A prévia da inflação oficial de outubro apresentou uma desaceleração significativa em relação ao mês anterior, ficando em 0,32%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Esse resultado é menos da metade do registrado em setembro, que foi de 0,7%. Com isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula uma alta de 4,62% nos últimos 12 meses, acima da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5%.

A análise dos grupos de produtos e serviços apurados pelo IBGE em outubro mostra que a alimentação e bebidas foram os itens que mais impactaram na prévia da inflação. O grupo registrou uma alta de 0,88%, com destaque para o aumento de 1,01% nos preços dos alimentos no domicílio. Entre os produtos que mais subiram de preço estão o tomate, cebola, batata-inglesa e arroz.

Por outro lado, o grupo habitação foi o único que apresentou retração, com uma queda de 0,10%. Essa redução foi impulsionada principalmente pelo custo da energia elétrica residencial, que teve uma variação negativa de -0,89%. A mudança na bandeira tarifária, que passou de amarela para verde, contribuiu para esse resultado.

No grupo transporte, a alta foi influenciada pelos combustíveis, com destaque para o aumento nos preços do óleo diesel, etanol e gasolina. Por outro lado, as passagens aéreas ficaram mais baratas, contribuindo para amenizar a inflação. O economista Roberto Luis Troster avalia que, apesar da desaceleração mensal, ainda não há uma queda consistente na inflação, sendo os alimentos os principais fatores de pressão.

O IPCA-15 tem uma metodologia semelhante ao IPCA, que é a inflação oficial do país. Ambos levam em consideração uma cesta de produtos e serviço para famílias de diferentes faixas de renda. No entanto, a diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Enquanto o IPCA-15 é uma prévia divulgada antes do fim do mês, o IPCA completo será divulgado no dia 12 de novembro.

O mercado financeiro espera que a inflação de outubro fique em torno de 0,32%, de acordo com o Boletim Focus do Banco Central. Com os índices ainda acima da meta estabelecida pelo governo, a preocupação com a trajetória da inflação ainda é latente, conforme salientado por Troster. A divulgação do IPCA cheio de outubro e a análise dos dados completos serão essenciais para avaliar o cenário econômico e o impacto da inflação nos próximos meses.

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