Master não comunicou ao Coaf operações suspeitas envolvendo BRB, diz PF
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 28/10/2026 18:40:17
A cúpula do Master decidiu reduzir alertas internos e não comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) as operações suspeitas envolvendo a Tirreno, empresa vinculada às carteiras vendidas ao Banco de Brasília (BRB). A conclusão consta de um relatório que a Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 28. De acordo com a investigação, a decisão foi tomada em reunião do Comitê Operacional de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, em 4 de julho de 2025.
A PF aponta que os alertas apontavam movimentações incompatíveis com o perfil da empresa e valores elevados, além do uso de uma estrutura considerada atípica pela própria área de controle. Entre os integrantes com direito a voto estavam Alberto Félix de Oliveira Neto, da Superintendência de Tesouraria; Luiz Bull, da Diretoria de Gestão de Riscos e Controles Internos; e Angelo Ribeiro da Silva, da Diretoria de Contabilidade. O superintendente de Compliance e Prevenção à Lavagem de Dinheiro, Fábio de Souza Castanheira, participou como relator, sem direito a voto.
Em documento encaminhado à PF pelo liquidante do Master, ele atribuiu exclusivamente aos membros votantes a decisão de baixar os alertas. A deliberação, segundo a PF, teve como fundamento as informações fornecidas por Alberto Félix e um contrato de parceria firmado pela diretoria do banco. O comitê também aprovou as movimentações financeiras.
Em 22 de maio de 2025, a área de Cadastro Institucional solicitou ao compliance uma análise reputacional da Tirreno. No dia seguinte, após consultar informações sobre os administradores e beneficiários finais, o compliance classificou a Tirreno como cliente de alto risco para fins de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
Em 18 de junho, o monitoramento identificou uma situação considerada atípica: a abertura de uma “conta interna” em nome da empresa. Segundo o documento, essa modalidade era normalmente destinada a controles do próprio banco, o que motivou questionamentos sobre seu uso por uma companhia externa ao conglomerado. Na mesma data, foram registrados dois alertas sistêmicos: um por movimentação financeira incompatível com o perfil do cliente.
Em 25 de agosto de 2025, o sistema gerou outro alerta porque persistia a incompatibilidade entre as movimentações e o perfil econômico da Tirreno. Mesmo assim, segundo a PF, o entendimento anterior foi mantido. A Tirreno continuou classificada como cliente de alto risco, sem que as operações fossem comunicadas ao órgão de inteligência financeira.