Confronto foi transmitido por pool de emissora se teve discussões sobre corrupção, saúde e economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações e apresentaram propostas para diferentes áreas do governo durante o debate presidencial realizado pela Band, na noite deste domingo (18). O encontro foi transmitido pela CATVE, afiliada da TV Cultura, e reuniu discussões sobre investigações envolvendo familiares, o Banco Master, saúde, economia e segurança pública.

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A uma semana do segundo turno das eleições, os candidatos protagonizaram momentos de tensão, com ataques pessoais e questionamentos sobre pessoas próximas às duas famílias. As propostas de governo também foram discutidas, principalmente nas áreas de saúde e renegociação de dívidas.

O debate foi realizado nos estúdios da Band, com mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. A transmissão ocorreu em conjunto pela TV Cultura, Band, Estadão, Gazeta e Jovem Pan.

A cobertura da TV Cultura começou às 19h30, com o programa De Olho no Voto, apresentado pelo jornalista Rodrigo Piscitelli. O programa recebeu o economista Maurício Moura, fundador do Instituto de Pesquisa Ideia, e o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), para analisar o cenário eleitoral e as expectativas para o confronto.

INSS e familiares foram alvo de acusações

Um dos principais assuntos do debate foi a investigação sobre descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a relação dele com Roberta Luchsinger, citada nas investigações.

O senador também questionou a permanência de Lulinha na Espanha e cobrou explicações sobre a atuação da Polícia Federal.

Lula respondeu que o caso deveria ser conduzido pela Polícia Federal e afirmou que eventuais irregularidades envolvendo familiares precisavam ser investigadas. O presidente também responsabilizou a gestão de Jair Bolsonaro por falhas no combate aos descontos indevidos e defendeu o ressarcimento dos aposentados prejudicados.

Flávio contestou as declarações e atribuiu a expansão das cobranças a mudanças legais apoiadas pelo PT.

As acusações apresentadas durante o debate não comprovaram, por si só, a participação de Lulinha em crimes.

Banco Master também gerou confronto

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi outro personagem citado pelos candidatos. Lula questionou Flávio sobre R$ 134 milhões associados ao financiamento de uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.

Flávio, por sua vez, questionou supostos repasses relacionados ao Instituto Lula. As acusações elevaram o tom do confronto, com provocações e críticas pessoais entre os candidatos.

Lula também criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos. Flávio respondeu acusando o presidente de proteger familiares.

Candidatos apresentaram propostas para o SUS

Na área da saúde, Flávio Bolsonaro defendeu a ampliação da telemedicina, a integração de prontuários eletrônicos por CPF e o uso de inteligência artificial para direcionar pacientes aos serviços de atendimento.

O senador também apresentou o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, como sua escolha para comandar o Ministério da Saúde.

“Eu quero colocar o padrão Einstein no SUS”, afirmou.

Lula criticou a condução da pandemia de Covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro, com questionamentos sobre o atraso na vacinação e a divulgação de tratamentos sem eficácia comprovada.

Flávio reconheceu problemas na área durante a gestão do pai, mas atribuiu parte das dificuldades à situação excepcional provocada pela pandemia.

O presidente também defendeu a recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro e citou investimentos para ampliar consultas e procedimentos especializados.

Flávio propôs renegociação de dívidas

Na economia, Flávio apresentou uma proposta para renegociar dívidas de pessoas físicas e empresas. O plano prevê que a Caixa Econômica Federal compre débitos de consumidores e empresas para permitir o refinanciamento com juros menores.

A proposta inclui seis meses de carência para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas.

O senador também defendeu a criação de um Ministério da Prosperidade, com ações voltadas à assistência social, ao crédito e à qualificação profissional. Ele afirmou que manteria o Bolsa Família.

Lula, por sua vez, defendeu a política de valorização do salário mínimo, os reajustes dos benefícios previdenciários e a manutenção dos programas sociais.

Os candidatos também divergiram sobre os preços dos alimentos, a dívida pública e os juros. A proposta de renegociação apresentada por Flávio ainda depende de detalhes sobre financiamento, critérios de adesão e participação dos bancos.

Segurança pública dividiu candidatos

O combate ao crime organizado também esteve entre os temas discutidos. Flávio defendeu medidas mais rígidas contra as organizações criminosas e criticou a atuação do governo federal na segurança pública.

Lula afirmou que a União precisava ampliar a participação no enfrentamento às facções e voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.

O presidente também criticou a flexibilização do acesso a armas durante o governo Jair Bolsonaro. Flávio respondeu com críticas à política criminal do PT.

Debate teve análise antes e depois da transmissão

Após o debate, a partir das 22h, o programa De Olho no Voto voltou à programação da TV Cultura, com Rodrigo Piscitelli e os especialistas convidados. A proposta foi analisar o desempenho dos candidatos, as estratégias adotadas e os possíveis impactos do encontro na disputa presidencial.

O segundo turno das eleições estava marcado para 25 de outubro. Um novo debate entre Lula e Flávio Bolsonaro estava previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.

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