Motiva tem lucro de R$ 3,42 bi no terceiro trimestre, alta de 177,9%
Fonte: agenciainfra.com | Data: 28/10/2026 20:31:55
A Motiva encerrou, nesta quarta-feira (28), o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido societário de R$ 3,42 bilhões, alta de 177,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando registrou R$ 1,23 bilhão. O resultado foi influenciado pela conclusão da venda de uma antiga plataforma de aeroportos e pelo desempenho do tráfego nas rodovias, com destaque para as concessões Motiva Minas-SP, Motiva Paraná, Motiva Sorocabana e RioSP.
O desempenho operacional também se refletiu no Ebitda ajustado da companhia, que cresceu 13,4% em relação ao terceiro trimestre de 2025, para R$ 2,52 bilhões. A margem Ebitda permaneceu estável em 66,2%.
Segundo a Motiva, a receita líquida ajustada cresceu 13,7% na comparação anual, passando de R$ 3,35 bilhões para R$ 3,80 bilhões. Além dos fatores já mencionados, o indicador foi favorecido pelo desempenho operacional da plataforma de Trilhos e por reajustes tarifários. Já as receitas complementares aumentaram 23%, totalizando R$ 92 milhões.
“Os resultados no terceiro trimestre de 2026 consolidam a nova fase na história da Motiva, após a conclusão da venda dos ativos aeroportuários. Reforçamos o foco em Rodovias e Trilhos, com uma estrutura mais simples, maior foco operacional e uma estratégia de alocação de capital ainda mais disciplinada. Estamos bem-posicionados para maximizar a nossa geração de valor, sustentados por um balanço robusto e por um olhar estratégico para inovação e tecnologia”, afirma, em nota, Miguel Setas, CEO da Motiva.
De acordo com a empresa, a venda dos 20 aeroportos à mexicana ASUR, concluída em setembro por R$ 12,21 bilhões, contribuiu com R$ 2,72 bilhões para o lucro líquido no trimestre. Desconsiderado esse efeito, o lucro líquido ajustado cresceu 9,8% na comparação anual, para R$ 750 milhões.
A Motiva também registrou melhora na eficiência operacional. Excluindo os aeroportos, a relação entre despesas operacionais de caixa e receita líquida ajustada caiu de 35,9% para 34,4% nos 12 meses, redução de 1,5 ponto percentual, atribuída pela companhia à gestão de custos, às sinergias e à otimização dos ativos.
Em relação ao endividamento, a Motiva encerrou o trimestre com alavancagem ajustada de 3,2 vezes, redução de 0,5 vez em relação ao fim do segundo trimestre, refletindo a venda dos aeroportos. No mesmo período, a dívida líquida da holding caiu 64,2%, para R$ 2,44 bilhões. Cerca de 48% do endividamento vence a partir de 2033, e o prazo médio da dívida chegou a 5,3 anos.
Desempenho operacional
Sobre as novas concessões e o início da operação dos pórticos da RioSP, a plataforma de rodovias registrou alta de 33,3% na demanda, para 377,87 milhões de veículos equivalentes, considerando todas as concessões. Em bases comparáveis, que excluem Motiva Paraná, Motiva Sorocabana, Motiva Minas-SP e a antiga ViaOeste, o crescimento foi de 1,6%, para 254,06 milhões. Na RioSP, o tráfego aumentou 13,5%, em um cenário marcado pelo fim das obras em Guarulhos (SP).
Na plataforma de trilhos, o volume de passageiros transportados cresceu 195,55 milhões, alta de 0,5%. O resultado foi influenciado pelo aumento de 2,1% no VLT Carioca, beneficiado pela agenda de eventos no Rio de Janeiro, de 0,9% nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, operadas pela ViaMobilidade, e de 0,8% na Linha 5-Lilás, também operada pela concessionária. Em São Paulo, os números refletem a melhora da integração na estação Santo Amaro e a entrada em operação da estação Varginha, na Linha 9-Esmeralda, que ampliou o acesso ao transporte público para moradores da zona sul.
Expansão dos investimentos
No terceiro trimestre de 2026, a companhia investiu R$ 2,27 bilhões em rodovias e trilhos, alta de 2,9% em relação aos R$ 2,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, os investimentos cresceram 2,0% na comparação anual, para R$ 5,57 bilhões.
No trimestre, a Motiva investiu R$ 1,93 bilhão em obras rodoviárias, com destaque para a ampliação de capacidade em São Paulo e no Rio de Janeiro e o avanço das obras na Serra das Araras, que superaram 84% do cronograma físico, com 11 dos 24 viadutos entregues. Os recursos também foram destinados à restauração de pavimento no Paraná, a intervenções e duplicações de rodovias no Rio Grande do Sul e à implantação de faixas adicionais e duplicações no Mato Grosso do Sul.
Em trilhos, a companhia investiu R$ 316 milhões, dos quais R$ 134 milhões foram destinados ao início das obras de expansão da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra (SP) e R$ 140 milhões às linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, em São Paulo, para implantação e revitalização da rede elétrica, cabines e subestações, além de adequações de espaços comerciais.
Novos negócios e rating de crédito
A Motiva anunciou iniciativas para diversificar suas receitas, incluindo uma joint venture com a Eletromidia e a EcoRodovias para explorar a publicidade em rodovias brasileiras. A Eletromidia terá participação de 51% na nova empresa, enquanto Motiva e EcoRodovias deterão 24,5% cada. A operação ainda depende de aprovação regulatória, prevista para até o fim do ano.
A companhia também entrou no mercado de eletromobilidade, com investimento de R$ 5 milhões em infraestrutura para recarga de ônibus elétricos no Pátio Guido Calo, da Linha 5-Lilás, em São Paulo. A estrutura conta com 12 carregadores e capacidade para atender 24 ônibus simultaneamente.
Além disso, a Moody’s elevou o rating da Motiva de AA para AAA na escala nacional. Com isso, a companhia passou a ter classificação triplo A nas três principais agências de risco, Fitch Ratings, S&P e Moody’s.