Minas tem 52 mortes por dengue em 2026 e se prepara para cenário desafiador com El Niño super forte
Fonte: otempo.com.br | Data: 28/10/2026 12:12:19
Minas Gerais registrou 48.403 casos confirmados de dengue e 52 mortes pela doença até outubro de 2026. O cenário para o próximo ano preocupa as autoridades de saúde, diante da possibilidade de um super El Niño, fenômeno climático que pode influenciar as condições de chuva e temperatura. A expectativa é de um período desafiador para o enfrentamento das arboviroses, que incluem dengue, chikungunya e zika. O alerta foi feito pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, durante a Jornada Mineira de Arboviroses, realizada na manhã desta quarta-feira (28/10), na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.
O encontro reúne especialistas, técnicos e secretários municipais de Saúde para discutir a preparação para o próximo período sazonal das doenças. “Provavelmente, 2027 não será um ano fácil. Pela nossa expectativa de superação dos níveis anteriores, devemos ter um ano muito difícil, e precisamos nos preparar para isso”, afirmou o secretário.
Além dos casos confirmados de dengue, Minas Gerais contabilizou 65.005 casos prováveis da doença até outubro deste ano. Em relação à chikungunya, foram registrados 15.384 casos, com seis mortes. Já o vírus Zika teve 13 casos confirmados no período.
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Segundo Baccheretti, embora o aumento das arboviroses seja esperado principalmente nos meses de fevereiro e março, as ações de prevenção precisam ser intensificadas antes da chegada do período de maior transmissão. A preparação envolve capacitação dos profissionais de saúde, mobilização dos municípios e ampliação do uso de tecnologias para identificar e eliminar criadouros do mosquito Aedes aegypti. “Estamos em outubro e sabemos que as arboviroses vêm fortemente em fevereiro e março, mas é agora que começa a preparação, com o início do período chuvoso. Nossa expectativa é sempre trabalhar para que o próximo ano não seja tão difícil”, disse.
O secretário também destacou a importância da participação da população na prevenção. Segundo ele, a maior parte dos criadouros está dentro das residências, o que torna necessário manter os cuidados com recipientes que possam acumular água.“Precisamos entender que os criadouros do mosquito estão dentro das nossas casas em 80% a 85% das vezes. Por isso, o papel individual e coletivo na preparação é fundamental para evitar esses focos”, ressaltou.
Baccheretti também chamou a atenção para a necessidade de identificar os sinais de agravamento da dengue e garantir o atendimento adequado aos pacientes. “Consideramos que a morte por dengue é uma morte evitável, e não podemos aceitar isso como algo natural. Temos que fazer a nossa parte, reconhecer os sinais de alarme e tratar os pacientes conforme os protocolos específicos”, afirmou.
Drones são usados para identificar criadouros
Entre as estratégias adotadas pelo Estado está a Política VigiDrones, criada para ampliar o monitoramento territorial e o enfrentamento ao Aedes aegypti. A iniciativa recebeu aproximadamente R$ 30,5 milhões para a contratação de serviços de geomonitoramento por drones, utilizados para identificar, mapear e tratar potenciais criadouros do mosquito.
Em maio de 2026, após a conclusão do segundo ciclo de monitoramento, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) havia realizado sobrevoos em aproximadamente 497 mil hectares de áreas urbanas mapeadas. Mais de 334 mil pontos de interesse foram identificados.
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A tecnologia permite ampliar a capacidade de atuação das equipes, especialmente em locais de difícil acesso, além de direcionar as intervenções para áreas com maior concentração de focos. “Os drones são os olhos do agente de endemias em locais onde o olhar humano não consegue chegar. Eles ajudam a identificar os pontos de maior proliferação para que o município atue naquele bairro ou naquela região específica”, explicou Baccheretti.
O secretário afirmou ainda que os equipamentos podem auxiliar na aplicação de larvicida em locais de difícil acesso, como caixas-d’água elevadas, desde que as condições permitam a operação.
El Niño super forte aumenta preocupação
Outro fator que preocupa as autoridades é a possibilidade de ocorrência de um super El Niño em 2027. O fenômeno climático pode alterar os padrões de chuva e temperatura e, consequentemente, influenciar as condições de proliferação do mosquito Aedes aegypti e de transmissão das arboviroses.
Segundo Baccheretti, a combinação entre as condições climáticas favoráveis, a presença do mosquito e a circulação do vírus pode contribuir para a ocorrência de epidemias de dengue.
O secretário citou ainda estratégias como as ovitrampas, utilizadas para monitorar a presença do mosquito, e as ações de sensibilização realizadas por agentes de endemias em escolas e outros espaços.