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Como foi o primeiro debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band

Fonte: diariodopara.com.br | Data: 18/10/2026 23:03:36

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O primeiro debate do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite deste domingo (18), nos estúdios do Grupo Bandeirantes, foi marcado por divergências sobre segurança pública, economia, saúde e políticas sociais. A uma semana da votação, marcada para 25 de outubro, os candidatos trocaram críticas e apresentaram propostas para tentar conquistar o eleitorado.

O confronto ocorreu em meio a uma disputa apertada nas pesquisas. Levantamento do Datafolha divulgado em 15 de outubro apontou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Nesse cenário, o debate se tornou uma oportunidade para os dois candidatos defenderem suas propostas, questionarem o adversário e buscarem o apoio dos eleitores indecisos.

Segurança pública abre confronto entre candidatos

A segurança pública esteve entre os principais temas do debate. Flávio Bolsonaro defendeu uma política de enfrentamento mais rígida às organizações criminosas, com a classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e milícias como grupos narcoterroristas. O candidato também propôs recuperar territórios dominados por essas organizações e ampliar as penas para lideranças criminosas.

Veja imagens do debate na Band

Lula, por sua vez, defendeu a atuação conjunta dos governos federal, estaduais e municipais no combate ao crime organizado. O presidente citou a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que busca ampliar a integração entre as forças de segurança e fortalecer a participação da União no enfrentamento à violência.

As propostas evidenciaram diferenças na estratégia apresentada pelos candidatos: enquanto Flávio enfatizou o endurecimento penal e o enfrentamento às facções, Lula destacou a coordenação entre os entes federativos e o fortalecimento das políticas públicas de segurança.

Economia e dívida pública entram na disputa

A situação econômica também provocou divergências. Lula defendeu o crescimento por meio da geração de renda, do estímulo ao consumo e do apoio aos microempreendedores individuais (MEIs). O candidato ainda mencionou investimentos em setores como economia digital, verde e criativa.

Flávio Bolsonaro criticou o aumento dos preços dos alimentos e atribuiu o crescimento da dívida pública aos gastos do governo federal. Como alternativa, prometeu controlar as despesas públicas, reduzir o endividamento e adotar medidas para ajudar as famílias que enfrentam dificuldades financeiras.

Os dois também trocaram acusações relacionadas à corrupção e ao financiamento de campanhas. O confronto colocou em evidência duas linhas de discurso econômico: a defesa de políticas de estímulo à atividade e à renda, por Lula, e a promessa de ajuste das contas públicas, por Flávio.

Saúde pública e propostas para o SUS

Na discussão sobre saúde, Flávio Bolsonaro defendeu a criação de um prontuário eletrônico integrado pelo Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), além do uso de telemedicina, inteligência artificial e outras ferramentas tecnológicas para agilizar consultas, exames e procedimentos.

O candidato também citou o chamado “padrão Einstein” como referência para melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e indicou o médico Claudio Luiz Lottenberg para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo.

Lula criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro e questionou as propostas do adversário para o sistema público. O presidente defendeu a recuperação da estrutura do SUS e a escolha de gestores com experiência na área.

As filas para consultas, exames e cirurgias permaneceram no centro da discussão, assim como o desafio de ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.

Maioridade penal e saída temporária de presos

As políticas de segurança também envolveram propostas relacionadas ao sistema penal. Flávio Bolsonaro defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos na maioria dos crimes e para 14 anos em determinadas infrações graves, além de medidas mais rígidas contra criminosos, incluindo a castração química de estupradores.

Lula abordou a redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos e defendeu a saída temporária de presos como instrumento de ressocialização, com restrições para condenados por crimes violentos.

O tema expôs diferenças sobre a forma de enfrentar a criminalidade, a aplicação das penas e o papel das medidas de ressocialização no sistema prisional.

A política externa entrou no debate quando Lula questionou a posição de Flávio Bolsonaro em relação aos Estados Unidos e levantou preocupações sobre a exploração das terras raras brasileiras por empresas estrangeiras.

Flávio negou que pretendesse entregar recursos nacionais aos americanos e defendeu a cooperação entre países das Américas.

A discussão ampliou o confronto para além dos temas domésticos e colocou em pauta a relação do Brasil com outras potências e o controle sobre recursos estratégicos.

Uma semana decisiva até o segundo turno

O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro reuniu temas que devem pesar na decisão dos eleitores até a votação de 25 de outubro. Segurança pública, custo de vida, dívida pública, atendimento no SUS e endurecimento das leis penais estiveram entre os principais pontos de divergência.

Com a disputa acirrada apontada pela pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro, o desempenho dos candidatos pode repercutir na reta final da campanha. O resultado eleitoral, porém, dependerá do conjunto da disputa e das escolhas dos eleitores nas urnas.

Principais temas do debate

  • Segurança pública: combate às facções e integração das forças de segurança.
  • Economia: gastos públicos, dívida e custo de vida.
  • Saúde: tecnologia, filas e atendimento pelo SUS.
  • Sistema penal: maioridade penal, penas e saída temporária.
  • Política externa: relação com os Estados Unidos e exploração de terras raras.