PF indicia 15 por esquema no Banco Master e BRB
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 28/10/2026 20:37:06
Segundo o g1, a Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28) um relatório parcial com mais de 700 páginas produzido no principal inquérito sobre as relações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O documento indicia 15 pessoas e pede a prorrogação das investigações por 60 dias.
A PF aponta, entre os indiciados, Daniel Vorcaro, ex-dono do Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro; e Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB. As acusações incluem administração fraudulenta de instituição financeira, engano em aplicações, atuação em grupo criminoso e lavagem de recursos. Os três primeiros estão presos e foram alvos de fases da Operação Compliance Zero.
A investigação afirma que Vorcaro ocupava o centro do arranjo e comandava a produção, a compra e a cessão de carteiras usadas para captar recursos. Costa, segundo a PF, fazia a ponte com o BRB, pressionava setores internos e mexia em parâmetros técnicos das negociações. Augusto Lima atuava como ligação entre o Master, os fornecedores de bases de dados e as equipes que preparavam os créditos para venda.
O BRB, que tem o governo do Distrito Federal como maior acionista, vive crise com perdas bilionárias ligadas ao Master. O BRB aplicou 16,7 bilhões de reais no Master, então controlado por Vorcaro. O negócio não recebeu aval do Banco Central; mais tarde, o BRB identificou que parte dos ativos comprados carecia de lastro e apresentava fraude. No relatório, a PF descreve ainda o papel de ex-diretores do Master, do BRB e sócios da Tirreno, além de um ex-advogado do Master.
Entre as condutas detalhadas, Dario Oswaldo Garcia Junior acompanhava a compra das carteiras, recebia pareceres técnicos e participava das tratativas. Diretores do BRB avalizaram as operações; Luana de Andrade Ribeiro alertou sobre riscos, mas continuou no processo, conforme a PF. Já o escritório Monteiro Rusu prestava consultoria jurídica ao Master, e Daniel Lopes Monteiro atuava na revisão de contratos e documentos societários.
Outros indiciados incluem Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antônio Bull, Alberto Félix de Oliveira Neto e Allan da Silva Machado, ex-integrantes do Master; Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócios da Tirreno; além de Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior, ex-diretores do BRB. A relação reúne 15 nomes, incluindo ex-executivos de Master e BRB, sócios da Tirreno e um advogado.
Segundo a PF, Angelo Antônio Ribeiro da Silva dava suporte contábil às operações. Luiz Antônio Bull e Alberto Félix de Oliveira Neto faziam a ponte com a Tirreno. Allan da Silva Machado selecionava créditos, organizava arquivos e atendia pedidos do BRB. Os sócios da Tirreno representavam os interesses da empresa na capitalização e no envio de papéis ao Banco Central e ao BRB. Já os diretores do BRB participaram das decisões que referendaram as aquisições.
Os delegados pediram mais 60 dias para concluir perícias e apresentar relatório complementar. André Mendonça, relator do inquérito no STF, vai examinar o requerimento. A defesa de Vorcaro sustentou que o indiciamento foi precipitado, que não há prova de prejuízo ao BRB e que faltam análises periciais. A defesa também argumenta que o pedido de prorrogação foi feito na mesma peça do indiciamento e que restam diligências, como entrevistas e checagens bancárias.