A cidade no Ártico onde ninguém é enterrado em caixão desde os anos 1950, porque o solo congelado dificulta a decomposição dos corpos
Fonte: olhardigital.com.br | Data: 23/10/2026 13:04:13
O vento atravessa as casas coloridas de Longyearbyen, enquanto montanhas cercam uma cidade que parece desafiar até a morte. No arquipélago de Svalbard, território norueguês no Ártico, o chão congelado mudou a maneira de realizar funerais. Entretanto, essa particularidade é apenas uma das muitas surpresas de uma comunidade que aprendeu a conviver com extremos de luz, frio e isolamento.
Por que Longyearbyen não permite enterros em caixão?
O permafrost, solo que permanece congelado por longos períodos, torna os sepultamentos tradicionais problemáticos em Longyearbyen. O frio retarda a decomposição dos corpos, enquanto ciclos de congelamento e degelo podem empurrar caixões em direção à superfície. Por isso, a legislação de Svalbard proíbe enterros em caixão, mas permite o sepultamento de urnas com cinzas. Portanto, a famosa história de que morrer é proibido na cidade não corresponde à realidade.
O cemitério do vale surgiu em 1917, ligado às dificuldades da antiga comunidade mineira. Em 1918, sete trabalhadores mortos pela gripe espanhola receberam sepultamento naquele terreno, hoje protegido como patrimônio histórico. Atualmente, moradores que morrem em Svalbard têm direito a sepultamento de urnas, conforme o regulamento funerário norueguês. O Governador de Svalbard também documenta a história das antigas sepulturas.
🏛️ 1906: Nasce o assentamento mineiro que deu origem à cidade.
🌿 1917: A comunidade instala o cemitério histórico no vale.
🚀 Hoje: Enterros em caixão são proibidos, mas urnas funerárias são permitidas.
O que torna a vida em Longyearbyen tão diferente?

Entre 14 de novembro e 29 de janeiro, a noite polar transforma a paisagem, deixando a cidade sem luz solar direta. Durante esse período, moradores usam lanternas e elementos refletivos até em deslocamentos cotidianos. Em contraste, o Sol da meia-noite permanece acima do horizonte entre abril e agosto, alterando completamente a relação com os horários. Enquanto isso, as montanhas, as renas e os veículos de neve fazem parte de uma paisagem urbana incomum.
A história da mineração também aparece em hábitos discretos. Muitos estabelecimentos mantêm a tradição de tirar os sapatos na entrada, costume associado à antiga poeira de carvão. Além do mais, as ruas costumam ter números em vez de nomes, e há caminhos próprios para motos de neve. Fora dos limites urbanos, porém, os ursos-polares representam um risco real, motivo para contratar guias qualificados. Assim, a vida cotidiana combina serviços urbanos, tradições mineiras e cuidados específicos com a natureza ártica.
Quais atrações revelam o lado mais surpreendente do Ártico?
Museus, igrejas e vestígios mineiros apresentam o Ártico habitado de Longyearbyen por diferentes caminhos. Para compreender o lugar, vale combinar espaços culturais com passeios adaptados às condições do arquipélago.
- Museu de Svalbard: apresenta a história humana, a fauna e as transformações do arquipélago, relacionando mineração, exploração polar e vida cotidiana.
- Igreja de Svalbard: funciona como espaço religioso e comunitário, oferecendo uma perspectiva próxima das relações entre moradores e visitantes.
- North Pole Expedition Museum: reúne histórias das tentativas de alcançar o extremo norte e dos equipamentos usados nas explorações.
- Nordover: oferece arte e exposições culturais, uma alternativa menos óbvia aos passeios tradicionais pela neve.
- Vestígios da mineração: estruturas antigas revelam como o carvão moldou construções, trabalho e ocupação do vale.
Por outro lado, aventuras em geleiras, fiordes ou áreas afastadas exigem planejamento cuidadoso. Portanto, escolha passeios organizados com guias locais, sem se aproximar de animais selvagens nem tocar em estruturas históricas protegidas. A paisagem impressiona mais quando o visitante compreende suas regras.
Como chegar a Longyearbyen e escolher a melhor época?

O acesso regular ocorre por avião, com voos para Longyearbyen a partir de Oslo e Tromsø. As viagens duram aproximadamente três horas e uma hora e meia, respectivamente. No destino, o ônibus do aeroporto atende hotéis e hospedagens, enquanto boa parte do centro pode ser percorrida a pé. Entretanto, não existem estradas ligando as diferentes comunidades do arquipélago. Para organizar a viagem, consulte as orientações do portal oficial Visit Svalbard.
O clima é ártico durante todo o ano, com invernos que podem registrar temperaturas inferiores a −30 °C. Já no verão, as temperaturas costumam ficar entre 0 °C e 10 °C, embora o vento aumente a sensação de frio. Consequentemente, a escolha da época depende mais da experiência desejada do que de uma promessa de tempo ameno. Leve roupas adequadas ao frio e confira as condições antes de cada passeio.
| Período | Experiência principal |
|---|---|
| Outubro a fevereiro | Escuridão prolongada, possibilidade de auroras e atividades orientadas pelo frio. |
| Abril a agosto | Sol da meia-noite e roteiros com luz natural durante as 24 horas. |
Um lugar para enxergar a vida de outro modo
Longyearbyen mostra como o ambiente ártico influencia até as despedidas, impondo limites a práticas que parecem naturais em outras cidades. Ao mesmo tempo, museus, ruas e costumes revelam uma comunidade ativa, que transforma antigas marcas da mineração em memória compartilhada. O contraste entre longas noites e dias intermináveis amplia essa experiência, sem apagar as exigências de viver tão longe dos grandes centros. Se você puder visitar Svalbard, vá com curiosidade, respeite os moradores e observe como o cotidiano encontra caminhos próprios no frio.
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