Global Adoption Weekend: Hyppet une adoção de cães, ioga e arte em São Paulo
Fonte: estadao.com.br | Data: 19/10/2026 08:10:02
Eu já tinha visto pelo Instagram várias publicações da Hyppet, mas ter ido pessoalmente à Casa Fradique, em Pinheiros, onde aconteceu o Global Adoption Weekend da Mars no dia 17 de outubro, foi muito legal. Muito! Aliás, o final de semana da adoção mundial aconteceu em 25 cidades do Brasil e em 30 países. Neste evento, dos 24 cães presentes, nove foram adotados.

Carol Moreira no Global Adoption Weekend.
Foto: Marcelle Carvalho
Cheguei fazendo a diferença
O evento estava marcado para as 9h30 da manhã. Só consegui ser pontual porque convidei a Thessa para ir comigo e ela nunca atrasa. Aliás, falaremos mais sobre ela e as histórias lindas de cães adotados que promove fazendo lar temporário e achando famílias incríveis pelo @matilhadavet.
Fomos uma das primeiras a chegar, entre bolinhos e pães de queijo deliciosos, engatamos em uma conversa com a Ariane, que me contou da cachorrinha dela que late excessivamente dentro de casa e demonstra medo ao sair. Fiquei feliz porque, no final do evento, ela já estava em contato com a adestradora do Fe. Eu acredito no poder do adestramento e sei que nossos cães (e nós!) podemos ser muito mais felizes quando eles estão equilibrados. Não devemos desistir de um cão e, sim, ensiná-lo a lidar melhor com o mundo.
Índice de abandono animal
Os convidados foram chegando aos poucos e escolhendo uma cadeira para sentar. Logo, a Katia Souza, diretora de Assuntos Corporativos da Mars Pet Nutrition no Brasil, assumiu o microfone e começou a bater um papo descontraído com a plateia.
Ela dividiu com a gente dados bem interessantes, que foram coletados pelo Índice de Abandono Animal. Vale lembrar que 26 mil pessoas em 14 países do mundo foram ouvidas e que a pesquisa realizada pelo Census Wide está na sua terceira edição. Portanto, não é achismo, são dados confiáveis.

Katia Souza da Mars apresenta o Global Adoption Weekend em SP.
Foto: Marcelle Carvalho
Brasileiros lideram o ranking
Olha que bacana, nós brasileiros, que somos um povo amoroso e sentimental, representamos o país que mais adota cães e gatos no mundo: 19% de verde-amarelos disseram que gostariam de adotar um cão contra 12% de outras partes do planeta. Faz todo sentido, né?
Quando a Katia perguntou: “Vocês sabem qual é o principal motivo que faz uma pessoa pensar duas vezes antes de colocar um cachorro na vida dela?”, eu pensei: “Eles vivem pouco e o luto é muito duro”. Bem, estava quase certa, 36% das pessoas entrevistadas têm receio de não saber como cuidar dos pets e lidar com doenças inesperadas. Eu diria, um medo bem plausível.
Rede de apoio
Por isso, temos que ter rede de apoio, um plano de saúde com uma boa rede credenciada e um veterinário, que faça o papel de pediatra. Sozinhos não dá. No meu caso, está sendo ótimo ter o plano Completo da Petlove, que custa R$ 440,00 por mês, porque estou usando com o Fe os mesmos médicos (em que eu confio) e uso a Pet Care como hospital veterinário, que eu tinha com a Ella, sem pagar contas astronômicas. Este valor parece muito, mas não é, pois uma simples consulta em um final de semana tem este valor. Com o plano, eu faço check-ups e investigo qualquer sintoma que me faça ficar atenta, sem pesar no bolso.
A Dra. Thessa Petersen, que é dinda do Fe, é também sua pediatra e me salva dos momentos de dúvidas. E, claro, cachorro sem adestramento é problema comportamental na certa. Portanto, a adestradora Andrea Dias é o meu outro ponto de suporte.
Na minha lista de suporte também está a psicóloga Juliana Sato, que esteve ao meu lado durante o luto que vivi quando a Ella partiu fisicamente. Lembro de ela dizer: “A raiva e a tristeza podem estar presentes hoje, mesmo que as pessoas ao seu redor não reconheçam a dimensão do seu luto. Você não precisa saber agora como vai viver sem a Ella. Por enquanto, basta atravessar este dia, respeitando a sua dor, o seu tempo e tudo o que vocês viveram juntas.”

Cris e Ella comemorando o aniversário da Ella em um hotel pet friendly.
Foto: Arquito pessoal
Educação é a chave
Afinal, não adianta nada ter locais pet friendly se o nosso cachorro não sabe se comportar. Na-da. Impor que outras pessoas presentes em um restaurante aguentem o latido de um cão é um erro que faz com que reclamações aconteçam e locais deixem de aceitar pets. O mau comportamento só faz aumentar o “ranço” do público pelo público com pet. Eu escuto isso com frequência dos donos de restaurantes: “Tenho clientes que não querem sentar perto de uma mesa com pet porque eles latem muito”.
Quer saber o pior? O cachorro que está latindo sofre. Ele não foi preparado para estar ali. Portanto, antes de apresentar um mundo cheio de barulhos e estímulos para o seu cão, adestre. Adestrar é a maior forma de amor. Além de significar respeito com o próximo.
Sendo assim, as 27% das pessoas que na entrevista disseram que gostariam de ter mais espaços pet friendly (eu faço parte delas porque levo o Fe comigo para onde eu vou), ao adotar um pet, precisam apostar na educação deles. Daí, é jogo ganho.

Fe no Empório da Ci.
Foto: Cris Berger
Uma manhã na Casa Fradique
As horas voaram! Teve aula de ioga com os filhotes que estão para adoção. Um mais fofo do que outro. Eu me apaixonei por uma caramela de olhar doce e comportamento tranquilo. Pelas tetinhas, vimos que ela acabou de ter filhotes. “Guriazinha, não posso te levar para casa, tenho um gurizão em formação para ser cão de serviço e o adestramento dele está a todo vapor, mas torço muito para que alguém te adote e seja feliz ao teu lado”. A Thessa gostou dos pretinhos, que estavam “a mil pelo Brasil”. Como ela já tem cinco cães e dois gatos e sempre faz um lar temporário, no momento a casa está lotada.
Na sala ao lado, aconteceu uma aula de pintura. Em diversas mesas, potes de cerâmica iam parar nas mãos do público que usava pincéis e tintas para dar cor às peças onde as plantinhas seriam colocadas. No meio delas, cães.

Aula de ioga com pets no projeto da Hyppet.
Foto: Marcelle Carvalho
Hyppet
A Hyppet foi criada em 2020 pelos Vitors, o Pereira e o Marques. “Ajudávamos uma protetora independente que tinha mais de 300 animais. Ela conseguia levar de 10 a 12 pets nas feirinhas de adoção, com uma logística cara e dependendo de voluntários. Voltava com uma ou duas adoções e, na mesma semana, resgatava mais dois ou três. Criamos um aplicativo que funcionasse como um Tinder, conectando os animais com pessoas. No primeiro mês foram mais de 30 adoções”, conta Pereira.
Pela rede social deles, publicam histórias emocionantes baseadas em fatos reais. Os eventos, que acontecem em diferentes locais, são o pilar presencial. Pereira explica as vantagens: “Os eventos se tornaram um festival de bem-estar, que ajuda instituições de todo o Brasil a encontrar bons adotantes para os animais e também as apoia financeiramente”. Em São Paulo, a aula de ioga custa R$ 119,00 e a de pintura R$ 139,00.
O app tem 140 mil usuários únicos, 40 mil cães e gatos cadastrados e 600 mil pessoas nas redes sociais. 15 mil pessoas participaram dos eventos em 12 cidades do Brasil. E, agora, o melhor número: 9 mil animais já foram adotados.
Definitivamente, a proposta é genial. Quem mais sai ganhando são as pessoas que podem alongar o corpo ou fazer arte e estar perto de cães. Uma troca de ocitocina, o hormônio do amor, fabulosa. Mesmo que não haja uma adoção, a oportunidade de os cães socializarem ao serem expostos a barulhos é positiva e ajuda no relacionamento futuro deles com o mundo.

O bem-estar promovido pelos encontros da Hyppet.
Foto: Marcelle Carvalho
Carol Moreira
Ainda teve a jornalista e crítica de cinema Carol Moreira, entrevistadora do Modus Operandi sobre True Crimes (um dos podcasts mais ouvidos) contando sobre a adoção dos seus cães, Jonas e Mikkel, e do gato Daemon.
Durante a palestra, refletiu sobre o quanto os pets a ajudam a viver fora da tela: “O que eu estou fazendo? Vamos brincar, deitar no chão, rolar com eles. Isso te traz muito para a realidade”. Para quem estava no evento, aconselhou: “Segue o seu coração, se alguém olhar para você diferente”, fazendo uma indireta sobre sucumbir ao olhar de um cãozinho sedutor. “Todos, né, Carol? É duro sair de lá sem um rabo abanando”.

Carol Moreira com um dos cães para adoção.
Foto: Marcelle Carvalho
Depois do evento, perguntei se ela toparia responder algumas perguntas e ela topou um rápido bate-bola.
Você tem um pet preferido?
Não! Sou tutora de 3! Não posso ter preferido!
Qual é o humano preferido dos pets?
Olha, sinceramente acho que nenhum. Eles agem igual com nós dois.
Qual é a principal diferença entre os cães e o gato?
O gato é um pouco mais tranquilo, mas nem tanto! Ele adora brincar e correr na natureza também.
Gato, que convive com cão, fica mais cão?
Fica! Ele é bem dócil e simpático.
Qual é o programa predileto de vocês em família?
Ultimamente é passear na grama do sítio. A gente sai andando e todo mundo vem junto dar uma volta.
Você grava os programas com o Mikkel, Jonas e Daemon por perto?
Depende do dia, da situação. Idealmente é melhor se os cachorros não estiverem presentes porque eles podem ficar agitados e atrapalhar a gravação.
Como você descreve a personalidade dos seus pets?
Jonas é o líder, o mais velho, que parece mais sábio! O Mikkel é mais doidinho e agitado. Ele é mais grudado com o Daemon. O gato ama explorar a natureza. Mikkel e Daemon dormem de conchinha.
Você se considera mãe de pet?
Ah, de brincadeira, sim.
Como você lida quando eles ficam doentes? Entra em desespero, é prática, acredita que vai ficar tudo bem? Como é a Carol nesses momentos?
Eu sou muito prática, e eles têm acompanhamento, então é difícil algo nos pegar de surpresa também.
Como é um dia típico ao lado deles?
Eles amam sair correndo pra fazer xixi quando a gente acorda. Daí ficamos tomando café enquanto eles fazem a primeira ronda matutina. Jonas toma seu remédio e eles ficam livres pra brincar até a hora do almoço. Hoje estamos em um sítio então eles têm muito espaço e grama! Depois do almoço, descansam um pouco. À noite, a gente costuma ver uma série juntos no sofá.