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Luizianne vê “cinismo” de ciristas que apoiam Flávio, Senado “assustador” e risco a ações com PL

Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 21/10/2026 02:29:37

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LUIZIANNE Lins, senadora eleita (Foto: AURÉLIO ALVES)
Foto: AURÉLIO ALVES
LUIZIANNE Lins, senadora eleita

Resumo

Deputada federal critica o apoio de integrantes da chapa de Ciro Gomes a Flávio Bolsonaro.
Parlamentar afirma que eventual adesão pública de Ciro seria incoerente com declarações anteriores.
Senadora eleita considera preocupante a composição bolsonarista do Senado.
Luizianne promete defender a regulamentação das redes sociais no mandato.

Senadora eleita pelo Ceará nas eleições de 2026, Luizianne Lins (Rede) chamou de “cinismo” o apoio de aliados do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. O apoio de ciristas ocorre mesmo sem o candidato derrotado ao Governo do Ceará ter se posicionado publicamente sobre o 2° turno presidencial entre Flávio e o presidente Lula (PT).

Para Luizianne, porém, após anos falando mal da família Bolsonaro, caso Ciro venha a declarar apoio a Flávio, ninguém mais poderá dizer que ele tem coerência sobre qualquer assunto. As declarações foram dadas na manhã desta terça-feira, 20, durante participação no programa OP News 1ª Edição.

Ela também classificou como “assustador” o cenário que encontrará no Senado na próxima legislatura, após a ampliação da bancada bolsonarista, e prometeu defender a regulamentação das redes sociais durante o mandato de oito anos.

Críticas ao “time do Ciro”

A parlamentar criticou o fato de aliados de Ciro que integraram a chapa majoritária nas eleições deste mês afirmarem que o “time do Ciro” está apoiando Flávio, embora o tucano não tenha manifestado oficialmente um posicionamento no segundo turno.

“Cinismo meio estabelecido. O Roberto Cláudio, que foi o vice, os dois candidatos ao Senado, se colocam como apoiadores ao Flávio, mas você não vê o mesmo movimento em relação ao próprio candidato. Eles usam ‘time Ciro Gomes’, talvez pelas contradições, já que o Ciro foi muito preciso, lá atrás, onde nominou muito bem quem era a família Bolsonaro, e o próprio (Jair) Bolsonaro para o Brasil. Fica até uma coisa esquisita para o eleitor, para a opinião pública, quem já falou, como falou da família Bolsonaro, estar em um processo de dizer que vai apoiar o Flávio Bolsonaro”, disse Luizianne.

Luizianne lembrou que Ciro afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) era a “pior coisa que poderia acontecer para o Brasil”. Para ela, seria uma incoerência definitiva o tucano apoiar qualquer integrante da família Bolsonaro na eleição presidencial.

“Imagina o filho, que é um arremedo do pai, mais desqualificado, mais prepotente, mais arrogante, mais infantil, sem nenhum tipo de postura, não tem estatura para governar um País como esse. Por tudo isso, eu penso que imaginar que o Ciro chegar a esse ponto de declarar de forma aberta o apoio a Flávio Bolsonaro, seria caso da gente repensar, porque ele não poderia mais dizer que tem coerência sobre nada”.

Programas em risco

A senadora eleita afirmou que segue firme na campanha, agora com foco na disputa presidencial. Ela disse que viajará para Mossoró (RN), ao lado do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) e de outros governadores nordestinos aliados, para se juntar ao candidato Cadu do Lula (PT), petista que disputa o 2° turno pelo governo do Rio Grande do Norte, em uma agenda pró-Lula.

Para Luizianne, Flávio e o “bolsonarismo no geral” sempre se posicionaram de forma clara contra diversos programas de distribuição de renda.

“Quem acaba dez ministérios em uma canetada só, não pode estar preocupado com programa de distribuição de renda. Do jeito que eles fizeram com o Ministério das Mulheres, com o Ministério da Cultura, como Ministério de Desenvolvimento Social. Acabaram com o Ministério do Trabalho, que desde 1932 nós tínhamos e eles fizeram isso. Acho que todas as políticas, inclusive as políticas sociais, vão estar em risco (caso Flávio seja eleito)”, disse Luizianne.

Para a futura senadora, o objetivo no Ceará é ampliar a votação de Lula no 2° turno. “Nosso grande desafio é conseguir aumentar, temos falado muito de chegar a 70% para o Lula no Ceará, como uma forma de a gente ajudar a compensar essa diferença, que cada vez está menor, nós temos a consciência disso”, disse.

Cenário no Senado é “assustador”

Luizianne não escondeu a frustração com o fato de outras mulheres do campo progressista não terem conseguido se eleger para o Senado neste ano. Ela citou os nomes de Benedita da Silva, Manuela Dávila, Marina Silva, Simone Tebet e Eliziane Gama, que concorreram a um mandato na Casa, mas não se elegeram.

Ela classificou como assustadora a perspectiva de um Congresso com perfil mais bolsonarista e de extrema direita.

“Assustador, a palavra é essa. Nós temos que dizer que precisamos salvar a democracia, temos que eleger o Lula agora dia 25. Porque o embate no Legislativo já não vai ser uma coisa simples. Você contar com 29, entre os que chegaram e os que lá já estavam, 29 senadores do PL. Isso só confirma uma tese que eu venho acompanhando, de um estudioso que diz que a principal arena que extrema direita vai disputar é o Senado Federal, porque eles perceberam que várias tentativas de golpe foram tentadas e o que seguro, naquele momento, inclusive no Brasil, foi o Judiciário”.

Big Techs

Para a parlamentar, nos últimos dias de campanha houve mudanças nas redes sociais que, segundo ela, se refletiram diretamente nas pesquisas e influenciaram a eleição.

“Imagina você esperar chegar com essas mulheres, e vai chegar o quê? Chegar lá com a Michelle Bolsonaro, com a Bia Kicis, com Caroline De Toni, ou seja, houve uma mudança inclusive no perfil das mulheres que estavam chegando ao Senado”, lamentou.

Para ela, o movimento não foi isolado e ocorreu especialmente contra candidaturas de mulheres progressistas, favorecendo principalmente candidaturas de homens do PL. Jornalista, Luizianne afirmou ser estudiosa do tema e destacou a falta de transparência das plataformas digitais sobre o conteúdo exibido aos usuários.

“Eu aprendi que isso daí não é uma coisa que você tem controle. Não tem nenhum tipo de transparência, nem para a academia, para estudos. As big techs nunca cederam as suas métricas algorítmicas, ao contrário, às vezes eles admitem algum problema, dizem que vão mudar, mas é raro”, argumentou.

A senadora eleita disse ter levado à campanha de Lula, após o primeiro turno, a preocupação com o tema e afirmou ter ficado satisfeita com a representação apresentada para questionar o comportamento das plataformas durante as eleições.

Assista à entrevista completa com Luizianne Lins

Regulamentação das redes sociais

Diante desse cenário, Luizianne afirmou que a defesa de maior transparência e da regulamentação das redes sociais será um dos pilares do mandato.

“Eu quero dar uma contribuição importante, não só para o Estado do Ceará, mas para o Brasil, aproveitando por estar no meu radar dessa área técnica profissional de comunicação digital, a gente poder dar uma colaboração definitiva no Brasil. Senão, daqui a pouco a gente não vai ter mais controle do que acontece no Brasil”, argumentou.

A parlamentar ressaltou que regulamentar não significa censurar.

“É um grande desafio e, se eu puder ajudar, eu vou fazer no Senado, para a gente conseguir definitivamente regulamentar as redes sociais no sentido de não ser censura. Isso é conversa fiada de quem quer ofender e não quer ser culpado porque está ofendendo na rede”.

Para ela, o bolsonarismo quer cometer crimes nas redes sociais e alegar liberdade de expressão. “Eles ficam jogando com isso. São coisas que a democracia vai ter que enfrentar”, finalizou.