Ações do Bradesco (BBDC3; BBDC4) caem após balanço: hora de comprar?
Fonte: valorinveste.globo.com | Data: 23/10/2026 11:25:56
Empresa reportou alta nos lucro, mas inadimplência também cresceu no período
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O banco Bradesco abriu a porteira do setor na temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026. No entanto, o mercado reage negativamente e os papéis operam em queda na sessão desta sexta-feira (23).
Por volta das 10h50:
- Ações ordinárias (BBDC3) caíam 1,79%, a R$ 17,59;
- Ações preferenciais (BBDC4) recuam 1,93%, a R$ 19,83.
O que mostrou o balanço?
O resultado do banco foi divulgado na noite de ontem (22). O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no período, o que representa uma alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado e 0,8% em relação ao trimestre anterior.
Por outro lado, a inadimplência acima de 90 dias, que mede a parcela dos empréstimos com pagamentos atrasados há mais de três meses, subiu para 4,6%, ante 4,1% um ano antes e 4,3% no segundo trimestre.
Com isso, as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), recursos contabilizados para cobrir possíveis calotes, chegaram a R$ 10,6 bilhões, alta de 24,3% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Hora de comprar?
Na avaliação da Genial Investimentos, em relatório divulgado hoje, apesar do resultado é hora, sim, de ir às compras. A casa diz que segue construtiva com a trajetória de recuperação da instituição e que avalia que o Bradesco segue descontado frente ao seu potencial de geração de resultados.
Apesar disso, a Genial revisou o lucro recorrente projetado para o ano de 2026 de R$ 28,3 bilhões para R$ 27,9 bilhões, o que representa um recuo de 1,4%; e o de 2027 para R$ 32,2 bilhões (‑4,2%). “A revisão vem da base do trimestre, e não de mudança de premissa: carteira menor, margem com clientes e serviços”, diz o relatório.
“O terceiro trimestre manteve a contagem, mas sem folga: a recuperação passa a depender menos da tesouraria e mais da capacidade de crescer a carteira sem piorar a inadimplência”, descreve o relatório. Por lá, o preço-alvo do papel é de R$ 24,46.
Já o Itaú BBA, que tem preço-alvo de R$ 22 para as ações do banco concorrente com visão de “outperform” (desempenho superior), diz que o resultado veio em linha com o esperado e que as projeções não mudaram, mas que as receitas ajustadas ao risco mais fraco e o desempenho mais fraco do setor de seguros provavelmente colocarão pressão de baixa para as estimativas de 2027.
“Dando um passo atrás, o Bradesco continua seu processo de transformação, mas a deterioração do cenário macroeconômico começa, claramente, a cobrar seu preço”, diz o relatório do BBA.
A Ativa Investimentos, que também recomenda a compra do papel, com preço-alvo de R$ 24, também sustenta que os resultados vieram em linha com o esperado, mas com composição pior já que a provisões para devedores duvidosos (PDD) veio 6% acima do que o projetado.
Para eles, embora reiterem a recomendação de entrar no papel, o relatório ressalta que há menos convicção no ritmo de convergência do ROAE, que é a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio, um indicador que mostra quanto o banco consegue gerar de lucro em relação ao capital dos acionistas, ficou em 16,1%, desconsiderando o aumento de capital realizado no período.
“A tese passa a depender mais de eficiência e capital do que de receita de crédito”, diz o relatório.
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