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Eneva troca carvão por gás no Pecém e Diamante reúne três térmicas no Nordeste

Fonte: movimentoeconomico.com.br | Data: 23/10/2026 08:59:04

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A usina a carvão do Porto do Itaqui, em São Luís, no Maranhão, passou nesta quarta-feira (21) à Diamante Energia, que reúne três térmicas no Nordeste, e a Eneva ficou com 100% da empresa que vai participar de um terminal de gás natural liquefeito no Pecém, no Ceará. Foto: Diamante Energia/Divulgação

As duas usinas a carvão que a Eneva tinha no Nordeste agora pertencem à Diamante Energia, e a Eneva passou a controlar sozinha a empresa que vai participar de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo do Pecém, no Ceará. A troca foi concluída nesta quarta-feira (21) com a venda da térmica do Porto do Itaqui, em São Luís, no Maranhão, pela qual a Diamante pagou R$ 365,3 milhões e entregou à Eneva os 50% que tinha na Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM).

Com a operação, a Eneva fica com 100% da PPTM e com a participação integral no Hub Ceará, que a empresa associa à estratégia de infraestrutura integrada de gás natural e geração de energia. O terminal deve receber gás importado em navios, armazená-lo e devolvê-lo ao estado gasoso, com capacidade de escoamento de até 14 milhões de metros cúbicos por dia. A venda do Itaqui completa a saída da Eneva da geração a carvão mineral, de acordo com o comunicado ao mercado publicado pela companhia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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Do outro lado, a Diamante já tinha a Pecém I, que pertencia à EDP, e comprou da Eneva a Usina Termelétrica (UTE) Pecém II, de 365 megawatts (MW), em negócio concluído em 31 de agosto de 2026, com pagamento de R$ 748,4 milhões no fechamento e valor da empresa, que inclui dívidas, de R$ 839,2 milhões. Com o Itaqui, a Diamante soma três térmicas a carvão no Nordeste e chega a 2,18 gigawatts (GW) de capacidade instalada no país, de acordo com a empresa, que também administra o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina.

A Diamante ainda pode pagar à Eneva até R$ 467 milhões pelo Itaqui e até R$ 149 milhões pela Pecém II se houver antecipação do início do fornecimento de potência que as usinas venderam no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os dois valores têm correção monetária e não estão garantidos.

Diamante reúne três térmicas a carvão com contratos até 2041

A térmica do Itaqui tem 360 MW de capacidade instalada e opera comercialmente desde fevereiro de 2013. Ela fica perto do porto, o que facilita o recebimento do carvão mineral importado que usa como combustível, e integra o subsistema Norte do Sistema Interligado Nacional (SIN). Hoje, a energia da usina é vendida a distribuidoras no mercado regulado, por contratos de leilões da Aneel. No leilão de 2026, a usina vendeu 311,7 MW de potência e estendeu o contrato por dez anos, de 2031 a 2041, com receita fixa anual de R$ 503,59 milhões, em valores da data-base do certame.

Num leilão de reserva de capacidade, o sistema elétrico contrata usinas para ficarem à disposição e gerarem energia quando a demanda pedir, e a receita fixa paga essa disponibilidade. A Pecém II tem contratos de venda de energia até 2028 e também venceu o LRCap de 2026, com fornecimento previsto a partir de 2031, por dez anos.

No Pecém, as duas usinas da Diamante foram planejadas para operar juntas e dividem estruturas do complexo, como a esteira que transporta o carvão a partir do porto. “São usinas concebidas de forma integrada, com infraestrutura compartilhada, e a consolidação permite extrair sinergias que não estariam disponíveis da mesma forma para outro operador”, afirmou em agosto o presidente do conselho da Diamante, Jorge Nemr, em declaração publicada pela CNN Brasil.

Eneva troca o carvão pelo gás no Ceará

A venda do Itaqui foi fechada como uma troca de participações, prevista no contrato assinado em 1º de setembro de 2026. A Diamante ficou com 100% da Itaqui Geração de Energia, empresa da usina, e o valor em dinheiro já inclui a atualização e os ajustes previstos no acordo.

A venda das térmicas faz parte da reciclagem de portfólio da Eneva, que levanta capital para um novo ciclo de investimentos depois de ficar entre as principais vencedoras do leilão de capacidade, como a CNN Brasil relatou em agosto. No comunicado de outubro, a companhia diz que o objetivo é “reforçar seu diferencial de oferecer capacidade, flexibilidade e segurança eletroenergética ao sistema brasileiro”.

A Eneva não apresentou, no comunicado, estimativa do impacto da venda sobre o lucro ou a receita futura. A empresa também não informou prazo nem investimento para o terminal de GNL no Pecém.

Compradora testou biocarvão de coco no Pecém

Em 14 de outubro, a Diamante queimou na caldeira da Unidade Geradora 1 de sua usina no Pecém, de 360 MW, uma mistura de 148,5 toneladas de carvão mineral com 1,5 tonelada de biocarvão de casca de coco, 1% da carga em massa. O teste faz parte de uma pesquisa iniciada em 2024 com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), no programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Aneel.

Em laboratório, o biocarvão teve poder calorífico superior ao do carvão mineral usado na usina e teor de enxofre mais de dez vezes menor. A própria empresa afirma que os benefícios ambientais e a viabilidade econômica dependem de avaliações complementares.

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