Primeiro leilão de gás do pré-sal não contempla Ceará e gargalo segue no Estado
Fonte: mais.opovo.com.br | Data: 23/10/2026 06:14:04

LEILÃO do pré-sal ocorreu de forma online
O primeiro leilão de gás natural promovido pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) não trará alívio para a escassez de combustível que afeta o parque fabril do Ceará.
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Realizado ontem, 22, na plataforma online da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o certame comercializou todos os 110 lotes postos à disputa.
Ao todo foram 1,1 milhão de metros cúbicos (m³) por dia para abastecimento industrial entre março e dezembro de 2027, mas passou ao largo do mercado cearense.
Realizado na plataforma online da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o leilão contou com 36 proponentes habilitados e 32 participantes e resultou em um faturamento de R$ 377 milhões para a PPSA.
A empresa informou que “esse valor tem como base o Henry Hub (HH) de US$ 2,9535/ MMBtu, taxa de câmbio de US$ 5,1447 e os prêmios ofertados pelos compradores.”
Apenas uma empresa com operação no Nordeste figurou entre as 23 companhias contempladas no certame.
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A Braskem adquiriu 350 mil m³ diários para atender à sua planta industrial no Polo de Camaçari (BA).
As demais 22 compradoras estão concentradas no Sul e no Sudeste do País, com forte presença de indústrias instaladas em São Paulo.
Apesar da aquisição pela Braskem, o gargalo histórico de fornecimento no Nordeste não sofrerá mudanças.
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Leilão favorece o Sudeste e não traz impacto operacional para o Ceará
A avaliação técnica indica que a compra traz estabilidade de suprimento para a única arrematante nordestina, mas passa longe de provocar qualquer transformação mercadológica na Região.
De acordo com o consultor na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, o volume adquirido pela Braskem será direcionado integralmente para a operação baiana, sem gerar qualquer respingo positivo na oferta de combustível para o Ceará ou para os demais estados vizinhos.
O consultor aponta que o grande entrave para a construção de uma malha integrada de distribuição no Nordeste reside na precariedade do transporte por gasodutos entre as unidades federativas.
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“O próximo passo diz respeito à contemplação, pelo próximo governo, na matriz energética com investimentos na infraestrutura dutoviária”, aponta Iughetti.
Diante desse cenário de entrave estrutural, o consultor é categórico ao avaliar a falta de saídas céleres para o parque industrial cearense: “Infelizmente, não há alternativas no curto e médio prazo”.
O gargalo que afeta o Ceará é explicado pela falta de atualização da rede de distribuição, que tem o gás natural injetado em áreas distantes do Estado, fazendo a pressão cair ao chegar próximo ao território cearense.
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Conforme o gás viaja centenas de quilômetros por tubulações (gasodutos), a pressão cai e o volume é absorvido pelas indústrias do meio do caminho.
Na ponta final da linha, onde está localizado o Ceará, o combustível praticamente não chega.
Na mesma linha, o especialista Ricardo Pinheiro reforça que a transação assegura previsibilidade à operação da Braskem, mas sem representar uma guinada de mercado.
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Ele lembra que a empresa já é uma consumidora consolidada e tradicional na Bahia — com a Petrobras figurando como acionista relevante, detentora de mais de 46% de participação —, abastecendo-se rotineiramente junto à estatal e a outros fornecedores.
Assim, o principal trunfo da petroquímica no leilão da PPSA foi tão somente travar o fornecimento do insumo.
“Para a Braskem não há muita mudança. A principal vantagem é que garante o fornecimento”, pondera Pinheiro.
Ele ressalta a disparidade regional do certame: “Creio que este leilão vai beneficiar mais as empresas do Sudeste, que já são fortes consumidoras de gás natural”.
As 23 companhias vencedoras no leilão
A lista das 23 companhias habilitadas que arremataram lotes confirma a forte dominância de indústrias de vidro, cerâmica, siderurgia, química e fertilizantes do Centro-Sul:
- Indústria de Vidros: AGC Vidros do Brasil Ltda., Cebrace Cristal Plano Ltda. e Wheaton Brasil Vidros Ltda.
- Setor Cerâmico e Revestimentos: Biancogres Cerâmica S/A, Cerâmica Formigres Ltda., Cerâmica Villagres Ltda., Delta Indústria Cerâmica Ltda., Dexco S.A., Incepa Revestimentos Cerâmicos Ltda., Mohawk Revestimentos Cocal do Sul Ltda. e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos Ltda.
- Siderurgia e Mineração: Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau Aços Longos S.A., Samarco Mineração S.A., Ternium Brasil Ltda. e Vale S.A.
- Química e Petroquímica: Braskem S.A., Evonik Brasil Ltda., Ingredion Brasil Ingredientes Industriais Ltda., Peróxidos do Brasil Ltda. e Rhodia Brasil S.A.
- Fertilizantes e Multitécnica: Multitécnica Industrial S.A. e Yara Brasil Fertilizantes S/A.