Brasil poderá ter 2ª energia solar mais barata do mundo em 2035
Fonte: portalin.com.br | Data: 17/10/2026 10:03:55
Estudo projeta custo de US$ 41 por MWh para geração combinada com baterias, colocando o país atrás apenas da China
O Brasil poderá alcançar, até 2035, o segundo menor custo de geração de energia solar firme entre os mercados analisados pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). A projeção é de aproximadamente US$ 41 por megawatt-hora (MWh), considerando a combinação de painéis fotovoltaicos com sistemas de armazenamento em baterias. O resultado coloca o país empatado com Omã e atrás apenas da China, onde o custo estimado é de US$ 33 por MWh.
Os dados foram divulgados nessa sexta-feira (16) pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), com base no estudo 24/7 Renewables: The Economics of Firm Solar and Wind. O levantamento considera sistemas com confiabilidade de 95%, capazes de oferecer eletricidade de maneira mais previsível, mesmo nos períodos de menor incidência solar.
Na comparação internacional, a Índia apresenta custo projetado de US$ 47 por MWh, enquanto Austrália e África do Sul aparecem com aproximadamente US$ 50. Nos Estados Unidos, a estimativa chega a US$ 59 por MWh, o maior valor entre os países avaliados.
Preço das baterias
Um dos principais fatores para a redução dos custos é o avanço tecnológico dos sistemas de armazenamento. Segundo a Irena, o custo global das baterias caiu 93% entre 2010 e 2024, passando de US$ 2.634 para US$ 197 por quilowatt-hora (kWh).
A tendência de queda deverá continuar nos próximos anos. Em localidades com condições favoráveis de irradiação solar, o custo da energia firme, estimado entre US$ 65 e US$ 82 por MWh em 2025, poderá recuar para valores entre US$ 37 e US$ 58 até 2035.
No Brasil, uma área de elevada incidência solar na Bahia apresenta custo estimado de US$ 65 por MWh em 2025, com previsão de redução para US$ 44 em 2030.
O cálculo utiliza o indicador conhecido como custo nivelado de energia firme (Firm LCOE), que considera as despesas de geração e armazenamento necessárias para garantir determinado nível de disponibilidade. Os resultados variam conforme as condições de cada localidade e as características dos projetos, não representando uma média nacional.
Novos setores da economia
Para a Absolar, a integração entre energia solar e armazenamento poderá ampliar a participação das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. A utilização de baterias permite reservar parte da eletricidade produzida durante o dia para consumo nos horários de maior demanda, reduzindo a necessidade de recorrer a outras fontes de geração.
A tecnologia também pode contribuir para o atendimento de atividades que exigem fornecimento contínuo de energia, como centros de processamento de dados, produção de hidrogênio verde e indústrias com elevado consumo de eletricidade.
O presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, avalia que a redução dos custos de armazenamento cria condições favoráveis para o Brasil ampliar a oferta de energia renovável com maior estabilidade e competitividade.
Na China, a combinação de geração solar e baterias já apresenta custos inferiores aos da produção de eletricidade a partir de carvão e gás natural, segundo a Irena. A expectativa é que outros mercados avancem nessa direção à medida que os equipamentos de armazenamento se tornem mais acessíveis.
Embora as projeções indiquem vantagens competitivas para o Brasil, a expansão dessa modalidade dependerá de investimentos, infraestrutura de transmissão e condições regulatórias adequadas. O avanço poderá representar uma nova etapa para o setor elétrico, com maior capacidade de conciliar preços competitivos, segurança no fornecimento e redução das emissões de carbono.