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Lagoas da Barra e de Jacarepaguá inspiram livro infantil

Fonte: oglobo.globo.com | Data: 23/10/2026 07:15:22

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Animais típicos da região vivem aventura em obra do fotógrafo Caíque Cunha, morador da região

Fotografias das lagoas da Barra de Jacarepaguá tiradas pelo autor do livro, Caíque Cunha, se transformaram em ilustrações no livro
Fotografias das lagoas da Barra de Jacarepaguá tiradas pelo autor do livro, Caíque Cunha, se transformaram em ilustrações no livro — Foto: Caique Cunha

Um som estranho chama a atenção de um grupo de animais que vive próximo às águas de uma lagoa. Intrigados, eles começam a investigar o que está acontecendo no entorno. A aventura é o ponto de partida de “O som que vem das águas”, primeiro livro infantil do fotógrafo e artista visual Caique Cunha, de 47 anos, que foi inspirado no Complexo Lagunar de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio.

Voltada para crianças entre 8 e 11 anos, a obra aborda preservação ambiental, amizade e pertencimento por meio de personagens extraídos da fauna local. Capivana (uma capivara), Juju (jacaré-de-papo-amarelo), Tapico (tapicuru), Zé Aratu (caranguejo) e Dona Moura (garça cinza) conduzem a narrativa, que procura aproximar os leitores de um território marcado pela biodivesidade e as transformações urbanas.

A ideia nasceu de uma pesquisa que Cunha desenvolveu há quatro anos sobre o sistema lagunar. Em 2025, o trabalho resultou em uma exposição fotográfica na Cidade das Artes, inicialmente voltada para adultos. Mas durante a mostra, o artista percebeu que era outro público que demonstrava o maior interesse pelo tema. Foi essa experiência que o levou a experimentar uma nova linguagem.

— As crianças iniciavam os debates durante a exposição e mostravam um interesse muito genuíno pelo trabalho. Então eu pensei: “Preciso me comunicar com esse público” — conta Cunha.

Ao escrever o livro, ele procurou abordar questões ambientais sem transformar a história em uma aula. Construiu uma aventura na qual os personagens descobrem o que acontece no ambiente onde vivem.

— Queria trazer o senso de urgência para as crianças. Mostrar que aquilo que acontece com um rio, uma lagoa ou um animal também diz respeito à nossa própria vida — explica.

Veja imagens de ‘O som que vem das águas’

O objetivo do livro é ensinar sobre o sistema lagunar de forma divertida — Foto: Caique Cunha

O objetivo do livro é ensinar sobre o sistema lagunar de forma divertida — Foto: Caique Cunha

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O objetivo do livro é ensinar sobre o sistema lagunar de forma divertida — Foto: Caique Cunha

Foto: Ilustração de Caique Cunha

Foto: Ilustração de Caique Cunha

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Foto: Ilustração de Caique Cunha

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Juju, um jacaré-de-papo-amarelo — Foto: Divulgação/Caique Cunha

Juju, um jacaré-de-papo-amarelo — Foto: Divulgação/Caique Cunha

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Juju, um jacaré-de-papo-amarelo — Foto: Divulgação/Caique Cunha

Fotografias das lagoas da Barra e de Jacarepaguá tiradas pelo autor do livro, Caíque Cunha, se transformaram em ilustrações no livro — Foto: Caique Cunha

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Fotografias das lagoas da Barra e de Jacarepaguá tiradas pelo autor do livro, Caíque Cunha, se transformaram em ilustrações no livro — Foto: Caique Cunha

Foto: Ilustração de Caique Cunha

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Foto: Ilustração de Caique Cunha

O personagem Zé Aratu — Foto: Divulgação/Caique Cunha

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O personagem Zé Aratu — Foto: Divulgação/Caique Cunha

O tapicuru Tapico — Foto: Divulgação/Caique Cunha

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O tapicuru Tapico — Foto: Divulgação/Caique Cunha

Capivana — Foto: Divulgação/Caique Cunha

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Capivana — Foto: Divulgação/Caique Cunha

Dona Moura, uma garça cinza — Foto: Divulgação/Caique Cunha

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Dona Moura, uma garça cinza — Foto: Divulgação/Caique Cunha

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A criação dos personagens também partiu de sua observação. A capivara, que o autor considera popular entre as crianças, é comum no complexo lagunar da região. O tapicuru entrou na história após ter sido descoberto durante a pesquisa em campo. O pássaro procura alimento com o bico na lama, deixando marcas na superfície. Na história, o comportamento foi transformado em uma característica artística do personagem Tapico, que adora desenhar.

A serenidade da garça-moura e a agitação do caranguejo aratu também estão no livro. A intenção, segundo o autor, é apresentar aos pequenos leitores animais que fazem parte da paisagem carioca, mas nem sempre ocupam o centro das histórias.

Mais visibilidade à região

A escolha do Complexo Lagunar como cenário também reflete uma preocupação com a representação cultural da cidade. Cunha avalia que a produção artística carioca ainda se concentra no Centro e na Zona Sul do município, enquanto outras regiões têm menos espaço para apresentar suas referências.

— Sou morador da região e sinto que deslocar a cultura dos outros polos e trazê-la para cá é muito favorável. É preciso fazer essa descentralização, mostrar outros Rios que existem aqui — defende o autor.

Em “O som que vem das águas”, a paisagem não funciona apenas como pano de fundo. A região, que passou por intensas transformações urbanas nas últimas três décadas, inspira uma narrativa sobre a relação entre os seres vivos e o ambiente em que estão inseridos. A proposta é estimular a percepção de que as mudanças na água afetam os animais, as plantas e as pessoas.

Cristiana Carvalho realizou uma leitura do livro para crianças durante o lançamento da obra — Foto: Divulgação
Cristiana Carvalho realizou uma leitura do livro para crianças durante o lançamento da obra — Foto: Divulgação

Uma das táticas usadas é apresentar paisagens ilustradas com base em fotografias feitas pelo próprio autor durante sua pesquisa. Imagens reais foram transformadas em desenhos, aproximando o universo da ficção dos lugares que inspiraram a história.

Publicado pela Editora Studio Rico, o livro foi viabilizado pelo edital Produção Literária e Projetos Artísticos, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. O lançamento, realizado na Biblioteca Ziraldo, na Cidade das Artes, contou com uma roda de leitura conduzida pela atriz Cristiana Carvalho e a distribuição gratuita de 50 exemplares às crianças presentes.

A obra também terá versões digitais, um PDF compatível com leitores de tela e um audiobook narrado pelo cantor Marcelo Natividade. O exemplar físico custa R$ 75 e pode ser adquirido pelo site da editora.

O trabalho sobre as lagoas não termina com o livro. A publicação é a segunda etapa de projetos dedicados ao território. A primeira foi a exposição fotográfica do ano passado. Depois do produto destinado ao público infantil, o artista quer lançar um livro de fotografia sobre o complexo lagunar, projeto que já tem aprovação na Lei Rouanet, mas ainda precisa de um patrocínio.

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