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Rsoeramos que o dono do avião e pilotos seja indiciados como cúmplices

Fonte: odia.ig.com.br | Data: 28/10/2026 17:39:39

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Parlamentar desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28)AFP

O avião que transportava o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família para os Estados Unidos adotou uma rota alternativa pela América do Sul para evitar sobrevoar o território brasileiro e escapar de uma possível interceptação da Força Aérea Brasileira (FAB). O parlamentar desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28).

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A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, partiu da Argentina com destino a Miami, após o senador deixar o Brasil, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de viajar ao exterior. O trajeto foi acompanhado por meio da plataforma de monitoramento aéreo FlightRadar, que confirmou o desvio de rota. 

Poucos dias após a derrota no segundo turno das eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio deixou o Brasil rumo à Argentina na noite de terça-feira (27). De lá, embarcou em um avião com destino ao Equador, onde fez uma breve escala na madrugada desta quarta-feira (28), antes de decolar para os Estados Unidos.

O Departamento de Estado informou que o governo norte-americano concederá vistos ao senador e à sua família, que o acompanhou na viagem.

Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota eleitoral no segundo turno de domingo, quando disputou a Presidência contra Lula. Ele foi alvo de uma decisão judicial que o impedia de deixar o Brasil em razão de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.

Seu irmão, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, vive nos Estados Unidos e também é investigado no Brasil em diferentes processos judiciais.

A saída de Flávio do Brasil foi marcada por uma série de informações desencontradas. A imprensa norte-americana informou, na terça-feira, que o político brasileiro já estava no país.

Fontes do governo da Argentina, cujo presidente, Javier Milei, é aliado da família Bolsonaro, negaram inicialmente que o senador tivesse entrado no território argentino.

Algumas horas depois, porém, a Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio havia atravessado a fronteira pouco antes da meia-noite, “com documentos de viagem válidos, sem nenhum impedimento legal”.

Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas embarcaram em seguida, no aeroporto de Puerto Iguazú, “em um voo privado, operado pela empresa Baires Fly SA, com destino à cidade de Guayaquil, no Equador”, informou um comunicado publicado no X pela Direção de Migrações.

Na madrugada desta quarta-feira (28), uma aeronave pousou em Guayaquil, onde foi reabastecida e decolou novamente cerca de meia hora depois, segundo repórteres da AFP que estavam no local.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um aliado próximo da família Bolsonaro. Na segunda-feira, ele afirmou que as eleições brasileiras haviam sido “fraudadas”.

Passaportes cancelados

Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que a Justiça, por meio de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o havia proibido de deixar o país em uma “tentativa de intimidá-lo”.

Na ocasião, o senador também descartou a possibilidade de deixar o Brasil e disse que pretendia atuar como líder da oposição.

“Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, declarou em vídeo.

O senador é investigado por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas, entre outros pontos, ao financiamento de um filme sobre seu pai.

Uma fonte policial brasileira informou na terça-feira à AFP que os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, haviam sido cancelados.

No entanto, Flávio possui cidadania italiana desde 2023, conforme consta em um documento de 2025 do Parlamento italiano consultado pela AFP.

Lula afirmou na terça-feira que não tinha “informações precisas” sobre a saída de seu adversário eleitoral do Brasil, mas classificou a situação como “vergonhosa”.

“O Brasil é a segunda pátria dele, a primeira pátria é lamber botas dos Estados Unidos”, criticou o presidente reeleito durante uma celebração de seu aniversário de 81 anos, em Brasília.

As informações sobre a partida de Flávio Bolsonaro causaram perplexidade entre seus aliados.

“Não temos ainda notícias sobre seu paradeiro”, disse aos jornalistas em Brasília o chefe de campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN).

“Nós tentamos entrar em contato com o Flávio (…) e recebemos por parte dele uma mensagem de texto onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele”, acrescentou.

Seguindo os passos da família

Eduardo Bolsonaro atua há vários meses como interlocutor do governo Trump. Os Estados Unidos também receberam seu pai, Jair Bolsonaro, por três meses, quando ele deixou o país antes da posse de Lula, em 2023.

Na semana passada, Eduardo afirmou, durante um podcast norte-americano, que era favorável à possibilidade de o irmão deixar o Brasil caso não vencesse as eleições, em meio às investigações judiciais contra ele.

Após a derrota eleitoral, Flávio Bolsonaro afirmou que pediria a anulação do segundo turno, sob o argumento de que a decisão judicial de prorrogar a votação em duas horas teria beneficiado Lula.

O presidente Lula venceu o segundo turno com quase 52% dos votos, contra 48% dos conservadores, uma diferença superior a 4 milhões de votos.

Flávio era o favorito para vencer o segundo turno, após terminar a primeira etapa da disputa à frente. Ele havia prometido que, caso fosse eleito, sua primeira medida de governo seria libertar o pai, Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.