Brasil registra 3,2 mil denúncias de assédio eleitoral, com alta após segundo turno – Fatos Online
Fonte: fatosonline.com.br | Data: 28/10/2026 19:19:58

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 3.290 denúncias de assédio eleitoral relacionadas às eleições de 2026. Desse total, 1.143 registros foram feitos entre as 23h59 de domingo (25), após o encerramento do segundo turno, e as 15h40 desta quarta-feira (28). O volume representa mais de um terço das denúncias recebidas no período eleitoral e chama a atenção por se concentrar nos dias seguintes à votação.
O aumento ocorre em meio à circulação de publicações nas redes sociais que incentivam a demissão de trabalhadores por suas preferências políticas e promovem listas de empresas que supostamente apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo. Entre os conteúdos divulgados está o movimento “Demita um petista”, que estimula empregadores a dispensar funcionários associados ao partido. Os números foram apresentados nesta quarta-feira, durante uma coletiva no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com a participação do ministro Luiz Marinho e de outras autoridades, que anunciaram medidas para enfrentar as denúncias.
O assédio eleitoral no ambiente de trabalho pode envolver ameaças, constrangimentos, chantagens ou promessas de benefícios para influenciar o voto ou a manifestação política de um trabalhador. Em situações mais graves, a pressão pode resultar em demissão. Marinho afirmou que o governo considera preocupante a continuidade das denúncias após o fim da campanha. Entre as medidas em análise estão o envio de informações ao Banco Central sobre empresas denunciadas, o que pode restringir o acesso ao crédito, e a criação de uma lista pública de empregadores envolvidos em casos confirmados, nos moldes da lista relacionada ao trabalho análogo à escravidão.
O governo também pretende ampliar a fiscalização no período pós-eleitoral. Segundo Ademar Borges, secretário-executivo do Ministério da Justiça, a pasta acompanha os casos e avalia medidas contra conteúdos ilícitos nas plataformas digitais, conforme as regras legais aplicáveis. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que os processos sobre assédio eleitoral terão prioridade na Justiça do Trabalho. As denúncias podem ser apresentadas por vítimas ou testemunhas ao MPT e ao MTE. Quando a prática é confirmada, podem ser adotadas medidas para buscar a reintegração de trabalhadores demitidos ou a indenização cabível, além do encaminhamento do caso às autoridades competentes. O assédio eleitoral pode ocorrer presencialmente ou por mensagens, reuniões, aplicativos, e-mails e redes corporativas.
