Buscas sobre “Flávio Bolsonaro esquema pandemia” disparam no Google sob mobilização de Janones; entenda
Fonte: diariodopara.com.br | Data: 22/10/2026 11:58:52
Uma mobilização digital promovida pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) colocou o nome do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no centro de uma nova controvérsia política nesta quarta-feira (21). O parlamentar orientou integrantes do grupo denominado “Exército do Lula” a pesquisar no Google a expressão “Flávio Bolsonaro esquema pandemia”, provocando repercussão nas redes sociais às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
A mobilizaão digital ocorre principalmente no canal do Whatsapp “Exército do Lula” que até às 10h30 desta quinta-feira (22) já contava com cerca de 8 milhões de seguidores.
A iniciativa ocorre em um momento de acirramento da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro, que representa o campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia busca ampliar a circulação de informações e questionamentos relacionados à atuação do governo anterior durante a crise sanitária da Covid-19.
Estratégia digital provoca repercussão
Em mensagem compartilhada com participantes do grupo de mobilização política, Janones solicitou que os apoiadores pesquisassem a expressão envolvendo o nome do candidato do PL e a pandemia. O deputado sugeriu que os integrantes observassem o resultado da pesquisa, mas interrompeu a explicação antes de esclarecer o objetivo da iniciativa.
A orientação explorou a curiosidade dos usuários e a possibilidade de ampliar a visibilidade de determinado assunto por meio de pesquisas coordenadas nos mecanismos de busca.
A reportagem do NC News apontou que a expressão ganhou destaque no Google, embora não tenha apresentado elementos suficientes para demonstrar que a movimentação tenha sido provocada exclusivamente pela convocação de Janones.
Denúncias sobre hospitais federais
A repercussão ocorre no mesmo mês em que uma investigação jornalística da Agência Pública trouxe novamente ao debate suspeitas relacionadas à administração de seis hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo Jair Bolsonaro.
A apuração reuniu documentos e depoimentos de gestores, ex-gestores, parlamentares e servidores públicos que atribuíram a Flávio Bolsonaro influência política sobre nomeações e decisões administrativas nas unidades entre 2019 e 2022.
Em março de 2026, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) acusou o senador de comandar uma estrutura de influência sobre cargos e contratos dos hospitais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também fez acusações públicas semelhantes.
Auditorias de órgãos de controle identificaram sobrepreços em procedimentos de contratação, enquanto a CPI da Covid apontou problemas no funcionamento dos hospitais, incluindo leitos fechados durante a emergência sanitária.
Ex-ministros da Saúde manifestam apoio a Lula
Paralelamente à mobilização digital, nove ex-ministros da Saúde divulgaram, também na quarta-feira (21), um manifesto de apoio à reeleição de Lula, com críticas à condução da pandemia durante o governo Jair Bolsonaro.
O documento relembra que o Brasil registrou mais de 700 mil mortes por Covid-19 e questiona decisões adotadas pelo governo anterior, especialmente a resistência à vacinação, a defesa de tratamentos sem eficácia científica comprovada e os problemas enfrentados pela rede pública de saúde.
Os signatários também criticaram a substituição de dirigentes com experiência na área da saúde por um militar sem formação médica, em referência ao general Eduardo Pazuello, que comandou o Ministério da Saúde entre 2020 e 2021.
O manifesto menciona ainda a crise de abastecimento de oxigênio em hospitais, a redução da cobertura vacinal infantil e dificuldades enfrentadas por programas de assistência farmacêutica.
Para os ex-ministros, a eleição presidencial representa uma decisão sobre os rumos do Sistema Único de Saúde (SUS) e a continuidade de políticas públicas voltadas à prevenção de doenças e ao atendimento da população.
Pandemia volta ao centro da campanha
Na reta final do segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro adotaram estratégias distintas para tentar conquistar eleitores indecisos.
O presidente tem recuperado episódios da gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia, destacando as controvérsias envolvendo a compra de vacinas e a condução da emergência sanitária.
Flávio, por sua vez, concentra parte de sua campanha em propostas para a segurança pública e em críticas ao governo Lula relacionadas ao custo de vida, ao endividamento das famílias e à situação econômica do país.
A mobilização de Janones e o manifesto dos ex-ministros ampliaram a presença da pandemia no debate eleitoral. Não há, contudo, demonstração de que as duas iniciativas tenham sido coordenadas.
A movimentação evidencia a importância das plataformas digitais na disputa presidencial de 2026, mas também reforça a necessidade de distinguir denúncias documentadas, acusações políticas e fatos efetivamente comprovados antes de compartilhar informações relacionadas aos candidatos.