Iniciativas voltadas para o acolhimento afetivo e a valorização da história de vida dos pacientes vêm transformando a rotina das unidades de cuidados paliativos no Rio de Janeiro. No Hospital Estadual Eduardo Rabello, localizado em Senador Vasconcelos, celebrações como um baile charme improvisado e o uso de prontuários afetivos — que registram preferências pessoais, gostos musicais e hábitos dos internados — buscam oferecer conforto além do tratamento clínico habitual. A unidade integra a rede pública ao lado do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla e do Inca IV, que também estruturam enfermarias dedicadas e apoio multiprofissional com foco na dignidade de pessoas com doenças graves ou crónicas.
A urgência dessas abordagens ganha relevância com o envelhecimento populacional indicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos dados do Censo apontaram uma proporção inédita de 121,4 idosos para cada 100 crianças e adolescentes de até 14 anos na capital fluminense. Especialistas e entidades médicas ressaltam a necessidade de expandir essas estruturas para além dos hospitais especializados, integrando atendimentos domiciliários e ambientes acolhedores que incluam musicoterapia e apoio integral aos familiares.