Lula diz que ‘não protege filho’ como Jair Bolsonaro, desafia Flávio a abrir conta bancária e cita casos Master e Ana Clara
Fonte: operamundi.uol.com.br | Data: 19/10/2026 02:24:59
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou neste domingo (18/10) o ex-mandatário Jair Bolsonaro, atualmente preso por tentativa de golpe, ao responder às provocações do seu adversário, senador Flávio Bolsonaro (PL), sobre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva. “Eu não sou pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai. Não escondo nem mudo diretor da Polícia Federal nem mando ministro embora”, respondeu o presidente após Flávio alegar que o filho do petista teria “fugido” do país.
Lula também mencionou o irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025 e é peça-chave no lobby com o governo de Donald Trump. “O que vocês estão fazendo é tramar contra o país, seu irmão está fugido nos Estados Unidos”, declarou o mandatário.
Ao longo do debate veiculado pela TV Bandeirantes, Flávio evitou responder aos questionamentos lançados pelo petista. Pelo contrário, passou as duas horas do confronto citando a lobista Roberta Luchsinger, investigada pela PF por suposto tráfico de influência, que no dia anterior havia lançado uma enxurrada de acusações contra o presidente na CNN Brasil. “Ela é parceira do seu filho. Onde está Lulinha?” disse o senador.
Por sua vez, Lula seguiu respondendo que o caso está sendo conduzido pela PF, que seu filho abriu suas contas bancárias e seu telefone para os investigadores.
Contra Flávio, o mandatário citou o caso do Banco Master, considerado o maior escândalo financeiro do Brasil. O petista insistiu, durante todo o bloco, em questionar no que o seu adversário havia gastado com os R$ 134 milhões oferecidos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
“Você tem que explicar 134 milhões do Vorcaro, que você disse que não pegou e pegou, disse que foi para o fundo e não foi”, afirmou o petista. “O que que você fez com 134 milhões?”.
Sobre Vorcaro, Lula ainda destacou que o governo Bolsonaro fez dele um banqueiro, mas que acabou preso em sua gestão. “Vocês fizeram ele um banqueiro e eu fiz ele um prisioneiro”, disse.
O petista ainda propôs entregar os dados financeiros à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF) antes do pleito em 25 de outubro para que os eleitores pudessem ter acesso aos dados do patrimônio de cada um. “Flávio, aqui muito se falou de corrupção. Eu vou fazer uma proposta para você. Eu desafio você. Amanhã, abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Para que o povo saiba quem é ladrão”, afirmou.
‘Modelo de Milei’
No programa, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o mandatário argentino Javier Milei e se o candidato do PL segue indo atrás do “modelo de Milei”.
“Você tem acompanhado como está a Argentina?”, perguntou o petista. “Você continua dizendo que o teu modelo é o modelo do Milei?”
“Eu só quero saber se você vai seguir este modelo. A tua mulher da economia fala que o Milei é o modelo, a motosserra do Milei. Você sabe quanto é que está a pobreza da Argentina? O desemprego? Você tem acompanhado a economia da Argentina? Se não, leia, pra você nunca mais dizer que vai acompanhar o Milei”, acrescentou.
De acordo com dados recentes do Indec, o instituto de estatísticas argentino, 32,3% da população está abaixo da linha da pobreza na primeira metade deste ano, considerando 31 aglomerados urbanos. Ou seja, tratou-se de um aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025. Já a taxa de desemprego atingiu o patamar elevado de 7,9%. Entre 2023 e meados de 2026, a Argentina eliminou cerca de 245 mil postos de trabalho formais e com carteira assinada.
Vale lembrar que Milei está engajado com Flávio desde o início de sua campanha eleitoral. No lançamento da candidatura do senado para a Presidência, o mandatário argentino foi convidado especial do evento e até os dias atuais lhe segue manifestando apoio por meio das redes sociais.
Desde que assumiu em 2023, o presidente da Argentina vem implementando uma agenda ultraliberal que impôs um severo corte social, eliminou diversos ministérios, cortou programas sociais e escolheu setores da população como alvos dos ajustes econômicos. Entre os afetados estão os aposentados, já que o setor previdenciário respondeu por grande parte do ajuste fiscal, com cerca de 19,2% da redução de gastos do Estado. Houve o fim de moratórias previdenciárias, que fez o número de aposentados despencar 53% desde 2024, além do congelamento do bônus em 70 mil pesos.
Já os repasses a programas sociais, principalmente à AUH (Asignación Universal por Hijo, considerado o Bolsa Família argentino), sofreram uma redução real de 45,6%. As universidades públicas também foram atingidas, com cortes de 27,9%. Além disso, houve cortes de 40% nos subsídios ao transporte e de 34% no setor elétrico, o que provocou aumentos expressivos nas tarifas, com aumentos de mais de 100%.

Caso Ana Clara
No assunto das milícias do Rio de Janeiro, Lula recordou a menina Ana Clara Machado, que foi assassinada aos cinco anos pelo policial Bruno Dias Delaroli, defendido por Flávio na época, em 2021. O presidente chamou seu rival de “miliciano”.
O candidato do PL alegou que 73% das pessoas privadas de liberdade votaram no PT, no entanto, um número enganoso porque corresponde às seções eleitorais onde as prisões operam, cujos eleitores não se limitam à população carcerária. “Quero o voto de 100% dos prisioneiros, incluindo o do seu pai”, rebateu o líder do PT.
Por fim, Flávio, alinhado aos Estados Unidos, prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo” a partir do próximo ano e manter os criminosos “até 80 anos de prisão”, enquanto Lula prometeu enfrentar as milícias e defendeu sua reforma.
Lula também abordou sobre a PEC do fim da escala 6×1, recentemente aprovada pelo Senado e promulgada no Congresso. A emenda constitucional garante dois dias de folga por semana e reduz o limite de 44 para 40 horas sem redução salarial, e Flávio, que sempre resistiu, acabou voltando atrás e votou a favor junto com o restante da direita. Quando o presidente exigiu que ele confirmasse diante das câmeras se manteria a medida, o senador evitou responder.
Na reta final da campanha, Lula e Flávio Bolsonaro estão em um empate técnico, de acordo com uma nova pesquisa da CNT/MDA (Confederação Nacional do Transporte e pesquisadora Instituto MDA Pesquisa) divulgada esta semana. A pesquisa mostra o senador com 46,8% das intenções de voto, contra 45,9% do atual presidente. Ao calcular votos válidos, ou seja, excluindo votos em branco, nulos e indecisos, Bolsonaro lidera Lula por 50,5% a 49,5%. O levantamento, que foi realizado entre 13 e 15 de outubro, é o primeiro publicado pela CNT/MDA depois de 4 de outubro, quando Flávio liderou com 47,03% contra 45,16% de Lula.
(*) Com Brasil de Fato e Telesur
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