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Esquerda, direita e bolsonarismo: o que são e quais as diferenças?

Fonte: opovo.com.br | Data: 23/10/2026 11:12:54

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Eleições

A política molda decisões econômicas, de saúde e educação. Entender as correntes ideológicas de esquerda, direita e bolsonarismo é crucial para compreender as disputas eleitorais.

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Usada para todas matérias e reportagens que retratem fatos ou descrevam situações. Matéria baseada em fatos observados e verificados pelo repórter com fontes diversas. Notícias não possuem a opinião do repórter. Quando há análise, deve haver as duas definições: notícia e análise.


Publicado às 11:02, 23/10/2026

Saiba o que cada lado político representa e onde o bolsonarismo se encaixa entre eles.
Crédito: Reprodução / Pexels / Foto de K

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Resumo

  • Política influencia economia, saúde, educação e segurança.

  • Esquerda e direita surgiram na Revolução Francesa.

  • Esquerda defende redução de desigualdades e políticas públicas.

  • Direita valoriza liberdade econômica e tradição.

  • Bolsonarismo, movimento associado a Jair Bolsonaro, reúne pautas conservadoras e discurso anti-sistema.

  • As ideologias são fluidas e podem dialogar, como no movimento ‘Diretas Já’.

A política influencia decisões sobre economia, saúde, educação, segurança pública e direitos sociais. Para compreender as disputas eleitorais, é importante conhecer as correntes ideológicas que orientam partidos, candidatos e eleitores.

Entre os assuntos mais falados durante o período eleitoral, os termos direita e esquerda são utilizados para identificar diferentes visões sobre a organização da sociedade e o papel político do Estado. Essas classificações, porém, não são uniformes e podem apresentar divergências internas.

Além dos dois lados, existe o bolsonarismo, no Brasil, que passou a ocupar o espaço político após as eleições de 2018. Associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o movimento reúne pautas conservadoras, discursos contra adversários políticos e diferentes propostas econômicas.

Esquerda x direita: o que são e como surgiram?

A esquerda, no geral, reúne correntes que atribuem maior importância à redução das desigualdades sociais e econômicas.

É comum que, entre seus simpatizantes, haja divergências sobre como alcançar esse objetivo, mas frequentemente defendem políticas públicas destinadas a ampliar direitos, oportunidades e proteção social.

Já a direita defende concepções que, em diferentes graus, valorizam a liberdade econômica, a propriedade privada e a preservação de certas heranças sociais. A direita é, historicamente, ligada a um comportamento tradicional. Por consenso, é vista como conservadora.

Os termos “direita” e “esquerda” surgiram durante a Revolução Francesa, na Assembleia Constituinte de 1789. Na época, havia a divisão entre contra e a favor do rei, explica Leonardo Saraiva, professor de História.

Aqueles que concordavam com o democrata sentavam-se à sua direita, e os simpatizantes da revolução, à esquerda.

“Dessa forma, existe um consenso de que a direita é conservadora e ligada a um comportamento tradicional, enquanto que a esquerda defende mudanças na política e na sociedade”, enfatiza.

Mesmo com pensamentos opostos, as ideologias estão vulneráveis a mudanças constantes e, na maioria das vezes, não apresentam conceitos permanentemente fixos. Por essa inclinação, também é possível que haja o diálogo entre os dois vieses, esquerda e direita.

Na história do Brasil, alguns momentos foram marcados por essa união. Um exemplo é o movimento “Diretas Já”, que ocorreu entre 1983 e 1984: uma manifestação democrática unificada contra o regime da época, a ditadura cívico-militar.

Na época, forças políticas de esquerda, centro e centro-direita se uniram em um amplo movimento suprapartidário, declarando um apoio mútuo ao movimento em seus estados.

A democracia exige que haja o confronto de ideias de maneira sadia em prol do bem comum, até porque existem pautas de consenso entre os dois lados a serem debatidas.

Leonardo Saraiva, professor de História

O que a esquerda defende?

Na economia, por exemplo, setores da esquerda defendem a atuação mais expressiva do Estado na regulação dos mercados, na distribuição de renda e na oferta de serviços públicos. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) está entre as propostas.

Além dela, há o investimento em educação pública, a proteção dos direitos trabalhistas e os programas de transferência de renda. Tais posições, porém, não significam que toda a esquerda seja contrária à iniciativa privada ou à economia de mercado.

Correntes como a social-democrata defendem a união entre empresas privadas, políticas sociais e regulação estatal.

Já ideias mais voltadas para o socialismo e comunismo apresentam críticas mais profundas ao sistema capitalista, ainda que se diferenciem sobre como chegar à mudança.

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Em pautas sociais, setores da esquerda costumam apoiar políticas relacionadas à ampliação de direitos civis, igualdade de gênero, ao combate ao racismo e à proteção de grupos historicamente discriminados.

Por não ser um bloco único, há divergências sobre política econômica, alianças partidárias, segurança pública, meio ambiente e a extensão da atuação estatal na esquerda. A classificação de um partido ou político, portanto, depende de seu histórico e suas propostas. 

Propostas da direita na política

Na economia, setores liberais da direita defendem maior espaço para a iniciativa privada, concorrência entre empresas, redução de determinadas regulamentações e controle dos gastos públicos. Mesmo assim, tais pensamentos não são regra.

Outras correntes aceitam uma atuação mais ampla do Estado, especialmente para proteger setores estratégicos ou estimular a economia nacional.

Seus defensores costumam valorizar tradições culturais, familiares e religiosas, além de preferirem mudanças sociais mais graduais. Isso não significa, porém, que todas as pessoas de direita sejam conservadoras ou tenham as mesmas opiniões sobre costumes.

Na área da segurança pública, setores da direita costumam enfatizar o combate à criminalidade, fortalecimento das forças militares e a aplicação de penas.

As propostas, no entanto, variam entre os grupos e envolvem diferentes estratégias de prevenção, investigação e punição.

Também existem divergências sobre direitos sociais, meio ambiente, imigração e políticas públicas. Portanto, uma pessoa de direita não defende, necessariamente, todas essas pautas, assim como uma posição conservadora pode não afetar a visão econômica de alguém.

Bolsonarismo: o que é e como diverge de ambos os lados?

O bolsonarismo é um movimento político brasileiro associado a Jair Bolsonaro, presidente da República entre 2019 e 2022. Sua consolidação ocorreu, principalmente, durante a campanha eleitoral de 2018.

Em um contexto de crise política e insatisfação com partidos tradicionais, investigações de políticos e forte rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre parte do eleitorado, o bolsonarismo encontrou espaço para crescer e ganhou força o suficiente para vencer nas urnas.

Entre suas características estão o conservadorismo nos costumes, o discurso de valorização da ordem e da segurança pública, o antipetismo e a defesa de valores cristãos.

O apoio à intervenção militar e forte ao porte de armas também se fez presente no decorrer da campanha.

Apesar de, inicialmente, ser associado à direita brasileira e defender tal inclinação, Jair Bolsonaro não representa os valores de um lado político como um todo. A alusão pode ser feita, por exemplo, da mesma forma para a esquerda, pois nem todos os seus simpatizantes defendem o petista Lula, atual presidente da República.

Segundo Leonardo Saraiva, o bolsonarismo não pode ser reduzido a um simples comportamento eleitoral ou viés eleitoral. O historiador aponta que “ser classificado como bolsonarista foge muito à régua da direita tradicional, pois ele próprio se declara antissistema, questionando o papel das instituições democráticas”.

A ideologia bolsonarista, portanto, passa a ser mais associada a um pensamento de extrema direita. Com a defesa de “reformar a nação” de uma maneira rígida e reacionária, os pilares fundamentais disseminados pelo líder do movimento fazem, muitas vezes, vínculo com regimes autoritários.