Energia barata pode frear a inflação de outubro, projeções apontam
Fonte: itamarajunoticias.com.br | Data: 22/10/2026 06:01:27
Resumo: IPCA-15 de outubro deve ficar entre 0,40% e 0,49%, desacelerando ante setembro (0,70%). Energia elétrica deve puxar para baixo com bandeira verde; alimentos in natura e combustíveis permanecem pressionando. O fenômeno El Niño e conflitos internacionais podem sustentar altas de preços. Divulgação oficial nesta sexta-feira (23). Palavras-chave: IPCA-15; inflação; energia elétrica; alimentos; transportes; El Niño.
A prévia do IPCA-15 para outubro aponta variação entre 0,40% e 0,49%, menor que o 0,70% registrado em setembro, segundo estimativas de instituições financeiras. A divulgação oficial está prevista para esta sexta-feira (23).
Principais fatores apontam para a composição da inflação. O grupo Habitação deve apresentar alívio de 0,12%, viabilizado por uma queda de 1,10% na energia elétrica, graças à bandeira tarifária verde. Leonardo Costa, do ASA, afirma que a inflação de energia está se normalizando após o bônus de Itaipu; o Daycoval cita a transição da bandeira amarela para verde e o fim dos descontos de Itaipu como justificativas para a deflação nesse item.
El Niño pode pressionar a alimentação em domicílio. O Bradesco projeta a maior variação desde maio nos preços dos alimentos, em virtude dos efeitos do El Niño. Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, estima alta de 0,96% em Alimentação e Bebidas, com itens in natura respondendo por cerca de 6,10% da inflação. “A alta nos alimentos reflete a quantidade de chuva bem acima da normalidade, possivelmente influenciada pelo El Niño, impactando diretamente os alimentos frescos”, afirma Gabriel Pestana, economista da Genial.
Transportes pesam no bolso devido às flutuações do petróleo no mercado internacional. A Warren projeta alta de 0,44% em Transportes, impulsionada pelo aumento de 3,50% nas passagens aéreas e pelos reajustes de combustíveis: gasolina (+0,35%), etanol (+3,80%) e diesel (+4,89%). Gustavo Sung, da Suno Research, destaca que dinâmicas globais, como o conflito no Oriente Médio, continuam pressionando derivados de petróleo. Segundo Pestana, o governo federal ampliou a redução de impostos para conter o repasse dos preços às bombas, mas, até setembro, o efeito não tinha sido suficiente; o frete também é impactado pelo custo do combustível.
Apesar da trégua pontual no IPCA-15, o horizonte anual permanece acima da meta. O acumulado em 12 meses deve ficar entre 4,70% (Daycoval) e 4,71% (Banco BV e Warren). O ASA projeta 5,10%; a Suno estima entre 5,1% e 5,2%
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Com um cenário de riscos ainda assimétrico e serviços pressionados, as estimativas indicam pouca margem para cortes adicionais de juros. A taxa básica, atualmente em 13,75%, pode manter-se estável frente aos diferentes choques inflacionários que podem persistir ao longo do próximo período.