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Um país repartido

Fonte: tribunadonorte.com.br | Data: 28/10/2026 00:08:30

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Jessyanne Bezerra

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00h00

Desde 2018 o Brasil aprendeu a viver em dois países que ocupam o mesmo território e se encontram nas redes e nas ruas, mas se separam nas urnas. Domingo a eleição confirmou o muro entre duas Berlins tropicais. Lula reeleito entre festa e suspeitas para um quarto governo que terá um Congresso com a direita (especialmente o PL) em maioria, dezenas de estados sob governos de oposição e um Sul onde lideranças já falam em plebiscito para “decidir se ainda quer fazer parte desta Federação”.

Enquanto isso, nas redes, o Sudeste e o Nordeste continuam o duelo de identidades. Um estudo após o primeiro turno contabilizou milhões de menções hostis ao voto nordestino, misturando política com diferenças regionais. Confrontos com feridos, quando acontecem, são apenas a versão mais visível de algo que já correu solto nos grupos de WhatsApp e nos comentários.

Aí surgem os políticos do “agora vamos nos unir”. Os mesmos que, na campanha, trataram o adversário como criminoso, miliciano ou ameaça existencial, e agora pedem pacificação com a voz de quem acaba de descobrir sociologia de boteco.

Bradam nas entrevistas “somos um só povo”, “as diferenças são apenas de opinião”, “o Brasil precisa de diálogo”. Como se a divisão fosse um mal-entendido de bar, e não o resultado de 40 anos de divisão social da nação.

Na dicotomia de heróis e vilões, petistas e bolsonaristas não estão divididos por causa da polarização. Eles estão divididos porque passaram anos sendo convencidos, com razão (na visão de cada um), de que o outro lado representa o fim do país que eles reconhecem.

Um lado vê ameaça à democracia e aos direitos; o outro vê ameaça à ordem, à moral e ao combate à corrupção. Nenhum dos dois vai desligar isso porque um governador ou um líder de partido resolveu que “agora é hora de pacificar”.

O próximo governo terá de negociar com um Congresso hostil e governadores adversários. A “união nacional” que alguns prometem será, no melhor dos casos, um armistício tático. No pior, apenas mais um discurso que as redes vão transformar em piada pronta.

Pacificar um país assim até não é difícil. É, para quem conhece a força real das divergências, simplesmente impossível enquanto as lideranças continuarem achando que um abraço de campanha e uma frase de efeito resolvem o que oito anos de ódio organizado deixaram de pé.

Perseguição

Só numa republiqueta socialista um senador que acabou de disputar o maior cargo político do país é perseguido horas depois de encerrada a eleição. Flávio Bolsonaro não tem nenhuma condenação para ser caçado pelo consórcio.

Sul Livre

O termo acima é o slogan criado por parlamentares eleitos em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Alinhados na oposição às pautas de esquerda do PT, eles querem um plebiscito para definir a separação da região do Brasil.

Mercado

Ontem a Bovespa acionou pela segunda vez o “circuit breaker” com o prosseguimento da queda vertiginosa dos preços das ações, além da subida do dólar e uma desvalorização do real. Pior vai ser com as contas da eleição.

Buraco

Para garantir um quarto mandato que estava ameaçado pelo resultado do primeiro turno, Lula torrou meio trilhão dos cofres públicos com ações e auxílios que terão efeito temporário para os beneficiados e duradouros para o país.

Demissões

Apenas entre segunda e hoje, milhares de empregos já foram desfeitos por dois motivos distintos: crise e demissão por sabotagem. No Ceará e Pernambuco, militantes de esquerda foram desligados de algumas empresas.

Depredações

Também nas últimas 72 horas, foram registrados alguns casos de invasões de fazendas por militantes do MST, o braço armado do PT. Há também casos de depredações em shoppings e supermercados por ativistas de esquerda.

Prejuízos

Do poeta e advogado Diógenes da Cunha Lima, presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras, prestes a embarcar para visitas em Santa Catarina: “As perdas fazem parte da nossa vida, o pior é a nação dividida”.

Eleições

Os professores Douglas Cavalheiro e Sérgio Trindade concluíram os três volumes da obra “Urnas Potiguares”, onde contam a história das eleições no RN entre 1965 e 2026, em que tive a grande honra de escrever o prefácio.

Ouvidoria

No último dia 21, a Ouvidoria do SUS Natal realizou o primeiro fórum da entidade discutindo o tema “escuta como ferramenta de gestão: avanços, ações e desafios”, com apresentação da ouvidora do SUS, Francisca Rêgo.

Bola de Ouro

O craque britânico Harry Kane (carrasco do Flamengo) superou os outros nove finalistas e ganhou a Bola de Ouro de melhor do ano, acumulando também o Troféu Gerd Müller de artilheiro da temporada em que fez 73 gols em 65 jogos.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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