E se a portaria parar? Novo desafio leva empresas e condomínios a rever contratos de segurança
Fonte: vozdobairro.com.br | Data: 21/10/2026 02:07:01
Expansão imobiliária e crescimento da segurança eletrônica ampliam discussão sobre cobertura de equipes, resposta a emergências e continuidade dos serviços.
A preocupação com falhas de energia, interrupções de internet e ausência de profissionais passou a integrar as discussões sobre a contratação de portaria terceirizada no Brasil em 2026. Em um cenário de expansão de empreendimentos residenciais, digitalização dos edifícios e maior exigência por segurança patrimonial, empresas e condomínios avaliam como manter o funcionamento das entradas mesmo diante de situações inesperadas. O tema amplia o debate econômico sobre a terceirização de serviços, que deixa de envolver exclusivamente os custos com mão de obra e passa a considerar a capacidade de resposta, a disponibilidade de equipes e a continuidade do atendimento em instalações residenciais, comerciais e industriais.
A transformação acompanha o desenvolvimento do mercado de segurança eletrônica. Segundo informações da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), o setor brasileiro faturou mais de R$ 16 bilhões em 2025, com projeção de crescimento de 18,8% em 2026. O avanço de sistemas conectados, monitoramento remoto e soluções de identificação demonstra o interesse crescente por tecnologias de proteção, embora esses indicadores não representem, isoladamente, o crescimento da terceirização de portarias. Para gestores que avaliam serviços de portaria e segurança, a expansão tecnológica também exige atenção à manutenção dos equipamentos, à estabilidade da comunicação e aos procedimentos necessários para manter o controle de acesso quando algum componente apresenta defeito.
“Antes de contratar uma portaria terceirizada, o síndico ou gestor deve perguntar como a empresa atua quando falta energia, quando o sistema de identificação fica indisponível ou quando um funcionário não consegue comparecer ao posto. É importante verificar se existe cobertura operacional, supervisão, treinamento e um procedimento alternativo para identificar visitantes e autorizar entradas. Em empresas e condomínios, o controle de acesso precisa funcionar também fora das condições ideais, com responsabilidades definidas e comunicação eficiente”, orienta Renan Rodrigues, CEO da Empresa de Portaria em Suzano – Murin Sects.
A preocupação com a continuidade dos serviços encontra paralelo nas discussões sobre infraestrutura elétrica. Em outubro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) abriu tomadas de subsídios sobre os limites dos indicadores de duração e frequência de interrupções no fornecimento para 14 distribuidoras, com aplicação prevista entre 2027 e 2031. Embora a iniciativa não seja específica do setor de segurança, evidencia a importância do acompanhamento da qualidade do fornecimento elétrico. Para a portaria de condomínio e instalações empresariais, a dependência de câmeras, motores de portões, interfones e servidores torna necessário avaliar soluções como alimentação elétrica de emergência, comunicação alternativa e procedimentos de identificação que possam ser adotados em situações de indisponibilidade tecnológica.
O crescimento imobiliário acrescenta outra dimensão à questão. Levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), divulgado em agosto, registrou 211.651 unidades residenciais lançadas no primeiro semestre de 2026 e 226.536 unidades novas vendidas no período, alta de 5,4% nas vendas em relação aos seis primeiros meses de 2025. Parte desses empreendimentos demanda estruturas permanentes de recepção e segurança para condomínios, com necessidades que variam conforme o número de unidades, os acessos de veículos, a presença de áreas compartilhadas e o perfil dos moradores. Nesse cenário, o controle de acesso em condomínios envolve também o planejamento da ocupação, a organização de autorizações e a definição de procedimentos para emergências, mudanças, obras e manutenção predial.
A análise econômica das contratações também se torna mais abrangente quando são considerados os custos de funcionamento durante todo o contrato. Uma proposta de portaria para empresas, por exemplo, pode envolver postos presenciais, cobertura de férias e ausências, supervisão, treinamento, equipamentos, licenças de sistemas, suporte técnico e manutenção preventiva. Modelos de segurança terceirizada com monitoramento remoto podem apresentar estruturas de custo diferentes, mas dependem de conectividade, infraestrutura adequada e definição de responsabilidades em caso de falha. Por isso, a comparação entre fornecedores exige observar o custo total da operação, as condições de substituição de profissionais, os prazos de atendimento e os serviços efetivamente incluídos na mensalidade, em vez de considerar somente o menor preço apresentado.
As exigências legais acrescentam responsabilidades ao processo de contratação. Em 2026, a Polícia Federal publicou novas orientações e a Instrução Normativa nº 340, que disciplina procedimentos relacionados à autorização, ao controle e à fiscalização dos serviços de segurança privada. A regulamentação exige atenção à distinção entre atividades de portaria, controle administrativo de entradas e serviços especializados de vigilância patrimonial. Paralelamente, a utilização de reconhecimento facial e biometria demanda cuidados com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), já que informações biométricas são classificadas como dados pessoais sensíveis. Para os contratantes, isso envolve avaliar a finalidade da coleta, a segurança dos registros, as condições de acesso às informações e as responsabilidades pelo tratamento dos dados.
A perspectiva para o mercado brasileiro é de maior integração entre gestão de pessoas, infraestrutura predial e ferramentas digitais, sem que a tecnologia elimine a necessidade de planejamento operacional. Para administradoras, condomínios e empresas, o modelo de contratação mais adequado depende das características do imóvel, da quantidade de acessos, da disponibilidade de recursos e dos riscos envolvidos em cada operação. A terceirização pode oferecer ganhos de organização, especialização e previsibilidade financeira, mas esses resultados dependem da execução contratual e dos mecanismos de supervisão. Em 2026, a discussão sobre portaria terceirizada passa, portanto, a incluir uma questão que vai além da modernização dos edifícios: a capacidade de manter o atendimento e a proteção patrimonial mesmo quando a operação enfrenta situações fora da rotina.
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Renan Rodrigues de Souza
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FONTE: https://empresadeportariaseguranca.com.br/
