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Leilão de energia prevê megabaterias no Acre e tecnologia inédita na rede com a Bolívia

Fonte: contilnetnoticias.com.br | Data: 21/10/2026 12:53:33

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O 1º Leilão de Transmissão de 2027 deverá indicar como essas novas soluções poderão ser incorporadas | Foto: Reprodução

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O Acre está entre os locais previstos para receber novas tecnologias no setor elétrico brasileiro. O 1º Leilão de Transmissão de 2027 deve incluir um sistema de baterias de grande porte na Subestação Cruzeiro do Sul, com a proposta de armazenar energia e ajudar no funcionamento da rede elétrica.

O projeto faz parte do Lote 5 e prevê baterias com potência de 100 megawatts (MW) e capacidade de armazenamento de 200 megawatts-hora (MWh). Na prática, a potência indica a quantidade de energia que o sistema consegue fornecer em determinado momento, enquanto a capacidade representa o volume total que pode ser armazenado.

Cruzeiro do Sul é conhecida pelo turismo regional | Foto: Ascom

Cruzeiro do Sul será contemplado com o investimento | Foto: Ascom

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A estrutura deverá utilizar a tecnologia grid-forming, que permite às baterias ajudar a manter a estabilidade da rede elétrica, contribuindo para o controle da tensão e das condições necessárias para o funcionamento do sistema.

A proposta também muda a forma como esse tipo de equipamento será contratado. Enquanto os contratos tradicionais de transmissão de energia costumam ter prazo de 30 anos, o lote de baterias deverá ter duração de 18 anos. A diferença leva em conta o tempo de vida útil dos equipamentos e a perda gradual de capacidade das baterias com o passar dos anos.

O Brasil já conta com sistemas de armazenamento ligados à rede de transmissão. Desde 2023, a Subestação Registro, em São Paulo, opera baterias com potência de 30 MW e capacidade de 60 MWh. O diferencial da proposta para o Acre é a previsão de contratar o armazenamento como um lote próprio de uma concessão de transmissão de energia.

Nova tecnologia pode ser usada na conexão com a Bolívia

Além das baterias no Acre, o leilão poderá trazer outra novidade para o setor elétrico. O Lote 11 prevê uma estação conversora na ligação entre Brasil e Bolívia, com uso da tecnologia VSC. Se a proposta for mantida no edital definitivo, será a primeira vez que esse tipo de tecnologia será utilizado no Sistema Interligado Nacional (SIN).

As estações conversoras são equipamentos que permitem a ligação entre sistemas elétricos que utilizam diferentes formas de transmissão de energia. Atualmente, os principais sistemas brasileiros de transmissão em corrente contínua utilizam a tecnologia LCC, adequada para transportar grandes quantidades de energia por longas distâncias.

Apesar de consolidada, essa tecnologia depende das condições da rede elétrica para funcionar corretamente e pode apresentar falhas conhecidas como falhas de comutação. Em determinadas situações, um problema na rede pode afetar mais de uma ligação de transmissão e interromper o transporte de grandes volumes de energia.

Esse risco preocupa especialmente porque várias estações que recebem energia desses sistemas estão concentradas na região Sudeste. Quando diferentes ligações são afetadas por uma mesma perturbação, os impactos podem atingir uma área maior do sistema elétrico.

A tecnologia VSC oferece uma alternativa porque permite controlar com mais flexibilidade o fluxo de energia e a tensão elétrica, além de não estar sujeita ao mesmo tipo de falha de comutação da tecnologia LCC. Essas características podem favorecer seu uso em redes que precisam de maior controle e estabilidade.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já recomendou o uso da tecnologia VSC como referência para o projeto Bipolo Nordeste II, planejado para transportar cerca de 3 gigawatts (GW) de energia entre as regiões Nordeste e Sudeste.

A possível adoção do VSC, porém, não significa que a tecnologia LCC deixará de ser utilizada. A escolha depende das características de cada projeto, da quantidade de energia que será transportada e das condições de segurança e estabilidade da rede.

O 1º Leilão de Transmissão de 2027 deverá indicar como essas novas soluções poderão ser incorporadas à infraestrutura elétrica brasileira. A expectativa é que os projetos atendam às necessidades específicas do sistema sem comprometer a concorrência entre empresas, a segurança do fornecimento e a previsibilidade das regras do setor.