Campos Norte e Noroeste se reúnem em Campos visando adotar nova tecnologia do SUS
Fonte: odia.ig.com.br | Data: 23/10/2026 17:57:01
Capacitação para substituir gradualmente a insulina NPH pela Glargina aconteceu na Faculdade de Medicina
Foto Kelly Maria/Saúde Campos
A transição da insulina NPH para a insulina Glargina no SUS resume um passo decisivo que o interior do Estado do Rio de Janeiro acaba de dar rumo a uma das maiores transformações no manejo do diabetes pela qual o Sistema Único de Saúde (SUS) passa. Focada inicialmente em grupos prioritários – como crianças, adolescentes e idosos -, a estratégia foi base em capacitação regional, nessa quinta-feira (22), no auditório da Faculdade de Medicina de Campos dos Goytacazes (RJ).
Gestores e profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) de diversas cidades do Norte e Noroeste Fluminense participaram da iniciativa, coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), visando qualificar médicos, enfermeiros e farmacêuticos para a introdução de uma tecnologia que promete redefinir a qualidade de vida dos pacientes elegíveis.
O significado prático representa também a quebra de barreiras burocráticas e a democratização do acesso à medicina de ponta. Ministrado pela endocrinologista Laura Barra, atuante na Policlínica da Tapera, o curso detalhou a superioridade terapêutica da insulina Glargina sobre a tradicional NPH.
A especialista destacou que, por ser um análogo de ação prolongada, a Glargina mantém os níveis glicêmicos estáveis por até 24 horas com apenas uma aplicação diária, reduzindo drasticamente os episódios de hipoglicemia: “Para o paciente, isso se traduz em menos furos na pele, rotinas previsíveis e noites de sono mais seguras, sem o fantasma das quedas bruscas de açúcar no sangue”, frisou.
Vínculos fortalecidos
O desdobramento mais imediato e impactante dessa transição é a descentralização da assistência farmacêutica. Laura realçou que, historicamente, o acesso a insulinas análogas de longa duração era marcado pela judicialização da saúde ou por complexos processos no Componente Especializado, que obrigavam o paciente a se deslocar a grandes centros regionais.
Marcele Pacheco, coordenadora da Farmácia Municipal de São João da Barra, lembrou esse cenário excludente: “Antes, o medicamento era obtido por meio de ações judiciais e, depois, passou a ser disponibilizado pelo componente especializado”.
Com o novo fluxo desenhado pelo governo federal, os usuários poderão retirar o medicamento diretamente na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de suas residências. Ana Beatriz Mayerhofer, diretora das Linhas de Cuidado da APS, pontuou que esse movimento fornece e fortalece o vínculo com as equipes de Saúde da Família, que passam a acompanhar o paciente de perto.
A diretora enfatizou que o impacto sistêmico para a saúde pública é imensurável. A médio e longo prazo, ela analisou que um controle glicêmico mais eficiente diminui drasticamente as complicações crônicas do diabetes – como a retinopatia (cegueira), a nefropatia (insuficiência renal com necessidade de hemodiálise) e as amputações de membros inferiores.
Impactos relevantes
Um dos impactos relevantes assinalados é que, consequentemente, o SUS registra um alívio financeiro e estrutural com a redução de internações de urgência e cirirugias de alta complexidade. Cristiane Abílio, diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica de Campos, reforçou que a iniciativa é fundamental para garantir que a inovação terapêutica chegue com eficácia a quem mais precisa.
A escolha de Campos como o polo realizador deste evento regional não foi por acaso e se apoia na própria geografia e estrutura de saúde do interior fluminense. Além de mais populoso do interior do estado, o município atua historicamente como a principal referência e cidade-polo em atendimentos de média e alta complexidade para as regiões Norte e Noroeste Fluminense.
Através de estudos de redes de influência em saúde, Campos centraliza a maior quantidade de equipamentos especializados e hospitais da região, tornando-se o canal logístico natural para a distribuição de novas diretrizes do Ministério da Saúde. Ao capacitar suas equipes locais junto às de municípios vizinhos, Campos reafirma seu papel de vanguarda regional.