O que se sabe sobre o acidente de trem que deixou Espanha de luto
Fonte: otempo.com.br | Data: 29/10/2026 12:36:59
A colisão entre dois trens de alta velocidade nas proximidades de Urda, que deixou pelo menos 69 mortos, na quarta-feira (28), já é a pior tragédia ferroviária na Espanha desde 2013 e o segundo acidente de trem em menos de um ano no país. Nesta quinta-feira (29), a Espanha iniciou um período de três dias de luto, enquanto as equipes de resgate continuam procurando vítimas entre os vagões destruídos. Veja, abaixo, o que se sabe do acidente de trem.
A tragédia, que deixou o país novamente em estado de choque, gerou mais dúvidas sobre a segurança da rede ferroviária nacional. Em janeiro, a colisão de dois trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, deixou 46 mortos.
O acidente de quarta-feira aconteceu nas proximidades da cidade de Urda, na província de Toledo, a 150 quilômetros ao sul de Madri, quando um trem da companhia estatal Renfe, que havia partido da capital com destino a Sevilha, colidiu com outra composição, da empresa Iryo, que estava parada na via.
“Foi uma pancada muito forte, durou muito tempo”, disse Pablo Mejía, de 42 anos, que provavelmente escapou com vida por ter procurado um assento mais confortável em outro vagão. “Acho que nasci de novo”, afirmou, com ferimentos no rosto e o casaco manchado de sangue.
Os serviços de emergência, auxiliados por dois guindastes, continuavam procurando vítimas entre a massa de ferros destruídos nos vagões mais atingidos.
Os cães especializados da Guarda Civil também trabalhavam na área. “Eles estão percorrendo os trilhos para ver se há algum vestígio biológico, que é a nossa prioridade neste momento”, explicou Pedro Pablo Garrido, porta-voz da Guarda Civil de Toledo.
O balanço provisório da tragédia aumentou para 69 mortos e quase 50 feridos hospitalizados, segundo as autoridades regionais de Castilla-La Mancha, no centro do país, onde ocorreu o acidente.
+ Veja imagens do acidente de trem de alta velocidade que matou mais de 60 pessoas na Espanha
O que se sabe sobre o acidente de trens
A seguir, o que se sabe até agora sobre o acidente:
8h30, falha no sistema
Às 7h54 locais (3h54 no horário de Brasília), o trem 6076 da companhia privada Iryo – administrada por um consórcio do qual a italiana FS detém 51% – parte da estação de Atocha, em Madri, com destino a Sevilha, no sul, transportando 152 pessoas.
Minutos depois, às 8h, o trem AVE 2080 da estatal Renfe segue o mesmo percurso, com quase 400 passageiros a bordo. As condições meteorológicas são muito boas nessa linha de trem de alta velocidade, a primeira desse tipo inaugurada na Espanha em 1992.
“Por volta das 8h30” – relatou horas mais tarde o ministro dos Transportes, Óscar Puente -, o sistema de sinalização LZB, que controla em tempo real a circulação dos trens de alta velocidade, sofre uma avaria.
Essa falha provoca a parada dos seis trens que se encontravam em um trecho de 69 quilômetros, entre eles os dois que colidiriam pouco depois, e transfere a gestão do tráfego para o centro de controle com sede em Madri, como está previsto nesses casos.
8h36, ordem “equivocada”
Naquele momento, os trens “estão perfeitamente localizados”, apesar da falha no sistema, assegura Óscar Puente. No entanto, às 8h36 o centro de controle, “por meio de seus operadores”, autoriza o trem da Renfe a “retomar a marcha normalmente”, uma decisão tomada em circunstâncias “inexplicáveis”, segundo o ministro.
Essa ordem “equivocada” é dada apesar do sinal vermelho que impede a retomada devido à presença do trem da Iryo mais adiante na mesma via, lamenta Puente. Em 17 minutos, o trem percorre 25 quilômetros sem que ninguém o detenha.
8h53, colisão mortal
Às 8h53, o trem da Renfe colide “por trás” com o Iryo, que havia ficado parado na mesma via. Para o ministro dos Transportes, o acidente ocorrido em uma reta de aparente boa visibilidade, no município de Urda, no coração da península, é “verdadeiramente inacreditável”.
Segundo o ministro, ainda se desconhece a velocidade a que circulava o trem da Renfe no momento do impacto, embora naquele trecho pudesse “chegar a até 200 km/h”.
A violência da colisão lançou dois vagões do Iryo sobre um declive, transformando-os em um amontoado de ferros retorcidos. Pelo menos 69 pessoas morreram nos dois trens e mais de 100 ficaram feridas em diferentes gravidades, segundo as autoridades regionais.
Com este balanço provisório, o acidente de Urda é a maior catástrofe ferroviária na Espanha desde o descarrilamento que deixou 80 mortos em Santiago de Compostela, na região da Galícia (noroeste), em 2013.
Também é o segundo desastre que atinge as linhas de alta velocidade do país neste ano, depois do choque entre dois trens que deixou 46 mortos em 18 de janeiro em Adamuz, Andaluzia (sul).