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Debate deixou sensação de briga de pátio de colégio em que o eleitorado entrou com a cara

Fonte: blog.tribunadonorte.com.br | Data: 19/10/2026 12:17:33

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Esperava-se o pior.

Mas o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro foi bem pior que o esperado.

Os dois foram aos estúdios da Band com o espírito dos ringues. Transformaram o debate num tipo inusitado de luta livre — uma briga de pátio de colégio, na qual o eleitorado entrou com a cara.

Segundo o Datafolha, 93% dos eleitores dizem estar totalmente decididos. Restam 7% que não se declaram nessa condição. São cerca de 11 milhões de brasileiros. Quem assistiu ao debate com olhos de Tim Maia — “Me dê motivo…” — pode ter encontrado razões para votar nulo ou branco. Ou para se abster.

Flávio Bolsonaro encenou Pablo Marçal.

Estava ensaiado para lacrar, não para debater ideias. Produziu recortes em série. E estragou os vídeos alheios. Fez caras e bocas atrás de Lula enquanto ele falava. Desviou das perguntas com provocações. O adversário caiu na cilada. Pior: desestabilizou-se no primeiro round.

Lula sentiu o golpe ao ser confrontado com os vínculos entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Revidou esfregando Daniel Vorcaro na cara de Flávio. Mas só saiu das cordas quando o córner lhe soprou a ideia de desafiar o rival a abrir os sigilos bancário e telefônico, para “ver quem é ladrão”.

Lula teve bons momentos. No melhor deles, enalteceu o SUS e recordou a briga de Bolsonaro com as vacinas durante a pandemia. Arrancou de Flávio um mea culpa cenográfico. Mas a virada dependia de um nocaute.

E Flávio Bolsonaro saltitava no estúdio ao final do embate. Arrogância não dá voto. Mas também não tira.

Por Josias de Souza no UOl