defensores da análise pela PGR, a avaliação institucional poderia dar respaldo às decisões do Supremo e abrir espaço para novas negociações internas, embora um acordo entre os grupos ainda seja considerado difícil.
O ambiente entre os ministros melhorou depois do primeiro turno das eleições, mas persistem afastamentos. Moraes e Mendonça continuam sem conversar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques, segundo o relato sobre as articulações internas.
As informações reunidas no caso têm naturezas distintas. Entre elas estão a contratação do escritório da mulher de Moraes pelo Banco Master e mensagens nas quais, conforme a PF, o ministro aparece como interlocutor de Vorcaro, inclusive em comunicações registradas no dia da prisão do banqueiro.
Também foram mencionados negócios envolvendo fundos do banco e a sociedade de um resort ligado à família de Dias Toffoli, no Paraná. Toffoli deixou a relatoria do caso e declarou-se suspeito para analisar questões da investigação na Segunda Turma do Supremo.
Outros registros citam Nunes Marques e seu filho em assuntos relacionados a contratações, além de um suposto pedido de ajuda em processo envolvendo o filho de Luiz Fux. Sobre Mendonça, aparecem referências a encontros, uma fotografia com advogado de Vorcaro e um pedido de investigação sobre possível relação do banco com o Instituto Iter, ligado ao ministro.
Quanto a Gilmar Mendes, o material menciona a contratação de seu ex-cunhado, Chiquinho Feitosa, pelo banqueiro, além de uma reunião e de tentativas de aproximação. A reunião entre Fachin e Rodrigues deve concentrar-se no destino institucional desse conjunto de informações, sem decisão anunciada sobre o eventual envio à PGR.