Diretora do BRB admite ter aprovado operação com Master apesar de pressões
Fonte: brasilemfolhas.com.br | Data: 28/10/2026 18:40:17
Em conversa reproduzida em relatório da Polícia Federal (PF), a então diretora executiva de Controle e Riscos do Banco de Brasília (BRB), Luana de Andrade Ribeiro, admitiu ter aprovado o parecer relativo à cessão de operações com o Banco Master, apesar de ter relatado pressão hierárquica, falta de documentação e R$ 1,1 bilhão em créditos atrasados.
Na conversa, ocorrida em 12 de fevereiro de 2025, entre Luana e Dario Oswaldo Garcia Júnior, então diretor de Finanças do BRB, a executiva afirmou: ‘Tô fingindo demência com o chefe. Pra ele parar de brigar’. A mensagem tratava de operações do CredCesta. Na mesma conversa, a diretora registrou outra pendência: ‘Não recebemos a averbação’. Ao descrever as condições em que realizava a análise, escreveu: ‘Tô (sic) fazendo na confiança’.
A averbação é o registro que vincula o empréstimo ao desconto em folha. No relatório, a PF associou a falta dessa documentação à impossibilidade de confirmar uma característica essencial dos créditos adquiridos pelo banco público. ‘A área de Risco não havia recebido as averbações dos contratos e, portanto, não dispunha de confirmação documental de que os créditos possuíam a característica consignável utilizada para sua precificação e aquisição’, afirmaram os investigadores em outro trecho dedicado ao episódio.
Luana também relatou dificuldade para reunir todas as condições da operação em um único parecer. Segundo a descrição da PF, a executiva classificou o negócio como uma ‘colcha de retalhos’. Os investigadores destacam que as ressalvas não impediram a aprovação: ‘Apesar dos atrasos, da ausência de averbação, da dificuldade de justificar tecnicamente a operação e da pressão relatada, Luana informou que aprovou o parecer relativo à cessão’, registra o relatório.
Na avaliação individual da atuação de Luana, a PF destacou que as mensagens comprovam cobranças da Presidência do BRB sobre a área responsável pelos controles. ‘Os diálogos também registram que a Diretora da DICOR sofreu cobranças da Presidência para acelerar pareceres, alterar filtros e adotar cenários menos conservadores’, apontaram os investigadores. ‘Essas pressões constituem dado relevante para contextualizar sua atuação, mas não eliminam seus deveres funcionais nem afastam o fato de que as decisões foram aprovadas sem ressalva nominal, voto contrário ou abstenção.’ Ao concluir essa análise, os investigadores afirmaram que Luana, ‘mesmo reconhecendo e reportando riscos relevantes, aderiu às decisões colegiadas que mantiveram e ampliaram as aquisições’.